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DOSSIER - 50 anos do estádio municipal: as histórias de uma obra que marcou o século XX

Desporto  »  2019-12-18 

Foi neste estádio que Cristiano Ronaldo se estreou pela selecção nacional

 Quando, a meio da década de 60, ganhou forma a possibilidade da construção de um estádio municipal, um sonho que durava há mais de trinta anos, os protagonistas estavam longe de pensar que esse mesmo estádio seria, na década de 90, aquilo que mais longe e com mais intensidade colocaria Torres Novas no “mapa mediático”. Como, certamente, não mais voltará a acontecer com qualquer outra coisa.

Comecemos pelo início: deve-se a Mário Cunha a primeira movimentação cívica para dotar Torres Novas de um estádio público. Mário Cunha, esse mesmo, o que deu nome ao campo de futebol de Riachos, foi em 1915 jogador e fundador do Sport Club Torrejano, o primeiro clube de futebol de Torres Novas, e mais tarde treinador e presidente do Torres Novas Foot Ball Club. Mário Cunha já nos anos 20 tinha noção de que o Almonda Parque, onde se situava o campo de jogos alugado a José Manuel Ferreira, seria mais tarde ou mais cedo insuficiente para as aspirações do futebol local. Mais, era um recinto particular, e Mário Cunha, embalado pelo entusiasmo, iniciou no princípio da década de 30 um abaixo-assinado para pedir à câmara a construção de stadio municipal. Que não teve sequência do poder local: Carlos Azevedo Mendes estaria mais interessado nos assuntos do crescimento de Fátima do que no futebol de Torres Novas.

O militar-desportista tinha razão: em 1934, todo o Almonda Parque era alugado à Escola Prática de Cavalaria, o Torres Novas Foot Ball Club ficava sem campo e era, por isso, arredado das provas oficiais. Só em 1944 o município tomava para si o Almonda Parque, permitindo o ressurgimento do clube, agora com outras cores e nome alterado.
O CDTN fez do Almonda Parque o seu campo, agora de propriedade municipal, mas a carreira do futebol “amarelo”, com uma passagem pela II divisão logo na década de 50 e a subida, de novo, em 1965/66, originava uma forte pressão para a necessidade de um estádio: afinal, o Torres Novas estava no segundo escalão do futebol português e a subida à 1.ª divisão era uma possibilidade, não tão distante como isso naquela época, tanto que esteve muito próxima, quando o clube ficou em segundo lugar no ano anterior à inauguração do estádio, 1967/1968, tendo subido o União de Tomar.

Politicamente, com António Alves Vieira enquanto presidente da Câmara (médico, antigo desportista, ex-atleta da Académica, presidente do Clube durante anos, dirigente da AFS e da FPF), a ideia do estádio ganhou força. Aliás, fora Alves Vieira que comprara o Casal das Tufeiras para a expansão urbanística da vila, que terminava em redor da escola industrial. Mas foi com Fernando Cunha à frente da autarquia, e tendo como vereador João Tolda Martins, que a obra seria concretizada. O local não tinha sido definido à primeira: pensou-se nas várzeas junto a São Gião, depois na várzea grande dos Mesiões, quase à Ponte Nova, onde a Câmara alienaria uma fracção para a construção dos depósitos dos CTT, inviabilizando o estádio nesse arrabalde da vila, onde aliás se tinham disputado jogos de futebol no início do século XX em campo de futebol improvisado quando o rossio de São Sebastião estava indisponível.

Marcou-se a implantação do estádio para um olival junto à Bica, de topografia difícil, mas cujo aproveitamento permitiria, com os desaterros, a criação de dois anfiteatros sem necessidade de obra elevada: os topos norte e nascente. Com a bancada principal a poente, o estádio ficava com uma abertura à vila pelo topo sul, com inegáveis potencialidades paisagísticas. O projecto teve mão do então jovem arquitecto Jorge Branco Ló, natural de Riachos e praticante de futebol na juventude (CDTN e CA Riachense).

