A gente vai continuar - inês vidal
Opinião
» 2022-09-23
» Inês Vidal
" “O Jornal Torrejano é uma dessas coisas que me agarrou como sua, que eu visto como minha e que por mais voltas que dê, não sai cá de dentro. Uma missão, uma razão de ser, uma extensão de mim."
É difícil sentirmo-nos parte de algo. Podemos passar uma vida inteira a passar ao lado de uma vida inteira, sermos sempre supérfluos, o outro, apenas mais um. Viver à superfície, cumprir por cumprir, encarar a coisa como apenas e só mais uma etapa. Uma vez cumprida, a próxima... Poucas são as coisas que nos abraçam como se fossemos parte, que nos entranham mesmo sem estranhar, que se tornam pele e coração numa só respiração. Por mim falo. Na minha vida, poucas foram as coisas que se tornaram a minha voz, cuja essência se confundiu com a minha. Vivo habitualmente estranha, meramente de passagem. Mas apesar de poucas, houve umas e outras. Continua a haver e assim continuará. Não desgruda mais. Nunca.
O Jornal Torrejano é uma dessas coisas que me agarrou como sua, que eu visto como minha e que por mais voltas que dê, não sai cá de dentro. Uma missão, uma razão de ser, uma extensão de mim. Entramos, com esta edição, em mais um ano de história. Mais um ano da nossa história e da história dos outros, porque são as histórias dos outros e que logo se tornam a história de todos nós, que nos fazem estas páginas. E que lindas páginas já enche a nossa história.
Nascemos de um sonho de democracia, de contar o mundo, da certeza de que a informação e o saber são armas maiores contra as vozes únicas. Do vão de escada e da máquina de escrever, crescemos até ao que somos hoje: o jornal que conta a história de todos nós, tal como ela é.
Contrariedades inúmeras limitam-nos o exercício como o gostaríamos de cumprir, mas cá vamos, andando, crescendo e acreditando que o papel que nos fez nascer não só continua a fazer sentido, como faz cada vez mais sentido, reiterando assim a nossa crença de que é aqui que temos de estar.
Nem sempre é fácil, já o disse. Mas também nunca o foi e aqui estamos nós. Vivemos sozinhos, por nossa conta e risco, assumimos o controlo das nossas linhas, porque não nos vendemos a ninguém. Subsistimos graças a uma equipa que, tal como eu, não imagina um mundo sem jornais que informem, que contem e questionem. Mesmo que para isso, nos ponhamos a nós em causa. A nós, apenas. À verdade, nunca.
Os leitores deste jornal têm o direito de saber que a Câmara Municipal de Torres Novas paga, com o dinheiro de todos os munícipes – afectos ao poder e à oposição – 400 euros por mês, há anos, a um jornal digital regional só porque sim. Os leitores deste jornal têm direito a saber que essa mesma Câmara mantém uma avença de serviços com a rádio local por mil euros por mês e que é essa mesma Câmara que publica toda a publicidade institucional obrigatória (editais, avisos, entre outras) num único jornal do concelho. E não é no nosso. Não bastasse já tudo isso, é também essa Câmara que atribui agora dezenas de milhares de euros a uma associação que, na prática, publica uma revista. Isto é, é essa mesma Câmara que vai sustentar uma revista que na sua primeira edição tinha 14 fotografias do presidente da Câmara.
É difícil lutar contra isto, mas há muito que nos habituámos a ser o parente indesejado na grande mesa daquele jantar. Numa altura em que assistimos ao fim de inúmeras edições em papel de jornais nacionais - porque é difícil manter uma estrutura assim - o Jornal Torrejano subsiste sozinho, sem apoios, graças à carolice dos que ainda querem ver. Tudo porque nesta terra ainda há quem pense que as linhas escritas se podem comprar e que a subsídio-dependência é o único caminho para o poder. E os que lá estão aprenderam com quem lá estava antes. Perceberam que a informação é, efectivamente, o quarto poder e que, comprá-lo, é a única forma de mandar e desmandar sem ninguém questionar. Uma peneira para um sol que nos recusamos a tapar. A verdade, para nós, é apenas uma. É preto no branco, sem nuances. E é para saber dela que os nossos leitores nos procuram.
É por isso mesmo que hoje é apenas o primeiro dia de mais um ano da nossa história. Aos que nos mantém, o meu muito obrigada. Aos nossos colaboradores, não sei como agradecer tamanha carolice. Aos nossos anunciantes, um especial agradecimento por perceberem a importância de apoiar e ajudar a manter um jornal independente. Aos nossos cronistas, obrigada pelo tempo e partilha. Aos nossos leitores, saibam que é para vocês que insistimos em continuar. Ao poder, que gostava de nos poder calar, quero dizer apenas que aqui vamos continuar.
