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Atrás dos vinhos, sem pressas, há muito para provar

Sociedade  »  2018-04-20 

David Policarpo veio de Évora e convida os torrejanos

Quando fechou o Zé da Ana, o clássico, o gourmet, instalou-se na vila um sentimento de orfandade e luto cerrado e Torres Novas nunca mais foi a mesma. É verdade que a elitista taberna do Bué já tinha encomendado a alma há muito, bem como o inesquecível “reservado” do Café Portugal, para não falar da adega do Valeriano do Solar do Melro e outros botecos menos conhecidos. Mas o Zé da Ana era o último e fiel representante dessa estirpe de nobres petisqueiros e encarnava, ele próprio, os elevados princípios dessa plebeia aristocracia da patuscada.
Mestre Zé dominava a sala, os pedidos e as ansiedades dos clientes como antes disso era o senhor do meio campo dos “amarelos”, a distribuir jogo quase de olhos fechados, nas calmas, sem alaridos, bola a pingar para o tiro do Matos ou a cabeça do Nabiça. Era esse o jogo, na prestigiada casa de pasto: ninguém levantava cabelo e não havia privilégios. Mestre Zé dobrava-se perante o rigor e não vacilava nunca. Era por ordem de chegada e essa sequência aparentemente confusa do entra e sai que durava até às duas e picos, hora de fechar a porta, não o atrapalhava. Como um moderno computador, ele registava na cabeça essa ordem tão complexa como a arquitectura dos planetas, mais os pedidos. Não adiantava falar, Mestre Zé avisava a malta só com o olhar e cada olhar era um decreto com força de lei.
Então o jogo do Zé da Ana (José Pedro, se faz favor) era outro: por falar em bola, aquilo era de outra galáxia e assentava num quarteto ímpar: o carapau de escabeche, o pastel de bacalhau, a costoleta panada e o queijo amanteigado, a que se juntava o vinho que mestre Zé transportava do depósito que tinha no Lamego, mesmo em frente do Almonda Parque onde tinha conhecido a glória. Era do Cartaxo, mas do bom, e foi assim durante anos. Quem nunca provou os pastéis de bacalhau ou os carapaus que desciam do piso de cima, os deuses a tenham em descanso, Carolina querida, não sabe o que é nada.
Os tempos são outros, entretanto. Agora é tudo mais à moderna e é mais difícil convencer as gentes do petisco a sair de casa ou a demorar-se até lá chegar. Ir atrás dos vinhos e encontrar uma mesa repleta de pequenas iguarias pode ser uma agradável surpresa. A ideia da petisqueira “Atrás dos Vinhos” surgiu há dois anos, “com o objetivo de oferecer a Torres Novas um ponto de encontro intimista e familiar, onde depois do trabalho os amigos ou a família se podem reunir para degustar um bom vinho e experimentar os petiscos” do David Policarpo, conta o próprio. David é um apaixonado pela cozinha desde a infância (aos nove anos já fazia bolos e tartes para restaurantes em Évora, tendo-se formado mais tarde na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril).
Filho de mãe francesa e de pai alentejano, a sua cozinha combina pratos que vão desde a sopa de tomate à alentejana ou açorda alentejana, passando pela tartiflette ou o cassoulet (de origem francesa) e acabando num sericá ou num clafoutis. Mas há muitas mais coisas bem portuguesas, conforme a ocasião: queijos e enchidos, favas, ovos…
David trabalha com a mulher, Marta Nunes Ferreira, uma historiadora de Arte com experiência em hotelaria adquirida em Évora – cidade Património Mundial. A sua sensibilidade artística faz com que artistas locais se apropriem naturalmente do espaço, onde deixam em depósito as suas obras. Outros deixam cantigas e folguedos, que a casa apadrinha essas celebrações mais festivas e calorosas.
A cozinha é aberta: a ideia é quebrar as fronteiras habituais entre cliente e quem recebe, “em ambiente de descontracção onde as amizades vão despontando e as conversas vão buscar, por vezes, as memórias gastronómicas de clientes”, assegura David. Os clientes, aliás, são um referencial importante para este casal ir aprendendo o que as pessoas gostam de forma genuina, porque lhe trazer à memória sabores da infância ou das zonas de onde são originárias.
Resta dizer: o “Atrás dos Vinhos” localiza-se na rua de “Trás-os-Muros”, que se abre a partir do túnel da 1.º de Dezembro em direcção ao castelo, logo a seguir àquela patusca carranca de sorriso enigmático que atiçou a curiosidade de gerações de torrejanos. E está aberto todos os dias, excepto ao domingo, entre as 18 e as 23 horas.
Salvé David, salvé Marta! Que sejam longos os dias deste abraço forte e tranquilo do quente Alentejo a esta vilória adormecida aos pés do velho castelo moirisco. J.C.L

 

 

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