Em 1967 a obra começou, com a previsão de gastos de 3000 contos (15 mil euros no dinheiro de hoje). As terraplanagens foram feitas, na maior parte, por militares da engenharia de Tancos, enquanto a Construtora Abrantina, que estava a construir ao lado a fábrica de fiação de algodão, garantiu as estruturas de betão. A câmara colocou no local uma brigada de trabalhadores, que foram a mão de obra para terraplanagens finais e obras de construção do piso, cujas estruturas de drenagem, que levaram toneladas de seixo do rio Tejo, permitiriam o arrelvamento, que não se concretizou por falta de financiamento. Também ficaria por fazer o fecho do topo norte (uma bancada mais baixa do que aquela que acabou por ser acabada noas anos 90), bem como o revestimento da bancada nascente, só concretizado nos finais dos anos 70.

No dia 7 de Dezembro de 1969, 15 anos depois da inauguração do Estádio da Luz e 25 sobre o Estádio Nacional do Jamor, o encarregado da obra pela câmara, Fernando Reis “Pinhão”, via diante dos seus olhos a repetição, à escala, do que presenciara ele próprio, enquanto estudante e participante nas coreografias da inauguração do estádio nacional, e que já haviam sido repetidas no estádio 28 de Maio, em Braga, de onde, aliás, as cerimónias do municipal torrejano parecem ter copiado o guião.

No dia inaugural, 7 de Dezembro, tudo se projectou numa partida de futebol entre o SL Benfica, onde jogava o torrejano José Torres (Eusébio veio, mas estava lesionado), e a Académica, que nesses anos disputava o título de “quinto grande” com o Vitória de Setúbal e o Vitória de Guimarães (a “briosa” tinha sido 2.ª no “nacional” em 1967 e nesse ano de 1969 disputou, com o fortíssimo Benfica, a final da Taça de Portugal marcada pela contestação estudantil no Jamor).

Pelo meio, os torrejanos assistiram a uma vistosa encenação das potencialidades desportivas e da juventude local, com milhares de alunos e ginastas das escolas envolvidos em desfiles, que também trouxeram algumas dezenas de representantes de colectividades desportivas da região, tudo conjugado no momento simbólico em que uma parada da Mocidade Portuguesa (organização política de juventude do regime de então) fez guarda de honra ao acender da pira olímpica. Não veio Oliveira Salazar, como em Braga (nesta altura o ditador já estava acamado depois da queda da cadeira no ano anterior), mas veio o secretário de Estado, acompanhado de toda a entourage política local e regional.

No segundo dia, 8 de Dezembro, jogou-se um clássico regional então no auge: o União de Tomar estreara-se na 1.ª divisão um ano antes, terminando o campeonato da 2.ª divisão à frente dos torrejanos, o que cavou uma rivalidade que duraria alguns anos.
Seguiram-se 50 anos de história de um estádio, matéria que dava um livro. Milhares de jogos de futebol, peripécias e curiosidades desportivas, tudo coroado por uma década, nos anos 90 do século passado (ver caixa), em que o estádio municipal dr. António Alves Vieira foi referência notável do futebol português e levou o nome de Torres Novas aos quatro cantos do mundo, ao mesmo tempo que trazia à cidade milhares e milhares de adeptos do futebol.

Milhares de jogos, muitas histórias
Milhares e milhares de jogos, mas várias categorias, se disputaram no estádio nestes 50 anos, e muitas histórias se poderiam contar. O CDTN, inquilino praticamente único, nel realizou, a nível de seniores, cerca de dois mil jogos. De 1969 até finais dos anos 70, na II divisão nacional. Depois de seis épocas na III divisão, foi o regresso aos distritais, entre 1984 e 1989. Depois de uma breve passagem pela divisão terciária, seguiram-se mais uma quantidade de anos na II divisão, para, após a entrada do milénio, acontecer a descida ao terceiro escalão, que não durou muito até à queda no distrital, com outra passagem fugaz pela III divisão.

