As costas largas do SNS - antónio gomes
Opinião
» 2022-09-11
» António Gomes
" “E assim se vai destruindo o Serviço Nacional de Saúde, por responsabilidade do privado, dos responsáveis governamentais que sabem e nada fazem. "
A despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com meios complementares de diagnóstico e terapêutica privados chegou ao valor mais alto de sempre no ano passado, 718 milhões de euros. Trata-se de um aumento de 48% entre 2021 e 2020. Estes dados foram recentemente relatados pelo Jornal de Notícias.
O Estado paga e paga muito ao sector privado da saúde, dinheiro proveniente do orçamento do Ministério da Saúde (o dinheiro para algum lado vai). Mas o setor privado da saúde, não se contenta com isto, vai muito mais longe.
É recorrente que os exames complementares de diagnóstico provenientes do SNS serem marcados para 4, 5 ou 6 meses após a requisição, desde que caia dentro dos 6 meses que é o prazo de validade das credenciais.
Se o utente se disponibilizar para substituir o SNS no pagamento, ou seja, se pagar o respectivo exame, aparece de imediato a vaga, basta esperar poucos dias. Ou seja, existem e estão disponíveis, os meios humanos e técnicos para que se realize o exame dentro de um prazo perfeitamente aceitável, para que o diagnóstico e o respectivo tratamento se for o caso, se realize a tempo de inverter a doença e assim diminuir e parar o sofrimento.
Esta prática de “se pagares já, és atendido, se não vais ali para a fila dos esquecidos” é no mínimo desumana, atentatória do direito à saúde igual para todos e de um descaramento atroz.
Relembro o que escrevi no início deste texto: o Estado paga, pode pagar mais tarde mas paga, e é o grande cliente destas empresas que, se por mera hipótese, acabasse o contrato com o Estado dificilmente sobreviviam, tal é o volume de trabalho proveniente do SNS. Esta é a prática a que também vamos assistindo localmente, em Torres Novas e nas redondezas.
Quem ainda não passou pela situação de correr as localidades vizinhas – Entroncamento, Alcanena, Tomar, à procura de uma data e/ou à procura do preço mais baixo? A credencial tem um prazo de 6 meses para ser atendida, cumpre-se esse prazo, o doente não pode dizer que foi excluído, mas como 6 meses não é compatível com o problema que tem ou pensa ter, depressa esquece o SNS e todos os impostos que paga e puxa da carteira para resolver o seu problema de saúde, se tiver condições financeiras para isso.
Os seguros privados de saúde também entram nesta equação, também se pergunta ao doente se tem algum, porque também serve de passaporte para ser atendido rapidamente. Os doentes provenientes do SNS são preteridos, ostracizados, esquecidos, relegados para o fim da lista, por estas entidades, sem apelo nem agravo. Caminhamos muito rapidamente para termos um sistema de saúde para ricos e outro para pobres.
E assim se vai destruindo o Serviço Nacional de Saúde, por responsabilidade do privado, dos responsáveis governamentais que sabem disto e nada fazem. A culpa nunca é de quem não fornece o serviço com qualidade. Esses, na sombra, vão destruindo esse direito inalienável à saúde, e a culpa é sempre dos mesmos, do SNS e dos que lá trabalham.
O negócio da Saúde é dos mais apetecíveis. E, já agora, deixem de chamar Sistema Nacional de Saúde ao SNS. A palavra, que tem honras constitucionais, é SERVIÇO!!
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
As costas largas do SNS - antónio gomes
Opinião
» 2022-09-11
» António Gomes
“E assim se vai destruindo o Serviço Nacional de Saúde, por responsabilidade do privado, dos responsáveis governamentais que sabem e nada fazem.
A despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com meios complementares de diagnóstico e terapêutica privados chegou ao valor mais alto de sempre no ano passado, 718 milhões de euros. Trata-se de um aumento de 48% entre 2021 e 2020. Estes dados foram recentemente relatados pelo Jornal de Notícias.
O Estado paga e paga muito ao sector privado da saúde, dinheiro proveniente do orçamento do Ministério da Saúde (o dinheiro para algum lado vai). Mas o setor privado da saúde, não se contenta com isto, vai muito mais longe.
É recorrente que os exames complementares de diagnóstico provenientes do SNS serem marcados para 4, 5 ou 6 meses após a requisição, desde que caia dentro dos 6 meses que é o prazo de validade das credenciais.
Se o utente se disponibilizar para substituir o SNS no pagamento, ou seja, se pagar o respectivo exame, aparece de imediato a vaga, basta esperar poucos dias. Ou seja, existem e estão disponíveis, os meios humanos e técnicos para que se realize o exame dentro de um prazo perfeitamente aceitável, para que o diagnóstico e o respectivo tratamento se for o caso, se realize a tempo de inverter a doença e assim diminuir e parar o sofrimento.
Esta prática de “se pagares já, és atendido, se não vais ali para a fila dos esquecidos” é no mínimo desumana, atentatória do direito à saúde igual para todos e de um descaramento atroz.
Relembro o que escrevi no início deste texto: o Estado paga, pode pagar mais tarde mas paga, e é o grande cliente destas empresas que, se por mera hipótese, acabasse o contrato com o Estado dificilmente sobreviviam, tal é o volume de trabalho proveniente do SNS. Esta é a prática a que também vamos assistindo localmente, em Torres Novas e nas redondezas.
Quem ainda não passou pela situação de correr as localidades vizinhas – Entroncamento, Alcanena, Tomar, à procura de uma data e/ou à procura do preço mais baixo? A credencial tem um prazo de 6 meses para ser atendida, cumpre-se esse prazo, o doente não pode dizer que foi excluído, mas como 6 meses não é compatível com o problema que tem ou pensa ter, depressa esquece o SNS e todos os impostos que paga e puxa da carteira para resolver o seu problema de saúde, se tiver condições financeiras para isso.
Os seguros privados de saúde também entram nesta equação, também se pergunta ao doente se tem algum, porque também serve de passaporte para ser atendido rapidamente. Os doentes provenientes do SNS são preteridos, ostracizados, esquecidos, relegados para o fim da lista, por estas entidades, sem apelo nem agravo. Caminhamos muito rapidamente para termos um sistema de saúde para ricos e outro para pobres.
E assim se vai destruindo o Serviço Nacional de Saúde, por responsabilidade do privado, dos responsáveis governamentais que sabem disto e nada fazem. A culpa nunca é de quem não fornece o serviço com qualidade. Esses, na sombra, vão destruindo esse direito inalienável à saúde, e a culpa é sempre dos mesmos, do SNS e dos que lá trabalham.
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