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CONSIDERAÇÕES A PROPÓSITO DO BREXIT

Opinião  »  2020-01-09  »  José Alves Pereira

"Falemos então nas eleições de 12 Dezembro e dos seus resultados"

As eleições realizadas a 12 de Dezembro passado estão, tal como a situação na Grã-Bretanha, envoltas em tantas contradições que alinhavar comentários, com alguma linearidade e coerência, não é tarefa fácil. Parecem-nos, todavia, sinais de um processo estrutural mais abrangente e distante no tempo, de degenerescência institucional, político e social, o que não é o objecto deste texto, pelo que nos limitaremos a abordar os desenvolvimentos mais recentes.

Em Junho de 2016, para resolver dissensões internas no Partido Conservador e acalmar o descontentamento social, o primeiro-ministro, David Cameron, convocou um referendo sobre a permanência ou saída da Grã-Bretanha da UE., o chamado Brexit. Apesar das pressões, intrigas, e instigação do medo, os britânicos optaram, ainda que pela margem mínima, por sair da UE. Habituada esta a não respeitar escolhas que não a dos directórios de Bruxelas, iniciou-se o jogo da chantagem, da humilhação e desqualificação dos eleitores desalinhados. Com o Brexit parecia ter chegado o apocalipse! E foi assim durante três anos, esperando a inversão dos acontecimentos, pressionando um segundo ou terceiro referendos, os necessários até o resultado ser o pretendido. Entretanto os grupos sociais e os parlamentares na Câmara dos Comuns, que se tinham empenhado pela permanência na UE, tudo vão fazendo para obstaculizar a concretização da vontade popular. Neste período, o Brexit tornou-se omnipresente na vida política britânica chegando, hoje, a um ponto de saturação. Enquanto isso, expressões de pauperização, precariedade laboral, racismo e xenofobia emergem como sinais da crise, a par da degradação de vários serviços públicos em que o mais visível e preocupante é o NHS (serviço nacional de saúde).

Falemos então nas eleições de 12 Dezembro e dos seus resultados. Na noite eleitoral, a partir das projecções dos lugares obtidos, logo se falou na vitória esmagadora de uns, os conservadores, e na derrota histórica de outros, os trabalhistas. Comecemos por analisar o sistema eleitoral que conduziu a estes resultados e que não mereceu, por cá, grandes considerações. Razões para tal silêncio? É que, desde há muito, o Bloco Central, PS/PSD, acolitado pelo comentariado oficial do regime, com o pretexto de aproximar os eleitos dos eleitores, tenta “vender“ o voto por círculos uninominais e com isso distorcer a vontade popular e impor uma rotatividade dual na vida partidária. A manobra é simples: com menos votos assegurar maiorias absolutas de eleitos. Veja-se o caso inglês. O Partido Conservador, com 43% de votos, consegue 56 % de lugares (365), enquanto o Partido Trabalhista com 32 % fica-se pelos 31 % de lugares (203). Com o método proporcional o primeiro teria menos 85 eleitos, não atingindo a maioria absoluta (326) e o segundo mais 5.

Na base destes resultados, em que as percentagens de votantes são praticamente omitidos, os comentários tomam por bons os dos lugares, como se vê distorcedores da expressão dos cidadãos votantes, para a partir daí tecerem especulações políticas e ideológicas. Erigem em personagem a crucificar o líder trabalhista Jeremy Corbyn passado à condição de “esquerdista radical”, “novo Estaline”, “marxista requentado” e outras idiotices que dariam para sorrir não fosse ela a expressão de um estado de demência reaccionária. O seu programa “socialista” remetia apenas para algumas nacionalizações em áreas estratégicas, como a energia, gás e ferrovias, degradadas pelas privatizações levadas a cabo por anteriores governos. Diga-se que, segundo o The Guardian de 1 de Outubro de 2017, estes planos tinham ampla aprovação pública. Quanto ao Brexit, Corbyn foi sempre titubeante, nunca se percebendo sua opção, e talvez por isso abandonado por parte do seu eleitorado tradicional.

Entre um Brexit, que não desejavam e cuja concretização é incerta, e uma vitória da “esquerda” de Jeremy Corbyn e do Partido Trabalhista, os grupos políticos e económicas dominantes puseram as fichas em Boris Johnson e no Partido Conservador, descobrindo nele o truão capaz das bizarrias e traquibérnias necessárias ao momento, usando a imprensa tabloide como aliada, que nele viu o artista a promover junto das classes populares. A UE, esta UE, é cada vez mais aos olhos dos cidadãos, não um processo de cooperação e solidariedade, mas um directório de potências apostadas num processo de integração e concentração capitalista e de rivalidade entre sectores do grande capital, nomeadamente da Grã-Bretanha e do eixo franco-alemão. Daqui emergem as políticas antipopulares, a postura arrogante e “neocolonial” sobre os pequenos países e economias, o condicionamento das organizações e partidos de esquerda, enquanto dão livre trânsito às forças populistas e de extrema-direita de que são expressão o extremismo nazi na Alemanha, o protofascismo na Ucrânia, o populismo em Itália, o despotismo de Urban na Hungria, e manifestações de intolerância contra imigrantes e refugiados.

Deverá constituir sinal de preocupação que países como os EUA, Brasil e Reino Unido, tenham a dirigi-los sujeitos tão desqualificados, política e eticamente, como Trump, Bolsonaro e Boris Johnson. Há antecedentes históricos que nos relembram como, para resolver as crises sociais, contradições e descontentamentos populares, os grupos possidentes recorrem a este tipo de bonifrates, em manobras de diversão que abrem caminho a outras bem mais perigosas.

 

 

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