Miau
Opinião
» 2026-04-18
» Carlos Paiva
Se eu tiver 20 ovelhas e o meu vizinho nenhuma, em média, cada um de nós tem 10 ovelhas. Sem análise crítica, a estatística pode espelhar tudo e qualquer coisa, menos a realidade. Mas são necessários números para iniciar todo o processo. Sem recenseamento, não há números sequer.
Uma gata fica apta a reprodução por volta dos 8 meses de idade. Uma gata tem geralmente 3 ninhadas por ano. Cada ninhada tem geralmente 5 crias. Uma gata de rua tem uma esperança média de vida de 7 anos. Com tudo a correr dentro da média, uma única gata, gera 105 gatos ao longo da sua vida.
Considerando que as crias fêmeas ficam aptas para reprodução aos 8 meses, é fácil perceber que ao longo dos 7 anos de vida da matriarca, o crescimento da população de gatos é exponencial. Daí a importância de controlo populacional via esterilização.
Os gatos, silvestres e semissilvestres, o que vulgarmente chamamos "gato de rua", são naturalmente esquivos. Só com meses, por vezes anos, de convívio com seres humanos é que se torna possível o contacto físico. Alguns, nunca. Para os esterilizar, primeiro, tem de ser possível apanhá-los. É aqui neste ponto que os cidadãos, voluntários e associações sem fins lucrativos que cuidam das colónias de gatos de rua, já com confiança conquistada à maioria deles, se tornam fundamentais no processo. Os idiotas de opinião que não se deve alimentar, desparasitar, disponibilizar abrigos, aos gatos de rua, são autistas aos factos: se o animal não for alimentado vai revirar caixotes do lixo à procura de comida, vai caçar pequenas aves, roedores e répteis até à extinção, causando danos significativos no ecossistema. Se não for desparasitado regularmente, vai contrair e espalhar doenças. Sem contacto com seres humanos, será dificílimo capturar o animal para castração e, mesmo que o consigam, tenho pena do veterinário e auxiliar que tentar executar a cirurgia. Cuidar de colónias de gatos é a liberdade cívica a actuar onde a decência institucional se demitiu.
O governo português, de uns anos a esta parte, providencia uma verba anual às câmaras municipais destinada à castração de animais de rua. Associações e particulares podem (devem) solicitar aos serviços veterinários das respectivas câmaras municipais a castração, sem custos. Esgotada essa verba e perante a persistência do problema, a Câmara Municipal de Torres Novas atribuiu um financiamento de 7.000€ para as castrações.
Portugueses que somos, preferimos usufruir desta quase borla nos animais domésticos, poupando uns cobres na castração do bichano lá de casa no veterinário da Câmara, em vez da clínica privada. Subtraindo assim eficácia na resolução do problema dos animais errantes. Resultado: veterinários das câmaras municipais atascados em trabalho e as colónias de rua a continuar a crescer.
Quem já passou pelo processo com animais de rua, ficou a saber em detalhe como tudo funciona.
Primeiro, temos de conseguir capturar o animal. A Câmara Municipal pode providenciar armadilhas, mas, como as que possui são em número muito limitado, sugere ao cidadão que capture o animal pelos seus próprios meios.
Segundo, é da responsabilidade da Câmara Municipal assegurar a recolha e posterior entrega do animal, mas é preciso uma transportadora. A Câmara pode providenciar transportadora, mas, como as que possui são em número muito limitado, sugere ao cidadão que use a sua. E, já agora, a sua viatura particular para entregar e recolher o animal.
Terceiro, é condição obrigatória jejum de 12 horas para a cirurgia. Caso o cidadão não o consiga assegurar (como pode, se é um animal de rua?), o bicho é recolhido, fica enclausurado na transportadora durante 12 horas nos serviços veterinários da Câmara Municipal, após as quais é operado e devolvido dentro da mesma transportadora. Invariavelmente encharcado em urina, fezes e sangue. Destinado a ser devolvido imediatamente à rua.
Quarto, a cirurgia é feita sob anestesia. Ou o cidadão providencia o período de recobro, ou o gato é atirado à rua a cambalear, ainda meio adormecido, sujeito ao que possa acontecer. Cara ou coroa. Ou sobrevive, ou morre. Uma vez que não se pratica a eutanásia, deixa-se a sorte decidir.
Seja como for, garante-se temporariamente a redução do número de animais errantes. E isso é sempre uma estatística favorável às políticas e aos políticos. A estatística confirma ter sido uma óptima ideia. Confirma que o sistema funciona. Não ilustra como e em que condições. Os números? Ninguém sabe. Não existe recenseamento. Mas, se a totalidade da verba fosse gasta exclusivamente em castrações de gatas de rua, dava para 74! Faz-se a matemática ao contrário. A verba determina o recenseamento. Oficialmente, no concelho de Torres Novas, existem 74 gatas. Ponto. Porque a Câmara Municipal tem sempre razão e está empenhada em efectivamente resolver o problema. É impossível gente tão importante, tão bem formada, tão bem vestida, estar-se a borrifar.
