A história de uma desilusão: Corredor Ecológico do Almonda, um rio que corre sem se ver
Sociedade » 2025-08-05
A melhor obra que Pedro Ferreira assinou e deixou aos torrejanos está ao abandono. Um ano depois da inauguração, o Corredor Ecológico do Almonda está entregue às ervas que em muitos recantos já escondem o rio. A ideia de oferecer aquele espaço aos torrejanos foi de génio, faltou no entanto delinear o plano de manutenção. Na desculpa da polinização, acredita quem quer.
O Corredor Ecológico do Almonda foi uma das obras mais bem conseguidas do actual executivo camarário. Digo eu, é a minha opinião, que vale o que vale. Tenho, no entanto, a absoluta certeza de que não sou a única a pensar assim. O entusiasmo com a abertura do novo espaço da cidade foi unânime e bem visível na consequente afluência de pessoas aos cerca de quatro quilómetros de caminho que nos apartam do alcatrão e nos oferecem a tranquilidade que só a natureza consegue dar. O corredor rapidamente se tornou local privilegiado para caminhadas, corridas ou simples templo de fruição do rio e do espaço envolvente. Todo aquele cenário é propício a que cada um encontre nele o seu escape para o ruído e conflito dos dias. É transversal, camaleónico, o que precisamos que seja, quando precisamos que seja. Tem o dom de nos permitir encontrar o silêncio, tão inatingível nos dias que correm.
Quando penso naquele espaço, recordo sempre os vários tons de verde nas árvores de várias espécies, tamanhos e formatos, todas elas diferentes, nascidas por acaso, mas perfeitamente encaixadas como se de uma pintura se tratasse. O sussurrar do vento nas árvores, o cantar das aves que por ali vivem, o algodão que cai na primavera e o som do pisar das pedras no caminho. Todo um cenário que a cidade tinha perdido e que os seus habitantes se habituaram a procurar noutras paragens.
Uma ideia simples e mais do que lógica, até óbvia, daquelas que depois de feita todos dizemos que também faríamos, mas a verdade é que foi este executivo que a concretizou. Uma empreitada que devolveu o curso do rio aos torrejanos da cidade, emoldurou-o em cores várias e envolto num magnífico novelo de tons, sons e silêncios que há muito tínhamos esquecido, ofereceu-o às pessoas, convidando-as a passear pelas suas margens, correndo recantos muito pouco ou nunca antes vistos e respirando um ar mais puro, mesmo ali ao lado do rebuliço dos dias.
Uma obra evidente para muitos, cheia de sentido, mas que ninguém se lembrou de fazer antes. João Trindade será, para sempre, o vereador responsável pela construção do corredor. Pedro Ferreira, o presidente que o inaugurou.
Esta nossa posição elogiosa do Corredor Ecológico do Almonda não é de hoje. Em março de 2024 quando foi inaugurado, o JT deu-lhe manchete e honras de destaque na RTP, na sua intervenção mensal na televisão pública. Gabou a ideia, a atitude e convidou os torrejanos e os portugueses a conhecer recantos do rio Almonda nunca antes vistos.
Faríamos tudo de novo. Sem tirar, mas pondo. Acrescentar-lhe-íamos uma ressalva: é necessário cuidar e manter um espaço que é vivo e assim se quer. Um espaço de plantas, árvores e ervas que crescem, de rios que correm e de animais que vivem e morrem. Um espaço que, qual espelho nosso, sente o tempo passar e merece ser cuidado.
Lançar primeiras pedras é bom, inaugurar e deixar o nome inscrito na placa para a posteridade ainda melhor. Mas não podemos esquecer que é preciso manter o que criámos. E se há espaços que carecem de uma manutenção mais simples, praticamente invisível, outros há que necessitam de intervenções de maior dimensão e, claro, de maiores custos.
Voltei ao corredor um destes dias, num fim de tarde de verão, daqueles que só existem mesmo em Torres Novas. O calor ainda é imenso e nem uma brisa corre no caminho. Apetecia-me silêncio e um cenário que me desse o tempo de que eu precisava.
Já tinha ouvido comentários negativos sobre o estado daquele espaço actualmente, mas entendia-os sempre como vindos de qualquer velho do Restelo, treinador de bancada ou pessimista crónico. Os habituais, os únicos que falam, porque habitualmente quem gosta nada diz. Não acreditei. Triste fiquei quando percebi que há razões que cheguem para as críticas e que não há abelhas que salvem o convento.
Quem visitar o corredor pela primeira vez por estes dias nunca entenderá o entusiasmo das minhas primeiras linhas. O traçado do caminho mantém-se, percebemos que é por ali o trilho a seguir, mas raras são as vezes que percebemos que há um rio que o serpenteia. As altas ervas que crescem nas margens tapam o curso da linha de água, toldam-nos a vista sem a qual quase não faz sentido haver um corredor. Sem Almonda, que sentido faz o caminho?
