Legislativas: não há torrejanos na “zona de eleição” provável
Sociedade » 2015-08-07Partidos “torrejanos” não riscam nada no distrito
Partidos “torrejanos” não riscam nada no distrito
Desde os anos 80 não há no Parlamento um deputado de Torres Novas, e não será agora que isso acontecerá, a acontecerem resultados próximos dos anteriores e a juntar ao facto de o distrito ter perdido um deputado. Nas listas dos partidos com mais hipóteses, os candidatos torrejanos estão longe e só no BE, que perdeu o seu deputado entre 2009 e 2011, surge uma surpresa: Margarida Moleiro no segundo lugar da lista. Entretanto. como última novidade, surge o cantautor Pedro Barroso como cabeça-de-lista pelo PDR.
As eleições legislativas de Outubro vêm mais uma vez demonstrar um dado mais que confirmado: as organizações partidárias torrejanas dos chamados partidos do arco governativo não contam nada em termos da relação de forças distrital e não conseguem colocar um torrejano na zona de eleição. É assim há trinta anos, é assim que vai continuar, o que não abona em nada os dirigentes locais do PS, do PSD e do próprio CDS/PP. É certo que Helena Pinto, que reside em Torres Novas há muitos anos, fez as duas últimas legislaturas, mas foi sempre eleita por Lisboa pela direcção nacional do Bloco.
Na lista do PS, a direcção nacional impôs o antigo ministro “socrático” Vieira da Silva, sem qualquer relação com o distrito, seguido de António Gameiro, de Ourém (com uma condenação em tribunal num processo de transacção imobiliária), depois a veterana Idália Serrão, de Santarém, e um jovem assessor político de Tomar. Surge na sexta posição a representante das mulheres socialistas, que morará em Torres Novas mas sem qualquer ligação à vida local. O PS elegeu 3 deputados em 2011 e, mesmo na perspectiva de uma vitória eleitoral, dificilmente elegerá mais que 4 deputados. É estranho que, dando ao PS vitórias autárquicas durante 20 anos, os socialistas locais não tenham qualquer peso na hora da contagem de espingardas. Para muitos socialistas, a lista do PS é considerada “fraquinha” e só a alavanca de uma vitória nacional poderá disfarçar as coisas, se bem que seja difícil atenuar a terrível divisão que se observa nas hostes socialistas exactamente por causa da formação da lista de candidatos.
A coligação PSD/CDS impôs genericamente os primeiros lugares para os deputados, com Teresa Leal Coelho, uma deputada sem qualquer ligação ao distrito, como cabeça de lista. Em 2011 o PSD venceu no distrito e elegeu 5 deputados e o CDS levou um deputado a São Bento, e neste caso é também praticamente uma miragem que a coligação segure os seis deputados da soma dos dois partidos há quatro anos. O PSD dá ao CDS o quarto lugar na lista (ainda não indicado no fecho desta edição), o quer dizer que o partido laranja aposta na eleição de 4 deputados e espera pelos votos do CDS para conseguir esse resultado. A lista da coligação de direita não tem ninguém de Torres Novas, sequer, nos 9 lugares de efectivos, e ficou pelo caminho o nome de Sílvia Santos que chegou a estar indicada para fazer parte da lista.
O PCP volta a colocar no topo António Filipe, deputado, Lisboa, tentando a sua reeleição, o que deverá acontecer caso o PCP mantenha os níveis de votação de há quatro anos. Mesmo com um deputado a menos a eleger, António Filipe deverá voltar a sentar-se no parlamento. A lista comunista apresenta no terceiro lugar Filipa Rodrigues, uma arqueóloga radicada em Torres Novas, onde aliás é vereadora, em substituição do eleito Carlos Tomé, mas não deixa de ser algo surpreendente a sua entrada em lugar de destaque. Mais atrás na lista surge outra torrejana, Cristina Tomé, conhecida militante local do PCP, dirigente sindical e eleita na assembleia municipal. O PCP luta contra a estagnação eleitoral, a regressão demográfica e a tentação do voto útil, mas está confiante na eleição do seu deputado.
Só o Bloco de Esquerda apresenta um cabeça-de-lista com efectiva ligação à região: Carlos Matias, um histórico da UDP e da fundação do Bloco, vive desde sempre no Entroncamento, onde é vereador, e trabalhou como engenheiro na PT. Cabe-lhe a quase a impossível tarefa de tentar recuperar o deputado eleito pelo BE em 2009, quando teve mais de 29 mil votos no distrito e foi a quarta força, à frente do PCP, isto porque em 2011 o Bloco foi fustigado em termos eleitorais e ficou muito longe de eleger um deputado. Mas é nos bloquistas que se verifica a maior surpresa, com a entrada de Margarida Moleiro, uma independente, no segundo lugar da lista. Margarida Moleiro é técnica superior da cultura no município de Torres Novas e tem realizado um trabalho bastante visível como directora do Museu Municipal. Ainda na lista do BE aparece Lia Ribeiro, professora na Barquinha mas residente há muito em Torres Novas, onde integra a estrutura local do Bloco de Esquerda e foi eleita para a assembleia municipal, estando neste momento a ser substituída por Teresina Paz.
