Warning: file_get_contents(http://api.facebook.com/restserver.php?method=links.getStats&urls=jornaltorrejano.pt%2Fopiniao%2Fnoticia%2F%3Fn-c8eaf6ce): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 404 Not Found in /htdocs/public/www/inc/inc_pagina_noticia.php on line 148
Jornal Torrejano
 • SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 20 Abril 2026    •      Directora: Inês Vidal; Director-adjunto: João Carlos Lopes    •      Estatuto Editorial    •      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 25° / 9°
Períodos nublados
Qua.
 23° / 12°
Céu nublado
Ter.
 27° / 15°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  28° / 11°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O rio não é de ninguém -inês vidal

Opinião  »  2022-08-18  »  Inês Vidal

"“O director-executivo da empresa, como é que não percebe que está na altura da verdadeira contrição e de assumir que a empresa perdeu a aura divina que tem mantido?"

Tenho um postal na cabeça, daqueles que me acorre inúmeras vezes, normalmente quando estou feliz e quando tudo o que vejo surge a condizer com o meu estado de espírito. O rio Almonda, naquele troço que atravessa a aldeia de Lapas, e um grupo de miúdos que salta sem medo para a água, apenas com o gargalhar como som de fundo. A paisagem, a casa das portadas verdes que faz esquina, a alegria dos miúdos destemidos, sempre me pareceu uma imagem idílica, digna de um livro de Jorge Amado.

 Uma imagem idílica e inquestionável, porque o rio que nos atravessa é nosso, é de todos, daqueles que têm coragem de saltar para os seus braços e daqueles que, como eu, se limitam a ver e sonhar. Basta-me saber que ele está ali, para mim, assim eu queira. Não há sensação como essa. É exactamente por tudo isso que me sinto revoltada hoje. Por isso e por muito mais.

 Recordo-me de escrever em tempos que tenho algum orgulho de ser da terra da Renova. Marca arrojada e conceituada, ninguém sabe de onde venho se digo que sou de Torres Novas, mas toda a gente me situa quando digo que sou da terra de uma das maiores empresas de papel do país. Já os gabei por aqui muito, por isso mesmo me sinto à vontade para os bofetear agora. É vergonha o que sinto.

 Para os mais atentos, o assunto não é novo. A nascente do Almonda está paredes meias com a fábrica número 1 da empresa torrejana (ou a fábrica é que está paredes meias com a nascente, porque esta já lá estava muito antes), que ao longo dos anos foi crescendo em torno dela, a emparedou e a vedou, como se se pudesse ser dono da natureza. O tema veio novamente a lume há um tempo (já há muitos anos me recordo de acompanhar a CDU numas jornadas autárquicas ao local e a consternação já ser essa) e a população uniu-se para reivindicar, e bem, o direito ao que é seu.
Qual criança quando contrariada e só estando habituada a elogios, a Renova, ao invés de assumir os erros de anos passados e que não culpam ninguém do presente, de por eles pedir desculpa, devolver o seu a seu dono e remediar um caso que não poderá nunca ganhar, pelo menos moralmente, acaba por se enterrar ainda mais na culpa quando resolve, do alto do seu enorme ego, pressionar a Assembleia Municipal de Torres Novas, representante maior da vontade da população de Torres Novas.

 

Numa carta onde se tenta defender, sem sucesso, das recentes acusações da deputada comunista Cristina Tomé, sobre a, por esta referida, precaridade laboral na fábrica, a empresa espalha-se ao comprido quando afirma de uma forma triste, incompreensível, pouco inteligente e nada condizente com a imagem que tem tentado passar, que o rio é da Renova.

 Saiu-lhes o tiro pela culatra. O que a Renova não esperava é que toda a Assembleia Municipal (toda, menos um elemento, muito provavelmente pelas suas ligações à empresa em questão), num momento único na história autárquica local, se unisse – independentemente da cor política ou da Junta de Freguesia representada – na subscrição de uma recomendação à Câmara, promovida pela plataforma ambientalista “Um Colectivo”, onde pede, entre outras coisas, a devolução do berço do rio aos torrejanos. Uma união histórica, em parte acicatada não só pelo bom senso dos eleitos, como pela atentatória audácia da empresa torrejana, em assumir-se dona do rio. Como se o rio fosse de alguém...

