O nosso querido rio Almonda: o grande embuste
Sociedade » 2025-09-20
Há mais de vinte anos que a ladainha se repete: não há partido, não há aspirante a autarca que não emoldure os seus discursos com uma receita infalível, repetida até à náusea e por isso já insuportável: o rio Almonda, “o nosso rio Almonda”, por quem todos nutrem uma amor desmedido, o rio quinta-essência das motivações políticas, “o rio nossa principal riqueza”, “o rio sangue do nosso território”, “o aproveitamento turístico do rio” e outras pérolas tão cheias de tudo e coisa nenhuma que se tornaram ocas, chavões, truques para enganar incautos. Isto porque se houve alguma coisa por quem nunca ninguém fez nada em mais de 20 anos foi o rio Almonda, exactamente o rio Almonda. Parece inacreditável, mas é a verdade dos factos. Fazer jardins ou “corredores” não significa tratar do rio: da sua água, do seu leito, das suas margens.
Em primeiro lugar, o rio Almonda que estes devotos alcançam, é simplesmente o troço que vai da ponte do Raro até ao Caldeirão. O resto não existe, como se fosse um sertão inatingível onde não se consegue penetrar. E, na verdade, assim parece na maior parte dos sítios. Para montante, veja-se o cenário de horrores do rio junto à antiga Fiação, Entre-Águas, Pimenteis, mais à frente Lameira e Pego, o velho choupal na várzea de Casal da Pinheira, a Azenha, um longo percurso de fazer chorar. Para jusante nem vale a pena falar, basta espreitar logo a seguir ao açude novo junto ao mercado, depois junto à casa amarela, seguir pelas traseiras da estação elevatória até à ponte 8 de Junho: é um cenário inimaginável de completo abandono, desleixo e total desprezo pelo tal querido rio Almonda. Um cenário que envergonha qualquer pessoa e faz mesmo chorar.
Fez-se uma limpeza do leito há 20 anos, uma tarefa que antigamente era corrente (quando não havia máquinas, nem recursos), e tudo ficou por aí. Mesmo no aludido troço, o leito, por baixo da camada lodosa, é mais ou menos o que se documenta numa imagem destas páginas. Quanto às margens, nem vale a pena falar. Em cima da ponte do Raro para montante, já quase não se vê o rio. O arvoredo invade o leito e ninguém limpa nada. Da ponte da Bácora para o Caldeirão, a fantástica vista é a da primeira imagem: canaviais, silvas, arbustos e árvores de porte que não são daquele filme, praticamente tapam o rio. Um caos. Mais uma vez em cima da ponte do Nogueiral, para jusante, segunda imagem, vê-se uma enorme figueira brava a invadir o leito e em breve deixa-se de ver o rio. Ninguém limpa, nem se aproveitou a oportunidade da obra para obrigar o dono do terreno alimpar a árvore (que era cortada anualmente pelo anterior proprietário).
Aquando da concepção do jardim do Almonda Parque falou-se insistentemente na necessidade de deixar um acesso em rampa ajardinada para facilitar a entrada de uma máquina no rio. Coisa de três metros que não prejudicava nada a estrutura do jardim. A teimosia deu nisto: entre o açude do Mercado e o Caldeirão não há acesso para uma máquina, o que implica custos acrescidos em maquinaria mais pesada (guindastes) que coloque uma máquina dento do leito para tarefas de limpeza. Acresce dizer-se que também se insistiu para que se procedesse à limpeza prévia do leito antes da conclusão do jardim, ao menos isso, mas a mesma teimosia ignorante antes quer um leito em estado vergonhoso, que não se veja desde que tenha água, assim o jardim disfarce a paisagem (imagem três).
Por falar nisso, qualquer dia já o próprio rio não se consegue ver do jardim: houve ali qualquer equívoco no tipo de vegetação com que se revestiram as margens, mas que assim não pode ser, não pode. O rio é aquilo que tem de se ver, de estar presente. Assim, já mal se sente. Urge uma “revisão” da solução do revestimento vegetal das margens. Um dos objectivos do jardim era devolver o rio aos torrejanos. A solução de revestimento das margens, desajustada e desproporcionada, está a esconder o rio mais do que estava antes do jardim, e passaram só dois ou três anos.