Pedro Barroso: uma cartada de Marinho e Pinto
Entretanto, e em informação chegada depois do fecho da nossa edição de papel, surge uma notícia algo surpreendente: o conhecido cantautor Pedro Barroso, residente em Riachos, vai ser o cabeça-de-lista do PDR, o que pode vir a complicar as contas feitas com base na votação nos partidos tradicionais. Se teoricamente o partido de Marinho e Pinto não teria grandes hipóteses de eleger um deputado por Santarém, com Pedro Barroso enquanto "bandeira" o caso poderá ser outro. O autor de "Viva quem canta" é uma figura nacional e, para além do seu imenso currículo artístico, foi sempre reconhecido como uma voz de combate.
Nas eleições de 2011, o distrito elegia 10 deputados, que ficaram distribuídos pelo PSD (5), PS (3), CDS (1) e CDU (1). Em Outubro, por razões de proporcionalidade demográfica, Santarém só vai eleger 9 deputados, o que torna ainda mais difícil, à partida, a vida aos partidos com menor expressão eleitoral. Eis os candidatos dos principais partidos, tendo de referir-se que apenas a CDU e o BE fizeram chegar, até ao fecho desta edição, listas completas e com dados substantivos. O PSD nem nos sites oficiais tinham essa informação, que também não foi fornecida pelas estruturas locais. Eis as listas de candidatos pelo distrito:
PSD/PP
Teresa Leal Coelho, PSD, deputada, Lisboa; Nuno Serra, PSD, deputado, Santarém; Duarte Marques, PSD, deputado, Mação; nome a indicar pelo CDS; João Moura, PSD, Ourém; Isilda Aguincha, PSD, deputada, Entroncamento; Gonçalo Gaspar, JSD; José Vasco Matafome, CDS; Liliana Santos Pinto, PSD, Coruche;
PS
José Vieira da Silva, deputado, Lisboa; António Gameiro, deputado, Ourém; Idália Serrão, deputada, Santarém; Hugo Costa, assessor autárquico, Tomar; João Sequeira, ex-depurado, Rio Maior; Maria da Luz Lopes, Mulheres Socialistas do Distrito; Tiago Preguiça, JS; Mário Balsa, assessor autárquico, Entroncamento; Elvira Tristão, Pedro Pereira, José Fernando Martins; La Salete Marques, Joel Marques, Nuno Ferreira
CDU
António Filipe, deputado, Lisboa; João Madeira Lopes, advogado, Santarém; Filipa Rodrigues, arqueóloga, Torres Novas; Paulo Jorge Macedo, professor, Tomar; Sónia Colaço, bióloga, Almeirim; Fernanda Cardigo, presidente da junta de Alpiarça; Rui Aldeano, Comité Central do PCP, coordenador da União de Sindicatos de Santarém, Coruche; Inês Correia, socióloga, Benavente, Augusto Figueiredo, professor, presidente da Federação das Colectividades do Distrito de Santarém, Rio Maior; Cristina Tomé, dirigente do Sindicato da Função Pública, Torres Novas; Luís Lourenço, engenheiro zootécnico, Abrantes; Joana Ferreira, ajudante de acção médica; Salvaterra de Magos; Rui Ribeiro Rodrigues, ferroviário, dirigente do Sindicato dos Ferroviários, Entroncamento; Anabela França, professora de educação especial, Tomar; Miguel Silva, arquitecto, Chamusca.
BLOCO DE ESQUERDA
Carlos Matias, engenheiro, vereador, Entroncamento, Margarida Freire Moleiro, técnica superior autárquica, Torres Novas; Fabíola Cardoso, professora, Santarém, Alcino Hermínio, professor, Abrantes; Catarina Coelho, psicóloga, Salvaterra de Magos; Maria da Luz, técnica superior de restauro, Tomar; Francisco Colaço, reformado, Cartaxo; Sandrina Espiridião, professora, Benavente; Manuel Borrego, ferroviário, Entroncamento; Filipa Filipe, psicóloga, Alpiarça; Pedro Marques, técnico tributário, Almeirim; Leonel Fonseca, técnico de manutenção, Salvaterra de Magos; Lia Ribeiro, professora, Torres Novas; Rafael Gomes, desempregado, Coruche.