 Estranho, no meio de tudo isto, o director-executivo da empresa. Génio de grande visão, homem que elevou a Renova ao patamar onde está hoje, como é que não percebe que está na altura de uma verdadeira contrição e de assumir que a empresa perdeu a aura divina que tem mantido e que está a ser chamada a agir como todas as outras? Com deveres e direitos, sem impunidades? Temos orgulho em tê-la por cá, mas não a qualquer custo. Já cá estávamos antes. O rio já o era antes. E uma fábrica sem os seus trabalhadores não existe.

 Fiquem lá com o vosso papel às cores. O rio, esse, não é de ninguém. Quem o diz somos nós, os torrejanos. Todos eles, menos um.

 

 

 

 

 Outras notícias - Opinião


Alívio, decadência e sensatez »  2026-04-18  »  Jorge Carreira Maia

Um suspiro de alívio. Há muito que a União Europeia não recebia uma boa notícia. Teve-a no domingo com a derrota, nas eleições húngaras, de Viktor Orbán. Mais do que a vitória de Péter Magyar, o importante foi a derrota de um claro opositor ao projecto europeu, amigo de dois grande inimigos da União Europeia, Putin e Trump.
(ler mais...)


Miau »  2026-04-18  »  Carlos Paiva

Se eu tiver 20 ovelhas e o meu vizinho nenhuma, em média, cada um de nós tem 10 ovelhas. Sem análise crítica, a estatística pode espelhar tudo e qualquer coisa, menos a realidade. Mas são necessários números para iniciar todo o processo.
(ler mais...)


Celebremos o 25 de Abril, lutemos pela dignidade no trabalho »  2026-04-18  »  António Gomes

Poucos são os que entendem e menos ainda os que concordam com as alterações à legislação do trabalho que o governo do Montenegro quer impor a toda a força.

Ninguém pediu, ninguém reivindicou alterações legislativas para as relações do trabalho, nem sequer as confederações patronais, a coligação que apoia o governo não apresentou essas ideias em campanha eleitoral, não foram por isso sufragadas, não têm legitimidade.
(ler mais...)


Bloqueio infinito... »  2026-04-14  »  Hélder Dias

Este gajo é maluco... »  2026-04-14  »  Hélder Dias

O castelo fácil »  2026-04-05  »  Carlos Paiva

Uma estratégia comercial converteu-se em moda social. Não é propriamente inédito, diversas tentativas de estimular o consumo fizeram-no inúmeras vezes. Refiro-me especificamente à "experiência". Produtizou-se a "experiência" com o intuito de revitalizar turismo, restauração, hotelaria, entretenimento e cultura.
(ler mais...)


Até quando, passado, abusarás da nossa paciência? »  2026-04-05  »  António Mário Santos

Numa ida ao museu municipal Carlos Reis, no último sábado, a fim de participar numa acção cultural com a pintora torrejana Conceição Lopes, ouvi, dum interlocutor, ao defender a construção do museu de arqueologia industrial, que «quem não está atento e não respeita o seu passado, não está a contribuir para a construção do futuro».
(ler mais...)


Constituição, Saramago e Crueldade »  2026-04-03  »  Jorge Carreira Maia

Constituição. A Constituição portuguesa faz cinquenta anos. Tem marcas da época, isto é, do processo de ruptura com o regime autoritário do Estado Novo e da intensa luta política que se seguiu.
(ler mais...)


Escolas e influenciadores »  2026-03-22  »  Jorge Carreira Maia

Provocou alarido a investigação do Público sobre a presença, em espaço escolar, de influenciadores tidos como pouco recomendáveis. Foram detectados 80 casos. Discutiu-se o papel dos directores, mas também do Ministério da Educação, no controlo das entradas nas escolas.
(ler mais...)


Painéis fotovoltaicos ou a identidade patrimonial de uma cidade »  2026-03-22  »  António Gomes

Provavelmente já vamos tarde, tal é o número de atentados ao património, à paisagem urbana e arquitetónica do centro histórico de Torres Novas.

Quase tudo começou com o desleixo e o abandono de centenas de imóveis que hoje ou são ruínas em perigo para quem passa ou em alguns casos são espaços vazios emparedados fruto da intervenção forçada do município.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2026-04-14  »  Hélder Dias Este gajo é maluco...
»  2026-04-14  »  Hélder Dias Bloqueio infinito...
»  2026-03-22  »  António Gomes Painéis fotovoltaicos ou a identidade patrimonial de uma cidade
»  2026-04-05  »  António Mário Santos Até quando, passado, abusarás da nossa paciência?
»  2026-03-22  »  António Mário Santos Falemos de cultura e do que o município pode criar