Os bancos que acompanham o percurso estão envoltos em ervas altas, as margens do rio já nem se reconhecem. Sabemos que o rio corre perto, mas nem lhe vislumbramos as curvas. O tom castanho que outrora foi verde, podemos até atribuir à estação do ano, mas o tamanho em que encontramos as ervas nas margens do rio, dizem muito do abandono a que foi dotado aquele espaço que inicialmente fez de nós pessoas ainda mais privilegiadas por vivermos em Torres Novas.
Por mais romântica que me pareça a ideia de que as ervas não são cortadas intencionalmente, de forma a contribuir para a polinização, deixa-me algumas dúvidas. A ideia é simpática, vai muito ao encontro da filosofia ambiental que se quer, mas deixa-me a sensação de que não passa de uma pertinente ideia para justificar o desprezo a que foi dotado aquele percurso.
Seria de esperar que a meses das eleições autárquicas, o cuidado com o novo ex-libris da cidade fosse outro. O descontentamento geral dos utilizadores daquele caminho pode ser penalizador para o partido do poder. Não sei se essa será uma preocupação para Pedro Ferreira e a maioria do seu executivo, já que se despedem de funções e podem não estar comprometidos em fazer a cama ao senhor que se segue. Ou isso, ou Pedro Ferreira e restante companhia estão a seguir a política do seu antecessor, António Rodrigues. Se bem se recordam (eu por mais que tente, não consigo esquecer), de quatro em quatro anos, sempre em vésperas de eleições, surgia um megalómano plano para o concelho. Com eles, os votos. Desde golf nas enguias, a vedetas de Hollywood nas Gateiras de Santo António, eu ouvi de tudo. Mas acabei por não ver nada. Nem eu, nem ninguém.
Pedro Ferreira elegeu outro como plano chave para as eleições de 2025. O presidente entregou toda a sua energia à pior obra de todo o mandato (ao que parece um miradouro para o qual até me custa olhar de tão “vistoso” que está) e ao tê-lo feito deixou para trás aquela que poderia seguir consigo como um dos seus melhores legados. Logo a seguir aos TUT.
Ainda tenho esperança de que as vésperas de eleições tragam consigo boas notícias para o nosso caminho. Caso esteja muito enganada e isso não aconteça, espero ao menos que qualquer um dos senhores que se segue, agarre como seu este espaço e lhe dê os dias dignos que merece. E que merecemos todos nós.
Inês Vidal
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
A história de uma desilusão: Corredor Ecológico do Almonda, um rio que corre sem se ver
Sociedade » 2025-08-05
A melhor obra que Pedro Ferreira assinou e deixou aos torrejanos está ao abandono. Um ano depois da inauguração, o Corredor Ecológico do Almonda está entregue às ervas que em muitos recantos já escondem o rio. A ideia de oferecer aquele espaço aos torrejanos foi de génio, faltou no entanto delinear o plano de manutenção. Na desculpa da polinização, acredita quem quer.
O Corredor Ecológico do Almonda foi uma das obras mais bem conseguidas do actual executivo camarário. Digo eu, é a minha opinião, que vale o que vale. Tenho, no entanto, a absoluta certeza de que não sou a única a pensar assim. O entusiasmo com a abertura do novo espaço da cidade foi unânime e bem visível na consequente afluência de pessoas aos cerca de quatro quilómetros de caminho que nos apartam do alcatrão e nos oferecem a tranquilidade que só a natureza consegue dar. O corredor rapidamente se tornou local privilegiado para caminhadas, corridas ou simples templo de fruição do rio e do espaço envolvente. Todo aquele cenário é propício a que cada um encontre nele o seu escape para o ruído e conflito dos dias. É transversal, camaleónico, o que precisamos que seja, quando precisamos que seja. Tem o dom de nos permitir encontrar o silêncio, tão inatingível nos dias que correm.
Quando penso naquele espaço, recordo sempre os vários tons de verde nas árvores de várias espécies, tamanhos e formatos, todas elas diferentes, nascidas por acaso, mas perfeitamente encaixadas como se de uma pintura se tratasse. O sussurrar do vento nas árvores, o cantar das aves que por ali vivem, o algodão que cai na primavera e o som do pisar das pedras no caminho. Todo um cenário que a cidade tinha perdido e que os seus habitantes se habituaram a procurar noutras paragens.
Uma ideia simples e mais do que lógica, até óbvia, daquelas que depois de feita todos dizemos que também faríamos, mas a verdade é que foi este executivo que a concretizou. Uma empreitada que devolveu o curso do rio aos torrejanos da cidade, emoldurou-o em cores várias e envolto num magnífico novelo de tons, sons e silêncios que há muito tínhamos esquecido, ofereceu-o às pessoas, convidando-as a passear pelas suas margens, correndo recantos muito pouco ou nunca antes vistos e respirando um ar mais puro, mesmo ali ao lado do rebuliço dos dias.