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Legislativas: não há torrejanos na “zona de eleição” provável
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Partidos “torrejanos” não riscam nada no distrito
Desde os anos 80 não há no Parlamento um deputado de Torres Novas, e não será agora que isso acontecerá, a acontecerem resultados próximos dos anteriores e a juntar ao facto de o distrito ter perdido um deputado. Nas listas dos partidos com mais hipóteses, os candidatos torrejanos estão longe e só no BE, que perdeu o seu deputado entre 2009 e 2011, surge uma surpresa: Margarida Moleiro no segundo lugar da lista. Entretanto. como última novidade, surge o cantautor Pedro Barroso como cabeça-de-lista pelo PDR.
As eleições legislativas de Outubro vêm mais uma vez demonstrar um dado mais que confirmado: as organizações partidárias torrejanas dos chamados partidos do arco governativo não contam nada em termos da relação de forças distrital e não conseguem colocar um torrejano na zona de eleição. É assim há trinta anos, é assim que vai continuar, o que não abona em nada os dirigentes locais do PS, do PSD e do próprio CDS/PP. É certo que Helena Pinto, que reside em Torres Novas há muitos anos, fez as duas últimas legislaturas, mas foi sempre eleita por Lisboa pela direcção nacional do Bloco.
Na lista do PS, a direcção nacional impôs o antigo ministro “socrático” Vieira da Silva, sem qualquer relação com o distrito, seguido de António Gameiro, de Ourém (com uma condenação em tribunal num processo de transacção imobiliária), depois a veterana Idália Serrão, de Santarém, e um jovem assessor político de Tomar. Surge na sexta posição a representante das mulheres socialistas, que morará em Torres Novas mas sem qualquer ligação à vida local. O PS elegeu 3 deputados em 2011 e, mesmo na perspectiva de uma vitória eleitoral, dificilmente elegerá mais que 4 deputados. É estranho que, dando ao PS vitórias autárquicas durante 20 anos, os socialistas locais não tenham qualquer peso na hora da contagem de espingardas. Para muitos socialistas, a lista do PS é considerada “fraquinha” e só a alavanca de uma vitória nacional poderá disfarçar as coisas, se bem que seja difícil atenuar a terrível divisão que se observa nas hostes socialistas exactamente por causa da formação da lista de candidatos.
A coligação PSD/CDS impôs genericamente os primeiros lugares para os deputados, com Teresa Leal Coelho, uma deputada sem qualquer ligação ao distrito, como cabeça de lista. Em 2011 o PSD venceu no distrito e elegeu 5 deputados e o CDS levou um deputado a São Bento, e neste caso é também praticamente uma miragem que a coligação segure os seis deputados da soma dos dois partidos há quatro anos. O PSD dá ao CDS o quarto lugar na lista (ainda não indicado no fecho desta edição), o quer dizer que o partido laranja aposta na eleição de 4 deputados e espera pelos votos do CDS para conseguir esse resultado. A lista da coligação de direita não tem ninguém de Torres Novas, sequer, nos 9 lugares de efectivos, e ficou pelo caminho o nome de Sílvia Santos que chegou a estar indicada para fazer parte da lista.
O PCP volta a colocar no topo António Filipe, deputado, Lisboa, tentando a sua reeleição, o que deverá acontecer caso o PCP mantenha os níveis de votação de há quatro anos. Mesmo com um deputado a menos a eleger, António Filipe deverá voltar a sentar-se no parlamento. A lista comunista apresenta no terceiro lugar Filipa Rodrigues, uma arqueóloga radicada em Torres Novas, onde aliás é vereadora, em substituição do eleito Carlos Tomé, mas não deixa de ser algo surpreendente a sua entrada em lugar de destaque. Mais atrás na lista surge outra torrejana, Cristina Tomé, conhecida militante local do PCP, dirigente sindical e eleita na assembleia municipal. O PCP luta contra a estagnação eleitoral, a regressão demográfica e a tentação do voto útil, mas está confiante na eleição do seu deputado.
Só o Bloco de Esquerda apresenta um cabeça-de-lista com efectiva ligação à região: Carlos Matias, um histórico da UDP e da fundação do Bloco, vive desde sempre no Entroncamento, onde é vereador, e trabalhou como engenheiro na PT. Cabe-lhe a quase a impossível tarefa de tentar recuperar o deputado eleito pelo BE em 2009, quando teve mais de 29 mil votos no distrito e foi a quarta força, à frente do PCP, isto porque em 2011 o Bloco foi fustigado em termos eleitorais e ficou muito longe de eleger um deputado. Mas é nos bloquistas que se verifica a maior surpresa, com a entrada de Margarida Moleiro, uma independente, no segundo lugar da lista. Margarida Moleiro é técnica superior da cultura no município de Torres Novas e tem realizado um trabalho bastante visível como directora do Museu Municipal. Ainda na lista do BE aparece Lia Ribeiro, professora na Barquinha mas residente há muito em Torres Novas, onde integra a estrutura local do Bloco de Esquerda e foi eleita para a assembleia municipal, estando neste momento a ser substituída por Teresina Paz.
