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2. O Partido Republicano (1881-1890)

Opinião  »  2014-10-16  »  Gabriel Feitor

Nacional

Em 14 de Novembro de 1881 é renovado o governo Regenerador, presidido por Fontes Pereira de Melo. Remodelado em 1883, fica até 1886. Elias Garcia, do Partido Republicano Português (PRP), é eleito pelo círculo de Lisboa nas eleições de 21 de Agosto desse ano. Começam a abrir-se fissuras no rotativismo entre Regeneradores e Progressistas.

O Ultimatum de 1890, seguido de uma bancarrota, foi crucial para que a acção do PRP se intensificasse no território nacional. Cai o governo progressista, liderado por José Luciano de Castro, e dá-se o início de uma longa crise política. Em 1883 realiza-se o I congresso republicano, constituído pelos centros e movimentos republicanos de 1876 e 1879. É daqui que sai o primeiro directório do PRP.

 

Local

Em 1882, de entre a vereação eleita para a Câmara Municipal de Torres Novas, Joaquim José Ribeiro d’Avelar é o escolhido para presidir ao executivo. Na vereação, acompanha-o Manuel dos Santos Moita. Os políticos regeneradores de Alcanena voltam a tomar conta dos destinos da edilidade torrejana. É durante esse ano que surgem as primeiras referências de actividade republicana na freguesia, «[...] que apesar de exígua, era talvez única no concelho.»1 A Evolução, semanário republicano conimbricense que acabava de sair, dava conta dos acontecimentos. António Mendes Garcia2, proprietário, era o seu representante em Alcanena. José Ramos Melícia, farmacêutico e político local destacado, começava a mostrar sinais de uma clara afinidade pelo ideário republican «Vou gostando do governo republicano, porque onde ele está implantado produz excelentes resultados, ao passo que os nossos governos monárquicos nos vão carregando de impostos empenhando loucamente o país.»3 O correspondente do semanário refere ainda que «a geração nova, os rapazes, esses são republicanos e vão fazendo a sua propaganda, onde podem e como podem4 [...]»5. Por esta altura já se ouvia na localidade a Marselhesa, hino executado pela Sociedade Musical Alcanenense. As eleições de 1881 apresentam uma novidade: dois candidatos republicanos ao Círculo Eleitoral de Torres Novas: Manuel de Arriaga e Magalhães Lima, onde obtêm a sua única votação do círculo na Assembleia de Alcanena, respectivamente 13 e 2 votos. Acaba por vencer na freguesia, como no círculo, o regenerador Sebastião de Sousa Dantas Baracho,6 que repete nas eleições de 18847.

Em 1886, volta à cena política o Partido Progressista, com Augusto Victor dos Santos. Vence na freguesia e no círculo. Reaparece nestas eleições um candidato republicano ao círculo, José Maria Latino Coelho, que acaba por conseguir 3 votos na Assembleia de Alcanena.8

O legado liberal influenciou, de certo modo, a preponderância e o aparecimento do ideário republicano num grupo restrito de pequenos proprietários, comerciantes e trabalhadores da freguesia. A indústria de curtumes também teve responsabilidades na radicação desse ideário. Foram estes acontecimentos o esboço do PRP em Alcanena. Em próximo artigo analisaremos o seu processo até à criação da Comissão Paroquial.

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1 Feitor, Gabriel de Oliveira, Alcanena – Ensaios de História de um Concelho Centenário (1298-1926), Alcanena, 2014. p. 31

2 Regedor substituto (19/02/1883-01/03/1884). Só volta às lides políticas como regedor (14/06/1886 até 21/02/1889) no período do governo progressista. A experiência durante o governo regenerador não foi feliz, como podemos ver. Cf Arquivo Municipal de Torres Novas (AMNT), Livros de Registo de Autos de Posse e Termos de Juramento, 1868-1889, cota 1640, fls. 67; 73; 80 v.º; 97; 97 v.º.

3 A Evolução - Seminário Republicano, n.º 8, 15 de Janeiro de 1882.

4 Dá-nos ainda a informação dos activistas: «[...] tivemos ocasião de o observar ainda há pouco no estabelecimento do cidadão Gerardo Ferreira, Joaquim Caxeiro, Martins, Ariceto e outros [...]».

5 Ibid.

6 Arquivo Histórico Parlamentar (AHP), AEM Cx. 1443.

7 AHP, AEM Cx. 1521 A.

8 AHP, AEM Cx. 1673.

 

 

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