As ciclovias e o debate público
Opinião
» 2020-01-09
» João Quaresma
No último mês de Dezembro, em duas reuniões de câmara sucessivas, discutiu-se o programa base de uma rede de ciclovias para a cidade de Torres Novas, com cerca de 24 Km na sua totalidade, a construir por fases, bem como uma dessas fases na zona da Quinta da Silvã, com cerca de 6 Km, que será a primeira a ser realizada. Tudo sem grande discussão pública, tudo sem que se recolham ideias que pudessem melhorar o projecto dado a conhecer.
Em causa está uma nova realidade pela qual se pretende a implementação prática e regulada de mobilidade partilhada entre veículos e bicicletas. Existem ruas cuja prioridade deve ser o trânsito automóvel, mas também devem existir ruas onde a prioridade tem de ser dada aos peões e às bicicletas. Cada rua e espaço devem ter a sua própria função.
É aqui entra a componente do planeamento e da arquitectura urbana, que é cada vez mais essencial no âmbito da mobilidade urbana. Se há dez anos perguntassem à comunidade empresarial o que eles queriam no âmbito do planeamento de transportes, estes diriam que queriam acessibilidade automóvel. Hoje, provavelmente, junto aos escritórios e locais de trabalho, preferem espaços verdes ou ruas onde não exista trânsito, com um ambiente agradável.
Acresce igualmente que as cidades têm de ser cada vez mais acessíveis e inclusivas, nomeadamente para os grupos “frágeis”, como os idosos ou as pessoas com dificuldades de mobilidade. Ora, muitas vezes esta factualidade está relacionada não só com própria arquitectura das cidades como também com o mobiliário urbano, sinalização rodoviária, entre outros.
Mas para que possa existir uma mudança de mentalidade por parte dos condutores, sejam estes de veículos automóveis ou de bicicletas, é necessário fazer com que estes sintam que fazem parte de algo. Se houver um sentimento de pertença e identidade com o espaço que os rodeia, as suas atitudes e comportamentos mudam. Neste aspecto podemos dizer que Torres Novas entra com o pé esquerdo, pois como disse inicialmente, falamos de um projecto com importância para a cidade e o mesmo deve ser do completo desconhecimento de grande parte da sua população. Daí defendermos a necessidade de uma verdadeira discussão pública.
O projecto da rede ciclovias para a cidade é ambicioso, mas existiam formas subtis e não muito dispendiosas que emergindo de uma discussão pública, poderiam melhorar o mesmo e simultaneamente fazer passar a mensagem da existência de novas formas de mobilidade na cidade, porque na verdade e a titulo de exemplo, um condutor responde de forma diferente aos sinais que lhe são dados pela sinalização horizontal e vertical, pinos de tráfego, tipologia do piso e da estrada, a actividade nas ruas, etc.
Coisas simples não sendo de esquecer que, na ordem do dia estamos a assistir a dois fenómenos que irão influenciar o futuro das cidades: o envelhecimento da população e aquilo a que chamamos de transição energética. Preocupações que passam por reduzir o nível de emissões de dióxido de carbono e tornar as cidades mais acessíveis. Em relação a este aspecto, é de realçar que os municípios têm de saber aproveitar melhor o desenvolvimento das tecnologias digitais e envolver os seus cidadãos na tomada de decisões.
E é necessário perguntar: como é que podemos aumentar a participação da população neste processo de tomada de decisão que está relacionado com o seu dia-a-dia e qualidade de vida? A resposta é importante porque estas decisões que influenciarão o nosso futuro estão-nos a passar ao lado.
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
As ciclovias e o debate público
Opinião
» 2020-01-09
» João Quaresma
No último mês de Dezembro, em duas reuniões de câmara sucessivas, discutiu-se o programa base de uma rede de ciclovias para a cidade de Torres Novas, com cerca de 24 Km na sua totalidade, a construir por fases, bem como uma dessas fases na zona da Quinta da Silvã, com cerca de 6 Km, que será a primeira a ser realizada. Tudo sem grande discussão pública, tudo sem que se recolham ideias que pudessem melhorar o projecto dado a conhecer.
Em causa está uma nova realidade pela qual se pretende a implementação prática e regulada de mobilidade partilhada entre veículos e bicicletas. Existem ruas cuja prioridade deve ser o trânsito automóvel, mas também devem existir ruas onde a prioridade tem de ser dada aos peões e às bicicletas. Cada rua e espaço devem ter a sua própria função.
É aqui entra a componente do planeamento e da arquitectura urbana, que é cada vez mais essencial no âmbito da mobilidade urbana. Se há dez anos perguntassem à comunidade empresarial o que eles queriam no âmbito do planeamento de transportes, estes diriam que queriam acessibilidade automóvel. Hoje, provavelmente, junto aos escritórios e locais de trabalho, preferem espaços verdes ou ruas onde não exista trânsito, com um ambiente agradável.