Uma obra evidente para muitos, cheia de sentido, mas que ninguém se lembrou de fazer antes. João Trindade será, para sempre, o vereador responsável pela construção do corredor. Pedro Ferreira, o presidente que o inaugurou.
Esta nossa posição elogiosa do Corredor Ecológico do Almonda não é de hoje. Em março de 2024 quando foi inaugurado, o JT deu-lhe manchete e honras de destaque na RTP, na sua intervenção mensal na televisão pública. Gabou a ideia, a atitude e convidou os torrejanos e os portugueses a conhecer recantos do rio Almonda nunca antes vistos.
Faríamos tudo de novo. Sem tirar, mas pondo. Acrescentar-lhe-íamos uma ressalva: é necessário cuidar e manter um espaço que é vivo e assim se quer. Um espaço de plantas, árvores e ervas que crescem, de rios que correm e de animais que vivem e morrem. Um espaço que, qual espelho nosso, sente o tempo passar e merece ser cuidado.
Lançar primeiras pedras é bom, inaugurar e deixar o nome inscrito na placa para a posteridade ainda melhor. Mas não podemos esquecer que é preciso manter o que criámos. E se há espaços que carecem de uma manutenção mais simples, praticamente invisível, outros há que necessitam de intervenções de maior dimensão e, claro, de maiores custos.
Voltei ao corredor um destes dias, num fim de tarde de verão, daqueles que só existem mesmo em Torres Novas. O calor ainda é imenso e nem uma brisa corre no caminho. Apetecia-me silêncio e um cenário que me desse o tempo de que eu precisava.
Já tinha ouvido comentários negativos sobre o estado daquele espaço actualmente, mas entendia-os sempre como vindos de qualquer velho do Restelo, treinador de bancada ou pessimista crónico. Os habituais, os únicos que falam, porque habitualmente quem gosta nada diz. Não acreditei. Triste fiquei quando percebi que há razões que cheguem para as críticas e que não há abelhas que salvem o convento.
Quem visitar o corredor pela primeira vez por estes dias nunca entenderá o entusiasmo das minhas primeiras linhas. O traçado do caminho mantém-se, percebemos que é por ali o trilho a seguir, mas raras são as vezes que percebemos que há um rio que o serpenteia. As altas ervas que crescem nas margens tapam o curso da linha de água, toldam-nos a vista sem a qual quase não faz sentido haver um corredor. Sem Almonda, que sentido faz o caminho?
Os bancos que acompanham o percurso estão envoltos em ervas altas, as margens do rio já nem se reconhecem. Sabemos que o rio corre perto, mas nem lhe vislumbramos as curvas. O tom castanho que outrora foi verde, podemos até atribuir à estação do ano, mas o tamanho em que encontramos as ervas nas margens do rio, dizem muito do abandono a que foi dotado aquele espaço que inicialmente fez de nós pessoas ainda mais privilegiadas por vivermos em Torres Novas.
Por mais romântica que me pareça a ideia de que as ervas não são cortadas intencionalmente, de forma a contribuir para a polinização, deixa-me algumas dúvidas. A ideia é simpática, vai muito ao encontro da filosofia ambiental que se quer, mas deixa-me a sensação de que não passa de uma pertinente ideia para justificar o desprezo a que foi dotado aquele percurso.
Seria de esperar que a meses das eleições autárquicas, o cuidado com o novo ex-libris da cidade fosse outro. O descontentamento geral dos utilizadores daquele caminho pode ser penalizador para o partido do poder. Não sei se essa será uma preocupação para Pedro Ferreira e a maioria do seu executivo, já que se despedem de funções e podem não estar comprometidos em fazer a cama ao senhor que se segue. Ou isso, ou Pedro Ferreira e restante companhia estão a seguir a política do seu antecessor, António Rodrigues. Se bem se recordam (eu por mais que tente, não consigo esquecer), de quatro em quatro anos, sempre em vésperas de eleições, surgia um megalómano plano para o concelho. Com eles, os votos. Desde golf nas enguias, a vedetas de Hollywood nas Gateiras de Santo António, eu ouvi de tudo. Mas acabei por não ver nada. Nem eu, nem ninguém.
Pedro Ferreira elegeu outro como plano chave para as eleições de 2025. O presidente entregou toda a sua energia à pior obra de todo o mandato (ao que parece um miradouro para o qual até me custa olhar de tão “vistoso” que está) e ao tê-lo feito deixou para trás aquela que poderia seguir consigo como um dos seus melhores legados. Logo a seguir aos TUT.
