Resistência
Opinião » 2026-05-04
«Chegou a altura de lançarmos um grito de revolta e de alerta. Não era um país com este contexto que queríamos quando fizemos o 25 de Abril».
«É inaceitável a crescente injustiça social, o fosso cada vez maior que se está a cavar entre os mais ricos e os mais pobres. Mas que raio de país é este, mas que raio de Justiça é esta?».
«Estamos a contar mal a luta antifascista às gerações mais novas. É preciso continuar a lutar pelo esclarecimento, e para evitar o branqueamento do fascismo, para que a memória não se perca.»
Presidente da Associação 25 de Abril, Capitão de Abril, Vasco Lourenço.
Desde estas palavras passaram dezasseis anos. Nesse período aconteceu mais uma intervenção do F.M.I. em Portugal, um primeiro-ministro aconselhou a população portuguesa a emigrar, outro primeiro-ministro foi preso, surgiu o Chega, e a esquerda decidiu que nada disto era pertinente, enveredando por outras prioridades.
Há uns dias voltei a prestar atenção a declarações de Vasco Lourenço. Dezasseis anos depois, mantém a coerência, sublinhando a urgência. O semblante cansado não se deve exclusivamente ao peso da idade, deduzo. Compreensível.
Comemorar, celebrar, é importante, sim. Mas fazê-lo com integridade devia ser condição obrigatória. Reafirmar o compromisso com os valores da revolução com a mesma seriedade que se assume a degradação escabrosa das escolas do concelho, se recebe uma petição com três centenas de assinaturas a denunciar ausência de saneamento básico, se inaugura com pompa e circunstância a plantação de uma palmeira, entretanto esquecida, se mantém um equipamento municipal inoperante após mais de um milhão de euros gastos em manutenção e remodelação, se comunica um saldo positivo de mais de três milhões de euros, qual CEO sorridente perante os accionistas felizes, cinquenta e dois anos após o término das trevas e trinta anos consecutivos com o mesmo partido no poder, parece caricatura mas é retrato.
Uma Câmara Municipal não é uma empresa privada a navegar num oceano capitalista. Não visa o lucro, visa a satisfação das necessidades da população que serve. Antes não se fazia porque a dívida à banca era sufocante, não permitia fazer. Qual é a desculpa agora?
Torres Novas acolhe uma exposição sobre os cinquenta anos da Constituição da República Portuguesa. É uma oportunidade óptima para os torrejanos darem especial atenção ao artigo vinte e um. Consagra o Direito de Resistência. Estabelece que todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda direitos, liberdades e garantias fundamentais e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade.
Sim, eu que sou um pouco mais velho que a revolução, comemoro especialmente isto.
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
Resistência
Opinião » 2026-05-04«Chegou a altura de lançarmos um grito de revolta e de alerta. Não era um país com este contexto que queríamos quando fizemos o 25 de Abril».
«É inaceitável a crescente injustiça social, o fosso cada vez maior que se está a cavar entre os mais ricos e os mais pobres. Mas que raio de país é este, mas que raio de Justiça é esta?».
«Estamos a contar mal a luta antifascista às gerações mais novas. É preciso continuar a lutar pelo esclarecimento, e para evitar o branqueamento do fascismo, para que a memória não se perca.»
Presidente da Associação 25 de Abril, Capitão de Abril, Vasco Lourenço.
Desde estas palavras passaram dezasseis anos. Nesse período aconteceu mais uma intervenção do F.M.I. em Portugal, um primeiro-ministro aconselhou a população portuguesa a emigrar, outro primeiro-ministro foi preso, surgiu o Chega, e a esquerda decidiu que nada disto era pertinente, enveredando por outras prioridades.
Há uns dias voltei a prestar atenção a declarações de Vasco Lourenço. Dezasseis anos depois, mantém a coerência, sublinhando a urgência. O semblante cansado não se deve exclusivamente ao peso da idade, deduzo. Compreensível.
Comemorar, celebrar, é importante, sim. Mas fazê-lo com integridade devia ser condição obrigatória. Reafirmar o compromisso com os valores da revolução com a mesma seriedade que se assume a degradação escabrosa das escolas do concelho, se recebe uma petição com três centenas de assinaturas a denunciar ausência de saneamento básico, se inaugura com pompa e circunstância a plantação de uma palmeira, entretanto esquecida, se mantém um equipamento municipal inoperante após mais de um milhão de euros gastos em manutenção e remodelação, se comunica um saldo positivo de mais de três milhões de euros, qual CEO sorridente perante os accionistas felizes, cinquenta e dois anos após o término das trevas e trinta anos consecutivos com o mesmo partido no poder, parece caricatura mas é retrato.
Uma Câmara Municipal não é uma empresa privada a navegar num oceano capitalista. Não visa o lucro, visa a satisfação das necessidades da população que serve. Antes não se fazia porque a dívida à banca era sufocante, não permitia fazer. Qual é a desculpa agora?
