O REGICÍDIO
Opinião
» 2016-02-04
» José Ricardo Costa
"É impossível saber o que poderia ter sido o século XX português sem o regicídio e o posterior golpe dos fanáticos republicanos. Não posso dizer que Portugal estivesse muito melhor do que hoje. Mas arrisco dizer que estaria melhor pelo que não teria vindo a acontecer depois."
Pode ser estranho um homem tão fleumático como Alexandre Herculano ter chorado que nem uma Madalena no funeral de D. Pedro V, também ele um fleumático, bem mais Saxe-Coburgo do que Bragança, como diz Maria Filomena Mónica na sua biografia. Tal reacção pode ser explicada não só pela sua ligação pessoal ao jovem rei mas também por este ter sido uma espécie de milagre alemão num país como Portugal. E basta pensar no «exílio» ribatejano de Herculano para ajudar a perceber as afinidades electivas com um rei que também se sentia culturalmente exilado numa pátria com a qual, ao contrário do pai, nunca se conformou. Numa carta de Agosto de 1856 ao príncipe Alberto de Inglaterra, seu tio, escrevia o seguinte:
Quando uma pessoa é obrigada a viver na companhia dos nossos políticos, chega-se, ao fim e ao cabo, por perder toda a fé e uma mínima esperança de melhoramento.[...] Ainda nunca, em Portugal, um ministério foi derrubado pela acção da Câmara dos Deputados. Tem sido sempre, sempre revolução ou intriga que tem escorraçado os ministros dos seus lugares.
D. Pedro era inteligente mas não tinha poderes sobrenaturais. Não se deve pois ver na referida queda de políticos por via revolucionária ou palaciana em vez de normais procedimentos constitucionais, uma premonição do triste destino do seu futuro sobrinho, no Terreiro do Paço. Uma trágica ironia, apenas isso. Mais relevante é a sua perda de fé por saber que o problema de Portugal não está neste e naquele político, sendo antes estrutural, demasiado estrutural para um homem ou um regime.
Perda de fé, essa sim, sabiamente premonitória, se olharmos para a história que se seguiu ao crime bárbaro e soez de 1908 e para o golpe de estado de 1910, percebendo-se a sua inutilidade, já agora, outra ironia, numa monarquia pioneira na abolição da pena de morte. A doença de Portugal não resultava de um regime monárquico mas de si próprio enquanto país, sobretudo das suas elites. Foi tão absurdo, bárbaro e criminoso assassinar D. Carlos como teria sido assassinar Cavaco Silva, Sócrates ou Passos Coelho pelo descontentamento face aos seus governos, por muito maus que fossem. Portugal estava bem em 1908 ou 1910? Não, como não estava antes, não viria a estar depois e o mais certo é nunca vir a estar, sendo uma estúpida futilidade revolucionária matar um rei e pouco depois derrubar uma monarquia constitucional moderna. O que se seguiu é sobejamente conhecido: uma primeira república caótica e fratricida, uma segunda, fascista, e uma terceira que pagou caro o reaccionarismo da segunda, para além de também pagar caro os disparates de quem nela tem mandado. É impossível saber o que poderia ter sido o século XX português sem o regicídio e o posterior golpe dos fanáticos republicanos. Não posso dizer que Portugal estivesse muito melhor do que hoje. Mas arrisco dizer que estaria melhor pelo que não teria vindo a acontecer depois.
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O REGICÍDIO
Opinião
» 2016-02-04
» José Ricardo Costa
É impossível saber o que poderia ter sido o século XX português sem o regicídio e o posterior golpe dos fanáticos republicanos. Não posso dizer que Portugal estivesse muito melhor do que hoje. Mas arrisco dizer que estaria melhor pelo que não teria vindo a acontecer depois.
Pode ser estranho um homem tão fleumático como Alexandre Herculano ter chorado que nem uma Madalena no funeral de D. Pedro V, também ele um fleumático, bem mais Saxe-Coburgo do que Bragança, como diz Maria Filomena Mónica na sua biografia. Tal reacção pode ser explicada não só pela sua ligação pessoal ao jovem rei mas também por este ter sido uma espécie de milagre alemão num país como Portugal. E basta pensar no «exílio» ribatejano de Herculano para ajudar a perceber as afinidades electivas com um rei que também se sentia culturalmente exilado numa pátria com a qual, ao contrário do pai, nunca se conformou. Numa carta de Agosto de 1856 ao príncipe Alberto de Inglaterra, seu tio, escrevia o seguinte:
Quando uma pessoa é obrigada a viver na companhia dos nossos políticos, chega-se, ao fim e ao cabo, por perder toda a fé e uma mínima esperança de melhoramento.[...] Ainda nunca, em Portugal, um ministério foi derrubado pela acção da Câmara dos Deputados. Tem sido sempre, sempre revolução ou intriga que tem escorraçado os ministros dos seus lugares.
D. Pedro era inteligente mas não tinha poderes sobrenaturais. Não se deve pois ver na referida queda de políticos por via revolucionária ou palaciana em vez de normais procedimentos constitucionais, uma premonição do triste destino do seu futuro sobrinho, no Terreiro do Paço. Uma trágica ironia, apenas isso. Mais relevante é a sua perda de fé por saber que o problema de Portugal não está neste e naquele político, sendo antes estrutural, demasiado estrutural para um homem ou um regime.