Vai uma aposta? Todos programas partidários (aliás, já aconteceu num debate) darão um enorme protagonismo à salvaguarda do património natural, em especial do nosso querido rio Almonda. Mas para quem gere a autarquia, o amor pelo nosso querido rio Almonda é como o do nosso querido mês de Agosto: tem graça, há umas festas e muito calor, mas anseia-se por que passe depressa e venha tempo mais fresco.
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O nosso querido rio Almonda: o grande embuste
Sociedade » 2025-09-20
Há mais de vinte anos que a ladainha se repete: não há partido, não há aspirante a autarca que não emoldure os seus discursos com uma receita infalível, repetida até à náusea e por isso já insuportável: o rio Almonda, “o nosso rio Almonda”, por quem todos nutrem uma amor desmedido, o rio quinta-essência das motivações políticas, “o rio nossa principal riqueza”, “o rio sangue do nosso território”, “o aproveitamento turístico do rio” e outras pérolas tão cheias de tudo e coisa nenhuma que se tornaram ocas, chavões, truques para enganar incautos. Isto porque se houve alguma coisa por quem nunca ninguém fez nada em mais de 20 anos foi o rio Almonda, exactamente o rio Almonda. Parece inacreditável, mas é a verdade dos factos. Fazer jardins ou “corredores” não significa tratar do rio: da sua água, do seu leito, das suas margens.
Em primeiro lugar, o rio Almonda que estes devotos alcançam, é simplesmente o troço que vai da ponte do Raro até ao Caldeirão. O resto não existe, como se fosse um sertão inatingível onde não se consegue penetrar. E, na verdade, assim parece na maior parte dos sítios. Para montante, veja-se o cenário de horrores do rio junto à antiga Fiação, Entre-Águas, Pimenteis, mais à frente Lameira e Pego, o velho choupal na várzea de Casal da Pinheira, a Azenha, um longo percurso de fazer chorar. Para jusante nem vale a pena falar, basta espreitar logo a seguir ao açude novo junto ao mercado, depois junto à casa amarela, seguir pelas traseiras da estação elevatória até à ponte 8 de Junho: é um cenário inimaginável de completo abandono, desleixo e total desprezo pelo tal querido rio Almonda. Um cenário que envergonha qualquer pessoa e faz mesmo chorar.
Fez-se uma limpeza do leito há 20 anos, uma tarefa que antigamente era corrente (quando não havia máquinas, nem recursos), e tudo ficou por aí. Mesmo no aludido troço, o leito, por baixo da camada lodosa, é mais ou menos o que se documenta numa imagem destas páginas. Quanto às margens, nem vale a pena falar. Em cima da ponte do Raro para montante, já quase não se vê o rio. O arvoredo invade o leito e ninguém limpa nada. Da ponte da Bácora para o Caldeirão, a fantástica vista é a da primeira imagem: canaviais, silvas, arbustos e árvores de porte que não são daquele filme, praticamente tapam o rio. Um caos. Mais uma vez em cima da ponte do Nogueiral, para jusante, segunda imagem, vê-se uma enorme figueira brava a invadir o leito e em breve deixa-se de ver o rio. Ninguém limpa, nem se aproveitou a oportunidade da obra para obrigar o dono do terreno alimpar a árvore (que era cortada anualmente pelo anterior proprietário).
Aquando da concepção do jardim do Almonda Parque falou-se insistentemente na necessidade de deixar um acesso em rampa ajardinada para facilitar a entrada de uma máquina no rio. Coisa de três metros que não prejudicava nada a estrutura do jardim. A teimosia deu nisto: entre o açude do Mercado e o Caldeirão não há acesso para uma máquina, o que implica custos acrescidos em maquinaria mais pesada (guindastes) que coloque uma máquina dento do leito para tarefas de limpeza. Acresce dizer-se que também se insistiu para que se procedesse à limpeza prévia do leito antes da conclusão do jardim, ao menos isso, mas a mesma teimosia ignorante antes quer um leito em estado vergonhoso, que não se veja desde que tenha água, assim o jardim disfarce a paisagem (imagem três).
Por falar nisso, qualquer dia já o próprio rio não se consegue ver do jardim: houve ali qualquer equívoco no tipo de vegetação com que se revestiram as margens, mas que assim não pode ser, não pode. O rio é aquilo que tem de se ver, de estar presente. Assim, já mal se sente. Urge uma “revisão” da solução do revestimento vegetal das margens. Um dos objectivos do jardim era devolver o rio aos torrejanos. A solução de revestimento das margens, desajustada e desproporcionada, está a esconder o rio mais do que estava antes do jardim, e passaram só dois ou três anos.