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Opinião
» 2026-04-18
» Carlos Paiva
Se eu tiver 20 ovelhas e o meu vizinho nenhuma, em média, cada um de nós tem 10 ovelhas. Sem análise crítica, a estatística pode espelhar tudo e qualquer coisa, menos a realidade. Mas são necessários números para iniciar todo o processo. Sem recenseamento, não há números sequer.
Uma gata fica apta a reprodução por volta dos 8 meses de idade. Uma gata tem geralmente 3 ninhadas por ano. Cada ninhada tem geralmente 5 crias. Uma gata de rua tem uma esperança média de vida de 7 anos. Com tudo a correr dentro da média, uma única gata, gera 105 gatos ao longo da sua vida.
Considerando que as crias fêmeas ficam aptas para reprodução aos 8 meses, é fácil perceber que ao longo dos 7 anos de vida da matriarca, o crescimento da população de gatos é exponencial. Daí a importância de controlo populacional via esterilização.
Os gatos, silvestres e semissilvestres, o que vulgarmente chamamos "gato de rua", são naturalmente esquivos. Só com meses, por vezes anos, de convívio com seres humanos é que se torna possível o contacto físico. Alguns, nunca. Para os esterilizar, primeiro, tem de ser possível apanhá-los. É aqui neste ponto que os cidadãos, voluntários e associações sem fins lucrativos que cuidam das colónias de gatos de rua, já com confiança conquistada à maioria deles, se tornam fundamentais no processo. Os idiotas de opinião que não se deve alimentar, desparasitar, disponibilizar abrigos, aos gatos de rua, são autistas aos factos: se o animal não for alimentado vai revirar caixotes do lixo à procura de comida, vai caçar pequenas aves, roedores e répteis até à extinção, causando danos significativos no ecossistema. Se não for desparasitado regularmente, vai contrair e espalhar doenças. Sem contacto com seres humanos, será dificílimo capturar o animal para castração e, mesmo que o consigam, tenho pena do veterinário e auxiliar que tentar executar a cirurgia. Cuidar de colónias de gatos é a liberdade cívica a actuar onde a decência institucional se demitiu.
O governo português, de uns anos a esta parte, providencia uma verba anual às câmaras municipais destinada à castração de animais de rua. Associações e particulares podem (devem) solicitar aos serviços veterinários das respectivas câmaras municipais a castração, sem custos. Esgotada essa verba e perante a persistência do problema, a Câmara Municipal de Torres Novas atribuiu um financiamento de 7.000€ para as castrações.
Portugueses que somos, preferimos usufruir desta quase borla nos animais domésticos, poupando uns cobres na castração do bichano lá de casa no veterinário da Câmara, em vez da clínica privada. Subtraindo assim eficácia na resolução do problema dos animais errantes. Resultado: veterinários das câmaras municipais atascados em trabalho e as colónias de rua a continuar a crescer.
Quem já passou pelo processo com animais de rua, ficou a saber em detalhe como tudo funciona.
Primeiro, temos de conseguir capturar o animal. A Câmara Municipal pode providenciar armadilhas, mas, como as que possui são em número muito limitado, sugere ao cidadão que capture o animal pelos seus próprios meios.
Segundo, é da responsabilidade da Câmara Municipal assegurar a recolha e posterior entrega do animal, mas é preciso uma transportadora. A Câmara pode providenciar transportadora, mas, como as que possui são em número muito limitado, sugere ao cidadão que use a sua. E, já agora, a sua viatura particular para entregar e recolher o animal.
Terceiro, é condição obrigatória jejum de 12 horas para a cirurgia. Caso o cidadão não o consiga assegurar (como pode, se é um animal de rua?), o bicho é recolhido, fica enclausurado na transportadora durante 12 horas nos serviços veterinários da Câmara Municipal, após as quais é operado e devolvido dentro da mesma transportadora. Invariavelmente encharcado em urina, fezes e sangue. Destinado a ser devolvido imediatamente à rua.
Quarto, a cirurgia é feita sob anestesia. Ou o cidadão providencia o período de recobro, ou o gato é atirado à rua a cambalear, ainda meio adormecido, sujeito ao que possa acontecer. Cara ou coroa. Ou sobrevive, ou morre. Uma vez que não se pratica a eutanásia, deixa-se a sorte decidir.
