• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
Directora: Inês Vidal   |     Domingo, 18 de Fevereiro de 2018
Pesquisar...
Qua.
 18° / 6°
Céu limpo
Ter.
 19° / 7°
Céu limpo
Seg.
 18° / 7°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  18° / 6°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O clube dos escritores traídos

Opinião  »  2017-04-06  »  Jorge Carreira Maia

"O século XX foi ontem. E se a História é fundamental para o compreendermos, a literatura que nele se escreveu tem uma importância idêntica. "

Há umas semanas noticiou-se que a editora de Agustina Bessa-Luís mandara retirar do mercado os livros desta autora. Parece que já não vendia o suficiente. Há claramente um conflito negocial, digamos assim, entre a editora e representantes da escritora. Não é esse assunto que me interessa, mas um que lhe está ligado. Agustina foi durante muitos anos, ao lado de José Saramago e de António Lobo Antunes, uma escritora com um amplo mercado. Como Saramago e Lobo Antunes, a escritora nortenha não escrevia literatura de entretenimento. Estávamos – e estamos, pois ainda é viva – perante uma autora brilhante, provocadora e, literariamente, exigente. Neste episódio, e independentemente da guerra negocial, há qualquer coisa que nos deveria fazer pensar.

Se olharmos para o século XX, há um conjunto de escritores bastante interessantes que entraram num limbo e que parecem estar a apagar-se da memória nacional. Sem ser exaustivo, recordo José Rodrigues Miguéis, Carlos de Oliveira, Vergílio Ferreira, José Cardoso Pires, Augusto Abelaira, Irene Lisboa, Fernanda de Castro, José Régio, Jorge de Sena, Vitorino Nemésio, Ruben A., Maria Judite Carvalho, Nuno Bragança e Fernanda Botelho. Haverá nesta lista esquecimentos imperdoáveis, mas isso é irrelevante. Outros ainda estão bem vivos nas escolhas dos leitores. Alguns dos autores referidos ainda terão o seu público, mas a sensação que se tem é que a memória das suas obras encolhe a cada dia que passa. É esta retracção da sua presença no espaço mental português que nos deveria preocupar.

O século XX foi ontem. E se a História é fundamental para o compreendermos, a literatura que nele se escreveu tem uma importância idêntica. Aquilo que somos – e o que somos é sempre múltiplo e diferenciado – repercute-se nas diferentes obras literárias. A complexidade e a riqueza do ser português do século XX estão plasmadas nessas obras. Ora se elas se forem apagando por falta de leitores, é uma parte – e das mais importantes – de nós que morre ao abandono. Não ler a literatura do século XX – e a dos anteriores, diga-se – significa que deixámos de nos interessar por quem somos. Ler as obras já de nada valerá a muitos dos autores do século XX, pois já morreram. No entanto, pode-nos valer a nós, ajudar-nos a saber quem somos e porque estamos onde estamos. Um povo que deixa – por desinteresse e ignorância galopante – apagar-se a memória da sua literatura é um povo que está doente, muito doente. Não façamos com os escritores do século XX um triste clube dos escritores traídos.

http://kyrieeleison-jcm.blogspot.pt/

 

 

 Outras notícias - Opinião


A Igreja, o espírito e o sexo »  2018-02-16  »  Jorge Carreira Maia

A recente declaração do cardeal Clemente sobre abstinência sexual dos católicos recasados e a intensa luta, ao mais alto nível da hierarquia católica, sobre problemas de ordem moral tornam manifesta, mais uma vez, a grande dificuldade que a Igreja Católica enfrenta nas sociedades modernas.
(ler mais...)


A HISTÓRIA DAS TERAPIAS NÃO CONVENCIONAIS »  2018-02-15  »  Juvenal Silva

Quando o ser humano surgiu no planeta, os animais já o habitavam e as plantas já existiam há mais de 400 milhões de anos. As plantas conforme hoje as conhecemos, evoluíram a partir de espécies de algas primitivas.
(ler mais...)


Rankings »  2018-02-15  »  José Ricardo Costa

Até ao 5.º ano do liceu (actual 9.º ano) fui um aluno cujo rendimento andou algures entre o mau e o péssimo. Chumbei alegremente dois anos e devo à simpática benevolência docente não terem sido mais.
(ler mais...)


Gritos mudos »  2018-02-15  »  José Mota Pereira

Cada noite de frio, cada rajada deste vento polar convocam-nos para escutarmos aqueles a quem falta o conforto mínimo do agasalho. Esses são muito mais do que aqueles que se recolhem nos recantos das ruas e recebem nestes dias o aparato mediático com políticos de afecto, oportunidade (ia a escrever oportunista vejam lá) e verbo fácil.
(ler mais...)


A culpa é da árvore? »  2018-02-15  »  Denis Hickel

Ninguém pode ter deixado de reparar que já vamos em Fevereiro e a chuva ainda não foi o suficiente para sairmos da situação de seca e fazer correr os pequenos ribeiros. Ou ainda, que circula nos media que estão 40 milhões de mudas de eucalipto prontas para ir para o solo, seja para recuperar as perdas das áreas ardidas, ou mesmo ampliar a plantação para a indústria da pasta de papel.
(ler mais...)


A efetividade nos postos de trabalho ajuda tudo e todo »  2018-02-15  »  António Gomes

Encontra-se em fase de aplicação o PREVPAP – Programa de Regularização Extraordinário dos Vínculos Precários na Administração Pública.
A lei 112/2017 prevê os procedimentos do processo de regularização dos precários do Estado, onde se incluem os trabalhadores das autarquias locais.
(ler mais...)


Democratizar a mobilidade »  2018-02-15  »  Nuno Curado

Dada a sua dimensão, tenho cada vez mais a opinião de que Torres Novas teria muito a beneficiar com a promoção e melhoria das suas condições de mobilidade suave. Isto é, os meios de deslocação que não envolvem veículos motorizados, seja de bicicleta, a pé ou outro meio não motorizado.
(ler mais...)


"Passeio" pela cidade com o Gustavo »  2018-02-15  »  Anabela Santos

Há convites irrecusáveis…
- Gustavo, vamos à festa de aniversário do LIJ (Lar de Infância e Juventude), na alcaidaria do castelo?
O Gustavo com um sorriso de gozo, olhou para baixo e respondeu:
- Não posso! Ei!!! É o Gustavo.
(ler mais...)


O lado esquerdo da vida »  2018-02-15  »  Margarida Oliveira

É no lado esquerdo do peito que nos bate o coração. É lá o refúgio sagrado da nossa generosidade, abnegação e um profundo amor ao próximo.
Um músculo magnífico, que nos alimenta a razão, também mais assente no lado esquerdo do cérebro, a metade sentimental.
(ler mais...)


Associativismo »  2018-02-15  »  Inês Vidal

Tenho inúmeras vezes vontade de fugir de Torres Novas. Cansa-me o mesmo de sempre, o tudo igual. As mesmas caras, as mesmas políticas, os mesmos políticos, os mesmos problemas, os mesmos passeios, as mesmas vistas, os mesmos limites, e estes sempre tão curtos.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 10 dias)
»  2018-02-09  »  Jorge Carreira Maia A esquerda e os rankings escolares
»  2018-02-16  »  Jorge Carreira Maia A Igreja, o espírito e o sexo
»  2018-02-15  »  Anabela Santos "Passeio" pela cidade com o Gustavo