Mas não foi só de jogos do CDTN que se fez a história destes 50 anos do estádio Municipal, chamado dr. António Alves Vieira desde 1988. Muitas equipas nacionais e internacionais pisaram o rectângulo, pelado desde 1969 até 1990. No dia 1 de Novembro desse ano, completava-se uma das coisas que tinha ficado por fazer durante 20 anos: o arrelvamento, com a presença do ministro da Juventude, Coutos dos Santos e da campeã olímpica Rosa Mota, e um jogo entre o Torres Novas e o Sporting Clube de Portugal. Logo a seguir, aconteceu a nova iluminação, exigida para jogos nocturnos oficiais. Veio o Sport Lisboa e Benfica presidido por João Santos, com Erickson a treinador e Eusébio, “embaixador”, que já tinha estado na inauguração 21 anos antes, em Janeiro de 1991, e no mês seguinte a Académica de Coimbra, que também tinha estado na inauguração e jogou, agora sim, com a nova iluminação do estádio.

O “municipal” reunia, então, condições que poucos estádios portugueses tinham, tirando os dos grandes (ainda não havia os “estádios do Euro”) e, quando alguns clubes eram castigados, escolhia-se o estádio de Torres Novas para fazerem os seus jogos.

Entre 1991 e 2003, disputaram-se uma dúzia de jogos da 1.ª divisão: Sporting – Chaves; Estoril – Porto; Sporting – Chaves; Benfica – Beira-Mar; Sporting – Belenenses; Sporting – Marítimo; Benfica – Farense; Benfica – Tirsense; Sporting – União da Madeira; Porto Boavista; Benfica – União de Leiria; Benfica – Beira-Mar, algumas destas partidas a trazerem mais de 20 mil espectadores a Torres Novas, mesmo com transmissão televisiva.

Os jogos nacionais e internacionais foram também muitos, com destaque para o Portugal – Espanha, em Selecções, em 1992, entre um rol de partidas a contar para torneios internacionais de selecções jovens, uma delas palco da estreia absoluta de Cristiano Ronaldo com a camisola das quinas (ver caixa).
Para as competições da UEFA aqui jogou o Boavista, com o Valur da Islândia e com o Parma, e o União de Leiria, com o Naestved da Dinamarca e o Heerenveen, da Holanda.
Contudo, a “internacionalização” do estádio já tinha acontecido logo no início dos anos 70, com a visita dos irlandeses do Limerich e dos ingleses do Grimsby, num torneio particular de verão.

Foi neste estádio que Cristiano Ronaldo se estreou pela selecção nacional
Estávamos em 2001 e decorria a II edição do Torneio Internacional Cidades de Rio Maior e Torres Novas, em selecções de juniores (sub-15), nesse ano com a participação das equipas nacionais de Portugal, África do Sul, Suécia e Dinamarca.

No jogo Portugal/África do Sul da jornada inicial, disputado em Torres Novas precisamente a 24 de Fevereiro desse ano, com vitória da equipa lusa por 2-1, o jovem Cristiano Ronaldo fazia o seu primeiro jogo por uma selecção, ele e quase todos os seus companheiros de equipa…menos um, Hugo Monteiro, do Boavista. Os restantes, tal como o futuro melhor jogador do mundo, eram todos estreantes com a camisola das quinas: Christopher, Steven, André Carvalho, Filipe Duarte, Pedro Araújo, Costinha, Fernando Alexandre, Diogo Andrade, Ricardo Costa, Fábio, Pedro Fernandes e Luís Frangão, tudo pequenos craques que não deixariam grande rasto, a não ser o atleta júnior do Sporting.
A vitória de 2-1 sobre a África do Sul ficaria assinalada pelo primeiro golo de Cristiano, o segundo do jogo, ao serviço de uma selecção, o que coloca também o estádio de Torres Novas como palco desse momento simbólico tão importante para a carreira do jogador da Juventus: a estreia abso­luta com a camisola das quinas, e também o seu primeiro golo ao serviço de Portugal

Resta ainda acrescentar que na análise ao torneio, que teria a Dinamarca como vencedor, o repórter do JORNAL TORREJANO, Luís Filipe Santos, atribuiria o ”prémio” de melhor jogador do torneio a… Cristiano Ronaldo, provando a perspicácia deste nosso camarada, infelizmente já desaparecido.

 

 

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