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Judite Gonçalves, proprietária de loja de ferragens no largo da botica: “Vim para ficar, pelo menos mais trinta anos”

Sociedade  »  2019-07-04 

Judite Gonçalves tem 50 anos e é natural de Tomar, embora viva desde sempre no concelho de Torres Novas. Filha de pai outeirense e mãe moreirense, há 30 anos que reside no Outeiro Pequeno. Nunca antes

Um ramo de flores vermelhas no balcão recebe-nos quando entramos e vemos que alguma coisa mudou por ali. De resto, a loja continua aparentemente igual ao que nos habituámos nas últimas décadas, quando era propriedade de José António. As flores vieram com o Recadex, oferecidas por uma cliente que quis agradecer a simpatia e disponibilidade para ajudar de Judite Gonçalves, a mulher que está à frente da loja desde Janeiro de 2018.

Judite Gonçalves nunca tinha trabalhado neste negócio. A oportunidade de pegar no trespasse da loja de ferragens, aquando do falecimento do antigo proprietário, foi um mero acaso. Ou um bom sinal: “Nunca tinha trabalhado na área. Já tinha trabalhado muito ligada ao comércio, mas nunca deste tipo, nem nunca a gerir. Trabalhei ligada a seguros, na ervanária Vitae ainda algum tempo, em fábricas, cafés, restaurantes. Já trabalho desde os 13 anos…. Um dia passei aqui e vi o papel a dizer ‘trespassa-se’. Trabalhava na altura a fazer limpezas em casas privadas, trabalho que adorava e continuo a adorar. O meu marido já há muito dizia que tínhamos de arranjar alguma coisa para a velhice, porque temos uma menina com deficiência. De hoje para amanhã, se nos acontece alguma coisa, não podemos viver só da reforma, que já sabemos que vai ser pequena. Também sabemos que as coisas não vão melhorar. Passei, vi, falei-lhe nisso e decidimos vir conversar com alguém responsável. Falámos com a filha do senhor José António e cá estou eu”, explicou Judite Gonçalves.

Aprender um ofício sozinho, sem ninguém ao lado para pedir ajuda, dificulta a tarefa. Mas Judite Gonçalves, como se percebe depois de uns minutos de conversa, não se intimida às primeiras: “Quando começou a trabalhar também não sabia, pois não? Aprendeu. Foi exactamente como eu. Aqui aprendi sozinha. Um bocadinho mais difícil, mas vai-se aprendendo. Aprende-se com os clientes, com os vendedores, sozinha, a ficar cá muitas vezes até altas horas da noite a estudar as facturas para trás, a aprender de onde vem o quê, e a passar muitas horas a preocupar-me, a olhar e a ver, a tentar aprender”, riu Judite.

Questionada sobre o peso da herança que recebeu, uma vez que o seu antecessor era um grande conhecedor da matéria, Judite responde com humildade e segurança: “Não tenho essa experiência, esse conhecimento. Mas tento sempre. Sempre fez parte do meu feitio, não é forçado, é natural. Sempre gostei de ajudar, ser útil e sentir-me útil. Não é nada de extraordinário. Se não souber, vou procurar. Ninguém, quando começa a trabalhar em qualquer área, sabe tudo. Muita gente sabe o que quer e ensina-me. Outros não sabem e eu tento ajudar. É claro que não tenho o conhecimento que o senhor José António tinha, ele trabalhou nisto uma vida e era uma pessoa muito inteligente. Sabia fazer. Eu não estou aqui para tentar substituir o senhor José António, estou aqui para tentar manter aquilo que ele construiu. Se eu conseguir ir mais além, óptimo”.

Até ver, está contente com o resultado: “Até ver tenho conseguido. Amanhã ninguém sabe. Há dias desesperantes e preocupantes, mas isso acontece em todos os negócios. Para quem não tinha experiência de gestão é um bocadinho mais difícil. O primeiro ano foi muito difícil. Vai-se aprendendo com os erros. Nós erramos e da próxima vez tentamos acertar. Mas está a correr bem e gosto do que faço. Gosto de acordar de manhã e saber que venho para aqui. E gosto do contacto com o público, principalmente. É isso que maior prazer me dá, principalmente alguém vir à procura de algo, sair daqui satisfeito e passados uns dias dizer-me que ficou fantástico, que era mesmo aquilo que procurava. Isso, não há dinheiro que pague. Não se consegue agradar a toda a gente, mas tenta fazer-se o melhor que se pode e sabe”.

No início, quando pegou na loja, sentiu alguma desconfiança por parte da clientela. Não sabe se por não esconder a sua inexperiência, se por ser mulher, mas acredita que hoje isso está resolvido: “Talvez houvesse uma desconfiança, mas penso que é natural. Até eu duvidava que conseguisse. Acredito que tivessem pensado ‘aquela não dura lá muito tempo’, mas é engraçado que encontrei muita gente a apoiar e a parabenizar-me pela minha decisão. Mais do que o contrário. Também sempre fui sincera e disse que não tinha muita experiência. Hoje, as pessoas voltam e isso é bom sinal. Já tenho clientes muito assíduos”, orgulha-se Judite.

“Tanto eu como o meu marido estamos satisfeitos com este investimento. Tinha de ser algo que na possibilidade de uma incapacidade de algum de nós, o outro pudesse pegar. Esse era sempre o objectivo. Se acontecer alguma coisa a algum de nós, o outro fica. Eu vim para ficar, quem pensava que não me aguentava que se engane. Pelo menos mais trinta anos, é esse o meu objectivo”. Inês Vidal

 

 

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