Chancelaria: a falta de médico e as consultas do recurso - acácio gouveia
Opinião
» 2023-05-24
» Acácio Gouveia
" “É injusto atribuir as dificuldades acrescidas que os habitantes da Chancelaria experimentam, na actual conjuntura, se devam a discriminação."
O artigo dando conta do desagrado (mais do que compreensível) por parte da população da freguesia da Chancelaria, merece-me os seguintes comentários.
Antes de mais, é indubitável que a população sofre de grave limitação de acesso aos cuidados médicos, que deveriam ser prestados pelo centro de saúde. Contudo, os cuidados de enfermagem continuam a ser prestados normalmente.
Vejamos: os cuidados médicos eram prestados à população da freguesia por uma colega com horário de 40 ou, pelo menos, 35 horas semanais. Na ausência da médica, estes utentes vêem-se forçados a recorrer à consulta aberta do Centro de Saúde de Torres Novas, a qual já dava resposta a um considerável número de utentes do concelho que não tem médico de família. Assim sendo, desde que a Dra. Sandra saiu, poderemos calcular que o número de utentes canalizados para a consulta de recurso terá duplicado, sem que o horário de atendimento médico tenha variado: 18 horas/ semana (metade ou menos das que tinham disponíveis, quando aquela médica estava ao serviço). Fazendo um cálculo grosseiro (e comparando a quantidade de utentes com o número de horas de consulta médica) podemos dizer que a disponibilidade é um quarto da que tinham previamente os habitantes da freguesia da Chancelaria.
Portanto, fica provado que é injusto atribuir as dificuldades acrescidas que os habitantes da Chancelaria experimentam, na actual conjuntura, se devam a discriminação. A causa está, isso sim, numa carga de trabalho muito superior aquela é possível dar resposta de forma atentada e com o mínimo de qualidade.
Se a recente colocação temporária de uma jovem especialista de medicina familiar na consulta de recurso poderia vir a traduzir-se em alívio destes constrangimentos, a perda recente de mais um médico (agora de Assentis) irá agravar a situação.
Infelizmente, a solução não está nas mãos dos autarcas, que mais não podem fazer do que o que têm feito: dar voz do descontentamento das populações afectadas.
Tal como a falta de chuva, a falta de médicos não se resolve facilmente e, desgraçadamente, não se vislumbra realismo político para enfrentar nem uma, nem outra. Não se iludam os torrejanos com a abertura de mais de 900 vagas para médicos de família, anunciada com estardalhaço e irresponsabilidade, pelo ministro da Saúde. Se houver 330 candidatos às tais nove centenas de lugares será uma sorte!
*médico
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Chancelaria: a falta de médico e as consultas do recurso - acácio gouveia
Opinião
» 2023-05-24
» Acácio Gouveia
“É injusto atribuir as dificuldades acrescidas que os habitantes da Chancelaria experimentam, na actual conjuntura, se devam a discriminação.
O artigo dando conta do desagrado (mais do que compreensível) por parte da população da freguesia da Chancelaria, merece-me os seguintes comentários.
Antes de mais, é indubitável que a população sofre de grave limitação de acesso aos cuidados médicos, que deveriam ser prestados pelo centro de saúde. Contudo, os cuidados de enfermagem continuam a ser prestados normalmente.
Vejamos: os cuidados médicos eram prestados à população da freguesia por uma colega com horário de 40 ou, pelo menos, 35 horas semanais. Na ausência da médica, estes utentes vêem-se forçados a recorrer à consulta aberta do Centro de Saúde de Torres Novas, a qual já dava resposta a um considerável número de utentes do concelho que não tem médico de família. Assim sendo, desde que a Dra. Sandra saiu, poderemos calcular que o número de utentes canalizados para a consulta de recurso terá duplicado, sem que o horário de atendimento médico tenha variado: 18 horas/ semana (metade ou menos das que tinham disponíveis, quando aquela médica estava ao serviço). Fazendo um cálculo grosseiro (e comparando a quantidade de utentes com o número de horas de consulta médica) podemos dizer que a disponibilidade é um quarto da que tinham previamente os habitantes da freguesia da Chancelaria.
Portanto, fica provado que é injusto atribuir as dificuldades acrescidas que os habitantes da Chancelaria experimentam, na actual conjuntura, se devam a discriminação. A causa está, isso sim, numa carga de trabalho muito superior aquela é possível dar resposta de forma atentada e com o mínimo de qualidade.
Se a recente colocação temporária de uma jovem especialista de medicina familiar na consulta de recurso poderia vir a traduzir-se em alívio destes constrangimentos, a perda recente de mais um médico (agora de Assentis) irá agravar a situação.
Infelizmente, a solução não está nas mãos dos autarcas, que mais não podem fazer do que o que têm feito: dar voz do descontentamento das populações afectadas.
Tal como a falta de chuva, a falta de médicos não se resolve facilmente e, desgraçadamente, não se vislumbra realismo político para enfrentar nem uma, nem outra. Não se iludam os torrejanos com a abertura de mais de 900 vagas para médicos de família, anunciada com estardalhaço e irresponsabilidade, pelo ministro da Saúde. Se houver 330 candidatos às tais nove centenas de lugares será uma sorte!
*médico
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» Acácio Gouveia
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» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
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» 2026-05-18
» Carlos Paiva
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» 2026-05-18
» António Gomes
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» 2026-05-18
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» 2026-06-07
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