Vai uma aposta? Todos programas partidários (aliás, já aconteceu num debate) darão um enorme protagonismo à salvaguarda do património natural, em especial do nosso querido rio Almonda. Mas para quem gere a autarquia, o amor pelo nosso querido rio Almonda é como o do nosso querido mês de Agosto: tem graça, há umas festas e muito calor, mas anseia-se por que passe depressa e venha tempo mais fresco.
Trincão Marques põe fim a uma intrujice que durou 20 anos
» 2026-04-19
Durante cerca de um século e três gerações de torrejanos, nunca ninguém em tempo algum se lembrou ou se lembraria de chamar “convento” ao edifício que vemos na fotografia, o hospital da Misericórdia, construído no final do século XIX no local onde em tempos recuados existira um convento de que não ficou uma pedra ou um prego para amostra com a sua demolição total. |
25 de Abril: comemorações em Torres Novas, Alcanena, Entroncamento, Ourém...
» 2026-04-18
O Município de Torres Novas assinala o 52.º aniversário do 25 de Abril de 1974 com um conjunto de iniciativas que celebram os valores da liberdade, da democracia e da participação cívica. O programa tem início às 10h30, com o hastear da bandeira nacional na Praça 5 de Outubro, seguido de uma arruada pela Sociedade Filarmónica União Matense até ao Teatro Virgínia, onde decorrerá a sessão solene evocativa do Dia da Liberdade (11h). |
CAROLA PASSA A INDEPENDENTE, CHEGA FORA DA CÂMARA DE TORRES NOVAS
» 2026-04-16
Com a passagem de José Carola a vereador independente, o partido Chega deixa de estar representado no executivo municipal torrejano. Na reunião pública do executivo municipal de ontem, 15 de Abril, José Carola informou que, por mail de 17 de Março, deu conta à distrital do Chega de que se demitia de qualquer ligação ao partido e, consequentemente, de representá-lo no executivo municipal de Torres Novas. |
Caminhada: “A Bom Ritmo” nas Grutas de Lapas e Tufos Calcários
» 2026-04-15
O Município de Torres Novas irá promover, no próximo dia 18 de Abril, um passeio interpretativo dedicado às Grutas de Lapas e Tufos Calcários com o objectivo de que os participantes partam à descoberta do património natural e turístico do concelho de Torres Novas. |
1 de Maio: Caminhada solidária dos Bombeiros Voluntários
» 2026-04-15
O município de Torres Novas vai ser palco, no próximo dia 1 de Maio, da “Caminhada Solidária Da Terra Farmácia.Torres Novas - Bombeiros Voluntários Torrejanos”, uma iniciativa aberta a toda a população e apoiada pela Câmara Municipal local. |
OURÉM: Albardeira recria álbum de José Afonso em espectáculo colectivo
» 2026-04-15
No âmbito das celebrações do 25 de Abril, a “Albardeira Associação Cultural” apresenta “Enquanto há força”, um concerto-espectáculo que recria integralmente o álbum homónimo de José Afonso, editado em 1978. |
Torreshopping reforça o compromisso com a sustentabilidade através do projecto “Vamos Verde”
» 2026-04-10
O Centro Comercial Torreshopping reafirmou na passada sexta-feira, dia 27 de Março, o seu compromisso com as políticas de ambiente, responsabilidade social e governanção, com a dinamização de mais uma edição do projecto “Vamos Verde” (em tradução livre para a língua oficial do país). |
“Another Day in Paradise!” celebra 25 anos do Teatro Meia Via
» 2026-04-09
No próximo dia 19 de Abril (domingo), às 16h00, o Teatro Maria Noémia, na Meia Via, recebe o espectáculo “Another Day in Paradise!”, uma criação da Associação Porta 37, integrada nas comemorações do 25. |
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Nersant lança projecto de mais de 767 mil euros para acelerar a descarbonização das empresas ribatejanas
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A NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém assinalou o arranque do projecto Ribatejo+Sustentável. O projecto está a ser desenvolvido em parceria com o Instituto Politécnico de Tomar, o Instituto Politécnico de Santarém, o TagusValley – Tecnopolo do Vale do Tejo e a MédioTejo21 – Agência Regional de Energia e Ambiente do Médio Tejo, enquanto copromotores, contando ainda com a participação da CIMLT – Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo e da CIMT – Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo como parceiros não beneficiários. |