Torres Novas acolhe uma exposição sobre os cinquenta anos da Constituição da República Portuguesa. É uma oportunidade óptima para os torrejanos darem especial atenção ao artigo vinte e um. Consagra o Direito de Resistência. Estabelece que todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda direitos, liberdades e garantias fundamentais e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade.
Sim, eu que sou um pouco mais velho que a revolução, comemoro especialmente isto.
A encíclica de Leão XIV - jorge carreira maia
» 2026-06-07
» Jorge Carreira Maia
A primeira encíclica do Papa Leão XIV – Magnifica Humanitas – toca em duas áreas fulcrais para a humanidade. A área da tecnologia e a área política. A Inteligência Artificial (IA) não é rejeitada pelo Vaticano. |
Minudências que consomem - carlos paiva
» 2026-06-07
» Carlos Paiva
A micro gestão, em inglês micromanagement, é um dos erros de gestão mais combatido nas estruturas empresariais. Caracterizada pela centralização de decisões, ausência de delegação de tarefas e responsabilidades, obsessão com detalhes e comunicação unilateral entre camadas hierárquicas. |
O precipício ao virar da esquina - antónio mário
» 2026-06-07
» António Mário Santos
Algo vem ganhando força e expressão, nos últimos tempos, a nível nacional: a consciência da ingovernabilidade do sistema político. O aumento do descontentamento popular, ante a realidade sociopolítica da degradação da qualidade de vida no mundo do capitalismo neoliberal, alimentou o crescimento da extrema-direita. |
A verdade dos números - antónio gomes
» 2026-06-07
» António Gomes
Realizou-se recentemente um debate sobre segurança e criminalidade em Torres Novas, promovido pela respectiva Assembleia Municipal e que contou com um conjunto de entidades oficiais – Secretária Geral do Sistema de Segurança Interna, comandante do Destacamento territorial da GNR, subcomissário da esquadra da PSP de Torres Novas, do coordenador da protecção Civil concelhia e ainda da procuradora da República e coordenadora da Comarca de Santarém. |
Labregos & rufiões - acácio gouveia
» 2026-06-07
» Acácio Gouveia
(...) e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os chifres dez diademas, e sobre as cabeças um nome de blasfémia” - Apocalipse S. João 13.1 Parece mesmo um argumento de filme apocalíptico, saído dos estúdios de Holywood, candidato a um sucesso de bilheteira. |
O rio que maltratamos mata-nos a sede
» 2026-05-18
» António Mário Santos
Em 20 de Março último publiquei, neste periódico, um artigo intitulado «Falemos de Cultura e do que o Município pode criar». Apontava, entre outros aspectos, um dos erros que, na minha opinião, menorizava a dimensão da actividade, neste sector específico do município: a sua municipalização, assente na pura opção dos seus técnicos, sem atenção ao que, na comunidade, se ia construindo. |
Da importância da redenção
» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
Descansemos do triste estado do mundo e falemos de outra coisa. Façamos mesmo como os jogadores de Xadrez do poema de Ricardo Reis: Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia /Tinha não sei qual guerra, / Quando a invasão ardia na Cidade / E as mulheres gritavam, / Dois jogadores de xadrez jogavam / O seu jogo contínuo. |
Obras públicas concelhias
» 2026-05-18
» António Gomes
Deviam ser levadas a sério, com rigor e transparência. Mas não, em Torres Novas parece que é tudo ao contrário. Muitos se lembrarão ainda do que foi o calvário para concluir o edifício do antigo hospital, hoje Paços do Concelho, e mais recentemente o “bairro dos pobres”, bairro na Calçada António Nunes, entre outros… fez-se este caminho e parece que vai continuar. |
Todo bem vestido e sem sítio para ir
» 2026-05-18
» Carlos Paiva
Existirá sempre um leque de temas infelizes, más decisões, incompetências, desleixos, corrupção, para alimentar qualquer cronista em qualquer jornal local. A abundância temática por vezes é tal que se perde o foco no essencial e deriva-se para o acessório. |
A aposta na mobilidade não pode parar
» 2026-05-04
» António Gomes
Comemorámos o 25 de Abril e foi uma grande comemoração. Fiquei um pouco mais descansado quanto ao futuro da nossa Liberdade, a rua em 1974 foi o que decidiu o desfecho daquela data e agora, no 52.º aniversário, a rua voltou a não deixar dúvidas absolutamente nenhumas, tantas foram as pessoas por esse País fora que quiseram dizer presente para assegurar a Democracia e a Liberdade. |
|
» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
Da importância da redenção |
|
» 2026-05-18
» Carlos Paiva
Todo bem vestido e sem sítio para ir |
|
» 2026-05-18
» António Gomes
Obras públicas concelhias |
|
» 2026-05-18
» António Mário Santos
O rio que maltratamos mata-nos a sede |
|
» 2026-06-07
» Jorge Carreira Maia
A encíclica de Leão XIV - jorge carreira maia |