Acresce igualmente que as cidades têm de ser cada vez mais acessíveis e inclusivas, nomeadamente para os grupos “frágeis”, como os idosos ou as pessoas com dificuldades de mobilidade. Ora, muitas vezes esta factualidade está relacionada não só com própria arquitectura das cidades como também com o mobiliário urbano, sinalização rodoviária, entre outros.
Mas para que possa existir uma mudança de mentalidade por parte dos condutores, sejam estes de veículos automóveis ou de bicicletas, é necessário fazer com que estes sintam que fazem parte de algo. Se houver um sentimento de pertença e identidade com o espaço que os rodeia, as suas atitudes e comportamentos mudam. Neste aspecto podemos dizer que Torres Novas entra com o pé esquerdo, pois como disse inicialmente, falamos de um projecto com importância para a cidade e o mesmo deve ser do completo desconhecimento de grande parte da sua população. Daí defendermos a necessidade de uma verdadeira discussão pública.
O projecto da rede ciclovias para a cidade é ambicioso, mas existiam formas subtis e não muito dispendiosas que emergindo de uma discussão pública, poderiam melhorar o mesmo e simultaneamente fazer passar a mensagem da existência de novas formas de mobilidade na cidade, porque na verdade e a titulo de exemplo, um condutor responde de forma diferente aos sinais que lhe são dados pela sinalização horizontal e vertical, pinos de tráfego, tipologia do piso e da estrada, a actividade nas ruas, etc.
Coisas simples não sendo de esquecer que, na ordem do dia estamos a assistir a dois fenómenos que irão influenciar o futuro das cidades: o envelhecimento da população e aquilo a que chamamos de transição energética. Preocupações que passam por reduzir o nível de emissões de dióxido de carbono e tornar as cidades mais acessíveis. Em relação a este aspecto, é de realçar que os municípios têm de saber aproveitar melhor o desenvolvimento das tecnologias digitais e envolver os seus cidadãos na tomada de decisões.
E é necessário perguntar: como é que podemos aumentar a participação da população neste processo de tomada de decisão que está relacionado com o seu dia-a-dia e qualidade de vida? A resposta é importante porque estas decisões que influenciarão o nosso futuro estão-nos a passar ao lado.
ISTO É O RIO ALMONDA - vamos ver quem é que é homem!
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Da ponte do Moinho da Fonte, com a fábrica velha da Renova nas costas, é esta a visão do rio Almonda: um regato com um palmo de água e o leito invadido por canaviais de um lado, arbustos do outro. Daqui para a frente, na Azenha, no Casal da Pinheira, no Choupal, na Ribeira antes da ponte, os cenários são de horror. |
A Fraude - I
» 2026-10-05
» Acácio Gouveia
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Do diáfano do imaginário à aridez da realidade
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» António Mário Santos
Numa conversa recente, motivada pelos exames e o futuro da educação concelhia, veio ao de cima o actual desencanto da juventude, que, após o fim do secundário, ou entra numa universidade, ou sem posses para as mesmas, sedeadas nas principais cidades do país, opta pelo ensino superior tecnológico, diversificado no Médio Tejo, em Abrantes, Tomar ou Santarém. |
Esposas, mães, filhas, irmãs, mulheres
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Para escrever as crónicas no Jornal Torrejano, habitualmente faço previamente um périplo pela imprensa regional para me inteirar da realidade, ficar a saber o que se passa. Nem sempre o tema seleccionado é o mais relevante da actualidade, depende da inspiração para escrever, depende de factores, muitas vezes, aleatórios. |
Cinismo e humilhação - jorge carreira maia
» 2026-10-05
» Jorge Carreira Maia
A recente visita do Presidente da China, Xi Jinping, aos Estados Unidos, é, por parte do presidente chinês, um exercício de cinismo e de humilhação do país anfitrião. Não fora Donald Trump o presidente em exercício, e seria duvidoso que a atitude de Jinping fosse a mesma. |
Biometano versus solar e eólico
» 2026-09-19
» António Gomes
O Governo aprovou recentemente o “Mapa Verde” para as energias renováveis, ou seja, criou as chamadas Zonas de Aceleração das Energias Renováveis (ZAER), uma espécie de autoestrada para os projectos de energia com origem no solar e no eólico. |
A liberdade de informação e o poder político
» 2026-09-19
» António Mário Santos
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Salve-se quem puder
» 2026-09-19
» Carlos Paiva
A evolução na postura da autarquia aconteceu, é um facto. Quando Pedro Ferreira, anterior edil, era confrontado, por vezes atropelado, por factos da vida real, respondia o clássico "Eu não sabia de nada!", Trincão Marques, actual edil, em situações idênticas, responde "Sim, é um problema!". |
O Princípio da Realidade
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Educação, PISA e cultura escolar
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» Jorge Carreira Maia
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