Seja como for, garante-se temporariamente a redução do número de animais errantes. E isso é sempre uma estatística favorável às políticas e aos políticos. A estatística confirma ter sido uma óptima ideia. Confirma que o sistema funciona. Não ilustra como e em que condições. Os números? Ninguém sabe. Não existe recenseamento. Mas, se a totalidade da verba fosse gasta exclusivamente em castrações de gatas de rua, dava para 74! Faz-se a matemática ao contrário. A verba determina o recenseamento. Oficialmente, no concelho de Torres Novas, existem 74 gatas. Ponto. Porque a Câmara Municipal tem sempre razão e está empenhada em efectivamente resolver o problema. É impossível gente tão importante, tão bem formada, tão bem vestida, estar-se a borrifar.
O rio que maltratamos mata-nos a sede
» 2026-05-18
» António Mário Santos
Em 20 de Março último publiquei, neste periódico, um artigo intitulado «Falemos de Cultura e do que o Município pode criar». Apontava, entre outros aspectos, um dos erros que, na minha opinião, menorizava a dimensão da actividade, neste sector específico do município: a sua municipalização, assente na pura opção dos seus técnicos, sem atenção ao que, na comunidade, se ia construindo. |
Da importância da redenção
» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
Descansemos do triste estado do mundo e falemos de outra coisa. Façamos mesmo como os jogadores de Xadrez do poema de Ricardo Reis: Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia /Tinha não sei qual guerra, / Quando a invasão ardia na Cidade / E as mulheres gritavam, / Dois jogadores de xadrez jogavam / O seu jogo contínuo. |
Obras públicas concelhias
» 2026-05-18
» António Gomes
Deviam ser levadas a sério, com rigor e transparência. Mas não, em Torres Novas parece que é tudo ao contrário. Muitos se lembrarão ainda do que foi o calvário para concluir o edifício do antigo hospital, hoje Paços do Concelho, e mais recentemente o “bairro dos pobres”, bairro na Calçada António Nunes, entre outros… fez-se este caminho e parece que vai continuar. |
Todo bem vestido e sem sítio para ir
» 2026-05-18
» Carlos Paiva
Existirá sempre um leque de temas infelizes, más decisões, incompetências, desleixos, corrupção, para alimentar qualquer cronista em qualquer jornal local. A abundância temática por vezes é tal que se perde o foco no essencial e deriva-se para o acessório. |
A aposta na mobilidade não pode parar
» 2026-05-04
» António Gomes
Comemorámos o 25 de Abril e foi uma grande comemoração. Fiquei um pouco mais descansado quanto ao futuro da nossa Liberdade, a rua em 1974 foi o que decidiu o desfecho daquela data e agora, no 52.º aniversário, a rua voltou a não deixar dúvidas absolutamente nenhumas, tantas foram as pessoas por esse País fora que quiseram dizer presente para assegurar a Democracia e a Liberdade. |
Todo o mundo é composto de mudança
» 2026-05-04
» António Mário Santos
E o povo saiu à rua, dançou, cantou, sorriu. Andou de cravo na mão, a dizer aos governantes que o 25 de Abril, ainda que o não tenham maioritariamente, vivido, representa algo de muito importante, para cada geração: a liberdade. |
Resistência
» 2026-05-04
«Chegou a altura de lançarmos um grito de revolta e de alerta. Não era um país com este contexto que queríamos quando fizemos o 25 de Abril». «É inaceitável a crescente injustiça social, o fosso cada vez maior que se está a cavar entre os mais ricos e os mais pobres. |
Pão, Paz e Liberdade
» 2026-05-04
» José Mota Pereira
Não parecia possível. Pela Europa, o fascismo e o nazismo avançavam. Também ali em França, a desumanidade se organizava. Mas o que parecia impossível, tornou-se possível: o Partido Radical, o Partido Socialista Francês e o Partido Comunista Francês, com um entendimento histórico ergueram a Frente Popular. |
Os males do presente
» 2026-05-04
» Jorge Carreira Maia
Por que razão vivemos num momento de grande turbulência mundial? Haverá muita gente com respostas, umas mais sensatas do que outras. Aventuras geopolíticas das grandes potências imperiais e os habituais interesses económicos são razões que surgem para dar um sentido ao que estamos a viver. |
O MERCADO DA INDIFERENÇA
» 2026-04-28
Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, decidiu isentar a organização do Rock in Rio do pagamento de 3 milhões de euros de taxas municipais devidas pela realização daquele mega-evento. Isto é, o autarca prefere abdicar de 3 milhões de euros em favor de uma grande multinacional do entretenimento, que lucra centenas de milhões de lucro nas suas iniciativas planetárias, a alocar esses 3 milhões, que cobraria, para as necessidades da educação, da acção social ou do desporto da população da capital. |
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» 2026-04-28
O MERCADO DA INDIFERENÇA |
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» 2026-05-04
» António Mário Santos
Todo o mundo é composto de mudança |
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» 2026-05-04
» José Mota Pereira
Pão, Paz e Liberdade |
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» 2026-05-04
» Jorge Carreira Maia
Os males do presente |
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» 2026-05-04
Resistência |