• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Quarta, 19 Fevereiro 2020    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Sáb.
 22° / 7°
Períodos nublados
Sex.
 21° / 7°
Céu limpo
Qui.
 19° / 5°
Céu limpo
Torres Novas
Hoje  19° / 5°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O (de) mérito de Chicão

Opinião  »  2020-02-07  »  Ana Lúcia Cláudio

"Nós por cá vamos dando, orgulhosamente, o exemplo, também no que a questões de paridade respeita"


A questão da paridade e da (pouca) intervenção das mulheres na política voltou à ordem do dia, na sequência da eleição do novo presidente do CDS. O jovem Chicão, que, curiosamente, veio ocupar o lugar deixado vago pela primeira mulher-presidente na história do partido – Assunção Cristas –, encabeça uma Comissão Política em que nos 59 nomes que a integram existem apenas seis mulheres. “Não há mulheres na direcção de Chicão”, lê-se em parangonas na imprensa nacional.

É de lamentar este retrocesso num caminho que parecia estar já a avançar na direção certa, em Portugal e na Europa, com as mulheres a assumirem cada vez mais lugares de relevo na política e na sociedade. Veja-se a actual Comissão Europeia, presidida pela primeira vez por uma mulher a encabeçar um colégio de comissários quase paritário.
Na primeira entrevista depois de eleito, Chicão foi confrontado por Miguel Sousa Tavares, de forma directa e ao seu estilo, sobre este facto: "Não gosta de mulheres?", disparou. Após algum desconforto com a questão, o presidente do CDS avançou com uma justificação infeliz para esta quase ausência feminina, ao afirmar que foi o possível no pouco tempo de que dispôs, tendo o critério usado sido o do “mérito”.

“Mérito”! Tem sido sempre este o argumento invocado pela facção masculina que nunca viu com bons olhos as quotas para mulheres na política. A escolha não deve basear-se no género mas no “mérito”, dizem. Isto significaria que nunca houve historicamente o mesmo número de mulheres com “mérito”. E que foi a falta de “mérito” que justificou que a política tenha nascido e crescido como um feudo masculino. O motivo é obviamente outro. A política nasceu e cresceu em reuniões entre grupos de amigos-homens que se encontravam em cortes, tertúlias, praças públicas e demais espaços para discutir as questões da governação. As mulheres estavam onde? Em casa, a garantir a continuidade das famílias, sendo responsáveis pela educação, saúde e bem-estar das mesmas. E esta ocupação das mulheres, e sobretudo das mulheres-mães, sempre foi um obstáculo a que elas participassem mais na vida política.

As coisas mudaram. É verdade. A promoção da igualdade, a divisão de tarefas e o Estado a assegurar um leque de serviços que as libertaram das suas funções tradicionais, contribuíram para uma maior disponibilidade das mulheres para começarem a intervir na vida pública. Só que os lugares, esses, já estavam ocupados e havia pouca vontade de os ceder. Só as quotas podem fazer esta inversão. Foi assim nos países nórdicos, mais avançados nestas realidades, e terá que ser assim em todos os outros. Porque se o “mérito” é sem dúvida o principal critério o mesmo só poderá ser avaliado de forma justa se forem dados a todos e a todas as mesmas condições.

Nós por cá vamos dando, orgulhosamente, o exemplo, também no que a questões de paridade respeita. Se olharmos para a actual Comissão Política do PSD de Torres Novas, recentemente eleita, verificamos que as mulheres estão em maioria, representando 7 dos quinze elementos eleitos.
P.S. Não sou fã de diminutivos, pseudónimos ou alcunhas. Mas neste caso, Chicão parece-me perfeito.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Entre o redil e o prado »  2020-02-08  »  Jorge Carreira Maia

Num dos artigos anteriores falou-se aqui do discurso do rancor que se desenvolve em Portugal. Esse discurso não é específico do nosso país, atinge os países ocidentais, nos quais, por um motivo ou outro, lavra uma cólera não disfarçada, um desejo de confronto cada vez maior, onde a normal divergência política ameaçar radicalizar-se, dividindo os campos entre amigos e inimigos.
(ler mais...)


