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Jornal Torrejano
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Joaquim Rodrigues Bicho (1926-2015): morreu um grande vulto da cultura torrejana

Sociedade  »  2015-04-24 

Faleceu na passada segunda-feira, aos 89 anos, Joaquim Rodrigues Bicho, símbolo maior da cultura torrejana dos últimos trinta anos. Foi administrador da Fiação e Tecidos, activista católico, colaborador de "O Almonda" e fugazmente autarca, mas a sua marca maior fica nos livros que escreveu e que deixa, como um tesouro, às gerações vindouras.

A infância e a escola

Torrejano de gema, Joaquim Rodrigues Bicho nasceu e viveu no Rossio de S. Sebastião. O pai era trabalhador rural por conta de outrém e a mãe entregava-se à lida do campo. Vivia com grandes dificuldades, com mais três irmãos. O pai tinha umas parcelas de terra muito pequenas, que amanhava de noite ou de madrugada, para depois a mãe cuidar do resto, e quando Joaquim chegou à quarta classe, estava ansioso que ele acabasse a escola e fosse trabalhar. No entanto, um dos seus professores insistiu com ele para que deixasse o filho continuar a estudar, por ser um dos três bons alunos daquela turma. O pai ficou aflito, contava com ele para trabalhar, mas o professor tranquilizou-o, dizendo que não pagaria nada. A única coisa que teria de fazer era deixá-lo ir. O pai acabou por aceitar e o pequeno Joaquim foi para o Andrade Corvo. Mas houve algumas dificuldades, pois nem todos os directores concordavam com a sua entrada e tentaram impedi-la. Mas acabou por ir para o Colégio sem ter de pagar as elevadas mensalidades.

Primeiro e único emprego

Acabou o colégio e procurou emprego em algumas firmas de Torres Novas, mas foi mal sucedido. Acabou por ser chamado para o posto de maceração do cânhamo na quinta do Peru, já na década de 40. Tinha 17 anos e era um pouco irreverente. Apresentou-se e perguntou qual era o seu vencimento, coisa que causou grande admiração. Propuseram-lhe 200 escudos. Ficou furioso, era um ordenado inferior e recusou a proposta. Disse-lhes que o pai precisava de mandar fazer os terreiros às figueiras e teria de pagar 18 escudos por dia a um homem, nesse caso iria ele fazer o trabalho. E foi. Pegou numa sachadeira e como estava furioso, foi a matar. De tal forma que adoeceu durante alguns meses. Em Agosto de 1943 foi chamado de novo para o posto de maceração. Dessa vez aceitou e foi trabalhar com o Celestino Graça, que era classificador de cânhamo da Brigada Técnica de Santarém, aqui por conta da Fiação. Desde 1951 começou a trabalhar mais directamente com o director. Em meados da década de 70 foi nomeado director dos serviços administrativos e, no dia 24 de Abril de 1974, foi chamado a Lisboa e nomeado director da Fábrica. Não aceitou. Mas, numa altura em que ninguém queria, Janeiro de 1975, assumiu a direcção ”por dever de consciência”. Dez anos mais tarde, em 1985, foi nomeado administrador, cargo que desempenhou até à reforma em 1991, ao fim de 48 anos de trabalho na Companhia.

 

A LOC, a igreja, a Misericórdia

Durante anos, foi dirigente da JOC e da LOC, mas o seu grande entusiasmo foi a catequese em Torres Novas, que organizou durante muitos anos. Garantiu os célebres passeios, que envolviam muitas centenas de crianças. Na Misericórdia de Torres Novas nunca quis ser provedor, mas exerceu durante muitos anos o cargo de vice-provedor e teve um papel determinante no trabalho de identificação, restauro e salvaguarda do património artístico da Misericórdia.

 

Colaborador de ”O Almonda”

Começou a colaborar no jornal volta de 1960 e mais de perto depois da morte do padre Augusto Durão Alves, a pedido do padre Búzio. Durante anos com o cunhado, Armando Borralho, e o professor António Chora Barroso, de Riachos, assegurou uma página quinzenal de cultura e temas regionais. Com o seu nome foi director durante cinco anos, mas de facto exerceu a direcção do jornal durante 13 anos. Quando o Bispo de Santarém o convidou para dirigir o Almonda, entendeu que, por estar ainda na fábrica, não devia ser director, embora aceitasse assegurar todo o trabalho inerente à função. A situação manteve-se durante 8 anos. Ao fim desse tempo, como se reformou e o padre Manuel Alves ”já estava farto de ter o nome no cabeçalho”, passou a ser director, cargo que desempenhou até 1997.

 

A passagem pela câmara

Disse um dia que foi autarca ”por acidente”: ”era um crítico da Câmara, sempre critiquei o que não estava bem e fazia-o no jornal. Em 1972, com grande surpresa minha, fui convidado para vereador e achei que não devia recusar, convencido que Fernando Cunha, o presidente da altura, iria cumprir mais quatro anos”. Mas o mandato de Cunha acabava em Fevereiro de 1974 e propuseram um outro presidente com quem Joaquim Bicho disse que não trabalharia, ou demitia-se. Mas, obrigado a cumprir os quatro anos, sob pena de ter de pagar multas atrás de multas, nomearam-no vereador com funções de presidente. ”Aceitei, informando-os que nunca seria da ANP (Acção Nacional Popular), nem da Legião Portuguesa, nem participaria em eleições ou vigiaria o que quer que fosse. Aceitava o cargo por gostar da minha terra, politicamente não queria nada”, diria mais tarde. Para sair dois meses depois, na sequência do 25 de Abril, ”foi um sarilho, sanearam toda a gente e não havia meio de me deixarem ir embora. Ligava para o homem que estava a substituir o Governador Civil e ele pedia-me para aguentar. E lá continuava eu e a restante vereação, que foi de uma enorme lealdade. Só consegui sair da Câmara a 16 de Junho de 1974 quando foi nomeada a Comissão Administrativa”, contou em entrevista a este jornal em 1998.

 

O escritor, as condecorações

Joaquim Rodrigues Bicho é consensualmente um dos maiores vultos da cultura torrejana dos últimos trinta anos: deixa um património bibliográfico impressionante, tendo escrito sobre a história e o património de Torres Novas, sobre a etnografia e os costumes, religiosidade e toponímia, entre outros temas a que dedicou o melhor de si, sempre de forma desinteressada. ”Pinceladas Torrejanas”, ”Património Artístico do Concelho de Torres Novas”, Torres Novas, Memórias e Costumes” ou ”A fábrica grande” são apenas alguns dos títulos que marcam uma obra de grande fôlego e que é um espelho da sua inesgotável capacidade de trabalho, a que juntava um enorme afecto por tudo o que dizia respeito à sua terra.

Em 1992 recebeu do município a medalha de mérito municipal da cultura, galardão reforçado com a medalha de honra do município, que lhe foi atribuída em 2012. Nesse intervalo, já tinha sido dado o seu nome a uma rua da cidade, no bairro da Silvã, em Torres Novas.

Em 2000, o JORNAL TORREJANO atribuiu-lhe o galardão de ”vulto do século” na área da cultura, ombreando com nomes como o de Artur Gonçalves.

No dia do seu funeral, 20 de Abril, foi decretado dia de luto municipal pela câmara municipal de Torres Novas.

 

 

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