Pedro Barroso: uma cartada de Marinho e Pinto
Entretanto, e em informação chegada depois do fecho da nossa edição de papel, surge uma notícia algo surpreendente: o conhecido cantautor Pedro Barroso, residente em Riachos, vai ser o cabeça-de-lista do PDR, o que pode vir a complicar as contas feitas com base na votação nos partidos tradicionais. Se teoricamente o partido de Marinho e Pinto não teria grandes hipóteses de eleger um deputado por Santarém, com Pedro Barroso enquanto "bandeira" o caso poderá ser outro. O autor de "Viva quem canta" é uma figura nacional e, para além do seu imenso currículo artístico, foi sempre reconhecido como uma voz de combate.
Nas eleições de 2011, o distrito elegia 10 deputados, que ficaram distribuídos pelo PSD (5), PS (3), CDS (1) e CDU (1). Em Outubro, por razões de proporcionalidade demográfica, Santarém só vai eleger 9 deputados, o que torna ainda mais difícil, à partida, a vida aos partidos com menor expressão eleitoral. Eis os candidatos dos principais partidos, tendo de referir-se que apenas a CDU e o BE fizeram chegar, até ao fecho desta edição, listas completas e com dados substantivos. O PSD nem nos sites oficiais tinham essa informação, que também não foi fornecida pelas estruturas locais. Eis as listas de candidatos pelo distrito:
PSD/PP
Teresa Leal Coelho, PSD, deputada, Lisboa; Nuno Serra, PSD, deputado, Santarém; Duarte Marques, PSD, deputado, Mação; nome a indicar pelo CDS; João Moura, PSD, Ourém; Isilda Aguincha, PSD, deputada, Entroncamento; Gonçalo Gaspar, JSD; José Vasco Matafome, CDS; Liliana Santos Pinto, PSD, Coruche;
PS
José Vieira da Silva, deputado, Lisboa; António Gameiro, deputado, Ourém; Idália Serrão, deputada, Santarém; Hugo Costa, assessor autárquico, Tomar; João Sequeira, ex-depurado, Rio Maior; Maria da Luz Lopes, Mulheres Socialistas do Distrito; Tiago Preguiça, JS; Mário Balsa, assessor autárquico, Entroncamento; Elvira Tristão, Pedro Pereira, José Fernando Martins; La Salete Marques, Joel Marques, Nuno Ferreira
CDU
António Filipe, deputado, Lisboa; João Madeira Lopes, advogado, Santarém; Filipa Rodrigues, arqueóloga, Torres Novas; Paulo Jorge Macedo, professor, Tomar; Sónia Colaço, bióloga, Almeirim; Fernanda Cardigo, presidente da junta de Alpiarça; Rui Aldeano, Comité Central do PCP, coordenador da União de Sindicatos de Santarém, Coruche; Inês Correia, socióloga, Benavente, Augusto Figueiredo, professor, presidente da Federação das Colectividades do Distrito de Santarém, Rio Maior; Cristina Tomé, dirigente do Sindicato da Função Pública, Torres Novas; Luís Lourenço, engenheiro zootécnico, Abrantes; Joana Ferreira, ajudante de acção médica; Salvaterra de Magos; Rui Ribeiro Rodrigues, ferroviário, dirigente do Sindicato dos Ferroviários, Entroncamento; Anabela França, professora de educação especial, Tomar; Miguel Silva, arquitecto, Chamusca.
BLOCO DE ESQUERDA
Carlos Matias, engenheiro, vereador, Entroncamento, Margarida Freire Moleiro, técnica superior autárquica, Torres Novas; Fabíola Cardoso, professora, Santarém, Alcino Hermínio, professor, Abrantes; Catarina Coelho, psicóloga, Salvaterra de Magos; Maria da Luz, técnica superior de restauro, Tomar; Francisco Colaço, reformado, Cartaxo; Sandrina Espiridião, professora, Benavente; Manuel Borrego, ferroviário, Entroncamento; Filipa Filipe, psicóloga, Alpiarça; Pedro Marques, técnico tributário, Almeirim; Leonel Fonseca, técnico de manutenção, Salvaterra de Magos; Lia Ribeiro, professora, Torres Novas; Rafael Gomes, desempregado, Coruche.
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