ORA VIVA, SENHOR RADETZKY! »  2020-02-07  »  José Alves Pereira

A celebração de um concerto musical pelo Ano Novo é um ritual que, iniciado em Viena (1939), se estende hoje por muitas salas e cidades. O espectáculo da Filarmónica Vienense, na sala do Musikverein, com transmissão televisiva para milhões de pessoas, riqueza ambiente, bailados e uma lento vaguear pela sala, nos seus dourados, candelabros e frisas, exibe-se também na assistência, revivendo um certo um passado nostálgico do fausto aristocrático.
(ler mais...)


“Xuxu” »  2020-02-07  »  Rui Anastácio

“Não há pior ameaça à paz do que os que foram cobardes em tempo de guerra: eles têm contas a ajustar consigo mesmos e os outros é que as pagam”.

A frase é do Miguel Sousa Tavares, com quem não concordo muitas vezes, mas que leio religiosamente todas as semanas, a ele e à Clara Ferreira Alves.
(ler mais...)


Mobilidade e descarbonização »  2020-02-07  »  António Gomes

Este é o grande desafio que está colocado à humanidade e em particular aos decisores políticos: garantir transportes em qualidade e quantidade e não poluentes.
Também assim é na cidade de Torres Novas.
(ler mais...)


Xenovírus, por Inês Vidal »  2020-02-07  »  Inês Vidal

Somos xenófobos por natureza. Também somos racistas, hipócritas, egoístas. Pensamos em nós, nos nossos e os outros que se lixem. E quanto lá mais longe, melhor. Não fosse verdade esta minha pessimista afirmação, não chamaríamos chagas, ou melhor chegas, para a nossa casa-mãe.
(ler mais...)


Hipocrisia colectiva, por Inês Vidal »  2020-01-30  »  Inês Vidal

Este ano há festa da Benção do Gado, em Riachos. Uma festa de raízes, uma homenagem às origens do povo riachense. Pelo menos é essa a sua intenção primeira. Recordo, a propósito, quando numa das vezes em que percorri as ruas engalanadas da vila por altura das festas, uma das coisas que me chamou a atenção nos quadros populares que recriam essas tais raízes riachenses, foi o facto de tão natural e repetidamente se recordar a personagem do homem embriagado, copo na mão, garrafão aos pés.
(ler mais...)


Em memória de um velho camarada »  2020-01-30  »  José Alves Pereira

Um facto recente – desaparecimento de um velho camarada - leva esta habitual crónica por caminhos não previstos, rememorarando factos de há cinquenta anos, fragmentos da resistência antifascista em Torres Novas.
Em Outubro de 1969, haviam-se realizado “eleições” para deputados à Assembleia Nacional.
(ler mais...)


O IVA e o desenvolvimento »  2020-01-30  »  António Gomes

A última tentativa do PS/Torres Novas para branquear a situação em que tem vindo a transformar o concelho desmoronou-se como um castelo de cartas.

A Lei das Finanças Locais sofreu uma alteração positiva para as autarquias, ao passar a atribuir a estas 7,5% do IVA cobrado no respectivo concelho e relativo a restauração, hotelaria, electricidade, gás, comunicações e água.
(ler mais...)


O João »  2020-01-30  »  Rui Anastácio

“O João é gente boa! Sabe o que acontece? A cabeça dele é que não funciona na hora certa.”
O sotaque era brasileiro, pintor de fachadas e alguma sabedoria tolerante na voz, trazidas certamente por uma longa e dura vida pendurada em andaimes.
(ler mais...)


 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-01-30  »  António Gomes O IVA e o desenvolvimento
»  2020-01-30  »  Rui Anastácio O João
»  2020-01-30  »  Inês Vidal Hipocrisia colectiva, por Inês Vidal
»  2020-01-24  »  Jorge Carreira Maia Rui Rio faz o seu caminho
»  2020-01-30  »  José Alves Pereira Em memória de um velho camarada