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
A gente vai continuar - inês vidal
Opinião
» 2022-09-23
» Inês Vidal
“O Jornal Torrejano é uma dessas coisas que me agarrou como sua, que eu visto como minha e que por mais voltas que dê, não sai cá de dentro. Uma missão, uma razão de ser, uma extensão de mim.
É difícil sentirmo-nos parte de algo. Podemos passar uma vida inteira a passar ao lado de uma vida inteira, sermos sempre supérfluos, o outro, apenas mais um. Viver à superfície, cumprir por cumprir, encarar a coisa como apenas e só mais uma etapa. Uma vez cumprida, a próxima... Poucas são as coisas que nos abraçam como se fossemos parte, que nos entranham mesmo sem estranhar, que se tornam pele e coração numa só respiração. Por mim falo. Na minha vida, poucas foram as coisas que se tornaram a minha voz, cuja essência se confundiu com a minha. Vivo habitualmente estranha, meramente de passagem. Mas apesar de poucas, houve umas e outras. Continua a haver e assim continuará. Não desgruda mais. Nunca.
O Jornal Torrejano é uma dessas coisas que me agarrou como sua, que eu visto como minha e que por mais voltas que dê, não sai cá de dentro. Uma missão, uma razão de ser, uma extensão de mim. Entramos, com esta edição, em mais um ano de história. Mais um ano da nossa história e da história dos outros, porque são as histórias dos outros e que logo se tornam a história de todos nós, que nos fazem estas páginas. E que lindas páginas já enche a nossa história.
Nascemos de um sonho de democracia, de contar o mundo, da certeza de que a informação e o saber são armas maiores contra as vozes únicas. Do vão de escada e da máquina de escrever, crescemos até ao que somos hoje: o jornal que conta a história de todos nós, tal como ela é.
Contrariedades inúmeras limitam-nos o exercício como o gostaríamos de cumprir, mas cá vamos, andando, crescendo e acreditando que o papel que nos fez nascer não só continua a fazer sentido, como faz cada vez mais sentido, reiterando assim a nossa crença de que é aqui que temos de estar.
Nem sempre é fácil, já o disse. Mas também nunca o foi e aqui estamos nós. Vivemos sozinhos, por nossa conta e risco, assumimos o controlo das nossas linhas, porque não nos vendemos a ninguém. Subsistimos graças a uma equipa que, tal como eu, não imagina um mundo sem jornais que informem, que contem e questionem. Mesmo que para isso, nos ponhamos a nós em causa. A nós, apenas. À verdade, nunca.
Os leitores deste jornal têm o direito de saber que a Câmara Municipal de Torres Novas paga, com o dinheiro de todos os munícipes – afectos ao poder e à oposição – 400 euros por mês, há anos, a um jornal digital regional só porque sim. Os leitores deste jornal têm direito a saber que essa mesma Câmara mantém uma avença de serviços com a rádio local por mil euros por mês e que é essa mesma Câmara que publica toda a publicidade institucional obrigatória (editais, avisos, entre outras) num único jornal do concelho. E não é no nosso. Não bastasse já tudo isso, é também essa Câmara que atribui agora dezenas de milhares de euros a uma associação que, na prática, publica uma revista. Isto é, é essa mesma Câmara que vai sustentar uma revista que na sua primeira edição tinha 14 fotografias do presidente da Câmara.
É difícil lutar contra isto, mas há muito que nos habituámos a ser o parente indesejado na grande mesa daquele jantar. Numa altura em que assistimos ao fim de inúmeras edições em papel de jornais nacionais - porque é difícil manter uma estrutura assim - o Jornal Torrejano subsiste sozinho, sem apoios, graças à carolice dos que ainda querem ver. Tudo porque nesta terra ainda há quem pense que as linhas escritas se podem comprar e que a subsídio-dependência é o único caminho para o poder. E os que lá estão aprenderam com quem lá estava antes. Perceberam que a informação é, efectivamente, o quarto poder e que, comprá-lo, é a única forma de mandar e desmandar sem ninguém questionar. Uma peneira para um sol que nos recusamos a tapar. A verdade, para nós, é apenas uma. É preto no branco, sem nuances. E é para saber dela que os nossos leitores nos procuram.
É por isso mesmo que hoje é apenas o primeiro dia de mais um ano da nossa história. Aos que nos mantém, o meu muito obrigada. Aos nossos colaboradores, não sei como agradecer tamanha carolice. Aos nossos anunciantes, um especial agradecimento por perceberem a importância de apoiar e ajudar a manter um jornal independente. Aos nossos cronistas, obrigada pelo tempo e partilha. Aos nossos leitores, saibam que é para vocês que insistimos em continuar. Ao poder, que gostava de nos poder calar, quero dizer apenas que aqui vamos continuar.
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