Ainda tenho esperança de que as vésperas de eleições tragam consigo boas notícias para o nosso caminho. Caso esteja muito enganada e isso não aconteça, espero ao menos que qualquer um dos senhores que se segue, agarre como seu este espaço e lhe dê os dias dignos que merece. E que merecemos todos nós.
Inês Vidal
|
“Não à unidade de biometano junto a Árgea!” - diz o PCP » 2026-06-10 Depois da tomada de posição do Bloco de Esquerda, o PCP é o segundo partido com representação local a vir a terreiro na contestação ao projecto da central de biometano prevista para Árgea. Os comunistas dizem que só a luta das populações travará o projecto e manifesta a sua oposição à instalação de uma unidade de produção de biometano nas imediações de Árgea. |
Entroncamento: exposição “O Coração da Cidade na Rua”, sobre as festas de São João
» 2026-06-10
A Praça da Restauração do Mercado Municipal recebe, entre os dias 19 e 27 de Junho, a exposição “Evolução das Festas de São João – O Coração da Cidade na Rua”. |
Francisco Oliveira, ex-autarca de Coruche, é o novo chefe de gabinete de Trincão Marques
» 2026-06-10
Francisco Oliveira (1964), natural de Coruche e antigo presidente da câmara da capital do Sorraia, é o novo chefe de gabinete de José Trincão Marques – anunciou o autarca torrejano na reunião do executivo municipal de hoje, 9 de Junho. |
Arraial na Vila anima centro histórico de Torres Novas dia 19
» 2026-06-09
O coração de Torres Novas prepara-se para receber, no próximo dia 19 de Junho, o “Arraial na Vila”, uma iniciativa promovida pela “Vila” Bairro Digital que promete trazer mais vida, animação e dinamismo ao coração da cidade, numa celebração dedicada aos Santos Populares. |
Riachos: festa do padroeiro para animar o verão
» 2026-06-07
É vasto o programa de animação da Festa do Padroeiro deste ano, em Riachos, dedicada a Santo António, justamente o orago da freguesia. Entra 9 e 14 de Junho são seis dias de muita música e outras actividades: todos os dias já DJs pela madrugada, depois de espectáculos com nomes como Xarepa Band, Banda Acesso ou Fernando Correia Marques, que no dia 12 actua depois das marchas populares. |
Tufeiras Futebol Club, 69 anos
» 2026-06-07
No dia 30 de Maio comemorou-se o sexagésimo nono aniversário do Tufeiras Futebol Club, popular agremiação fundada por jovens do bairoo no ano de 1957. O convívio teve início com a concentração no largo das Tufeiras, rumando de seguida ao cemitério para homenagear os tufeirenses que já partiram. |
Torres Novas: desafios da água e dos resíduos em destaque no Projecto Eco-Escolas
» 2026-06-06
No âmbito do Projecto Eco-Escolas, realizou-se, em Torres Novas, no dia 2 de Junho, uma sessão dedicada aos desafios da gestão sustentável da água e dos resíduos, que contou com a participação de alunos da Escola Maria Lamas. |
INSTITUCIONAL - PUBLICITAÇÃO NA IMPRENSA LOCAL DAS DELIBERAÇÕES AUTÁRQUICAS EM DISCUSSÃO NA COMISSÃO PARLAMENTAR » 2026-06-04 INSTITUCIONAL - PUBLICITAÇÃO NA IMPRENSA LOCAL DAS DELIBERAÇÕES AUTÁRQUICAS EM DISCUSSÃO NA COMISSÃO PARLAMENTAR A alteração da Lei aprovada pelo Governo para a obrigatoriedade das Autarquias Locais publicitarem as deliberações com eficácia externa na imprensa local, impressa e digital, foi aprovada pelo Parlamento sem votos contra, com a abstenção do PS e da IL e baixou à Comissão Parlamentar. |
TRIATLO Pedrógão Triatlo conquista 1.º lugar colectivo na 5.ª Etapa do Nacional Jovem
» 2026-06-02
A equipa do Pedrógão Triatlo voltou a demonstrar a sua força e consistência ao alcançar o 1.º lugar colectivo na 5.ª Etapa do Campeonato Nacional Jovem de Triatlo, disputada na Golegã, reforçando simultaneamente a liderança no Campeonato Nacional. |
CARGO EMBRUXADO: DEMITIU-SE DANIEL CAFÉ, CHEFE DE GABINETE DO PRESIDENTE DA CÂMARA DE TORRES NOVAS
» 2026-06-02
Daniel Café, chefe de gabinete do presidente da Câmara de Torres Novas, demitiu-se do cargo na sequência da polémica em que foi envolvido o seu vencimento no desempenho daquele cargo. Recorde-se que há cerca de três semanas Tiago Ferreira, vereador do PSD, levantou a questão sobre se Daniel Café deveria receber o vencimento pelo de origem (professor em Alcanena), ou se pela tabela específica dos cargos políticos de apoio aos autarcas. |