Perda de fé, essa sim, sabiamente premonitória, se olharmos para a história que se seguiu ao crime bárbaro e soez de 1908 e para o golpe de estado de 1910, percebendo-se a sua inutilidade, já agora, outra ironia, numa monarquia pioneira na abolição da pena de morte. A doença de Portugal não resultava de um regime monárquico mas de si próprio enquanto país, sobretudo das suas elites. Foi tão absurdo, bárbaro e criminoso assassinar D. Carlos como teria sido assassinar Cavaco Silva, Sócrates ou Passos Coelho pelo descontentamento face aos seus governos, por muito maus que fossem. Portugal estava bem em 1908 ou 1910? Não, como não estava antes, não viria a estar depois e o mais certo é nunca vir a estar, sendo uma estúpida futilidade revolucionária matar um rei e pouco depois derrubar uma monarquia constitucional moderna. O que se seguiu é sobejamente conhecido: uma primeira república caótica e fratricida, uma segunda, fascista, e uma terceira que pagou caro o reaccionarismo da segunda, para além de também pagar caro os disparates de quem nela tem mandado. É impossível saber o que poderia ter sido o século XX português sem o regicídio e o posterior golpe dos fanáticos republicanos. Não posso dizer que Portugal estivesse muito melhor do que hoje. Mas arrisco dizer que estaria melhor pelo que não teria vindo a acontecer depois.
Brasil, China, Entre-os-Rios e Novo Banco
» 2019-03-09
» Jorge Carreira Maia
1. A DOENÇA DO BRASIL. Apesar de sermos latinos e de permitirmos coisas inaceitáveis nos países do centro e do norte da Europa, ainda é difícil para os portugueses compreender a doença que ataca com virulência inusitada o Brasil. |
Remodelação, Bloco, Greves e Exames
» 2019-02-22
» Jorge Carreira Maia
1. REMODELAÇÃO DO GOVERNO. A importância da remodelação do governo ocorrida no início da semana é, do ponto de vista da orientação política, tendencialmente nula. |
Mulher
» 2019-02-21
» Margarida Oliveira
Se é adquirido que com o 25 de Abril de 1974, as mulheres alcançaram o reconhecimento dos seus direitos mais fundamentais, exigindo a igualdade na vida, entre mulheres e homens, certo é, que fora o que seria obrigatório conceder, com o objectivo de serenar os ânimos reivindicativos femininos, praticamente tudo continua por fazer. |
Em suma, não se fotografa o que se come, come-se para fotografar.
» 2019-02-21
» José Ricardo Costa
Por estranho que pareça, houve um tempo em que se ia ao restaurante sobretudo para comer. Sim, também para conviver, comemorar, fazer negócios, mas sempre com o prazer da boa mesa como alvo. Nós, portugueses, para além de comer adoramos falar sobre o que comemos, nem que seja para lembrar, com a expressão lúbrica do lobo dos desenhos animados, o maravilhoso cabrito com grelos que comemos há 20 anos. |
Aero… coisa, mas muito séria
» 2019-02-21
» António Gomes
A noticia teve origem na informação prestada em reunião de câmara pelo vice-presidente da mesma: aeroporto internacional, 4 Kms de pista, 160 voos/dia, 200 milhões de investimento, etc.. E foi apresentada com pompa e circunstância, uma grande mais valia para Torres Novas e arredores. |
Opções
» 2019-02-21
» Anabela Santos
E de repente, quando somos agradavelmente surpreendidos por um montante razoável em euros de que não estávamos à espera, a reação é de espanto e de alegria. Faz falta, é sempre bem vindo. A partir do momento em que recebemos tão agradável notícia, impõe-se um pensamento … o que fazer com todo o dinheiro recebido? |
Para quê tanto vermelho?
» 2019-02-21
» Ana Sentieiro
O Dia de São Valentim é, à semelhança do Carnaval, do Dia da Mulher, do Dia da Aproximação do Pi ou do próprio Dia do Pi, uma celebração à qual não foi atribuída o estatuto de feriado e, como tal, não é respeitada no agregado de festividades. |
Beija o chão e abraça a humilhação
» 2019-02-15
» Ana Sentieiro
Olá! O meu nome é Ana, mas podes tratar-me por “caloira” num tom agressivo e um tanto incomodativo ou, se preferires, “besta”, acompanhado com “Enche vinte!” entoado de um modo pouco sugestivo. |
Caixa, Marcelo, Venezuela e Papa
» 2019-02-08
» Jorge Carreira Maia
1. CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS. O que se tem vindo a saber da Caixa Geral de Depósitos dá razão aos que, na União Europeia, julgam ser necessário impor uma espécie de protectorado aos países do sul da Europa. |
Lisboetas?
» 2019-02-07
» Inês Vidal
Tento fazer este exercício: o que é que as pessoas que não conhecem Torres Novas ficaram a saber sobre o nosso concelho, depois de lerem o artigo publicitário disfarçado de reportagem, que saiu no sábado numa alegada revista, de um honrado semanário nacional? Ora bem. |
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» 2019-02-22
» Jorge Carreira Maia
Remodelação, Bloco, Greves e Exames |
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» 2019-02-21
» Anabela Santos
Opções |
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» 2019-02-21
» António Gomes
Aero… coisa, mas muito séria |
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» 2019-02-21
» José Ricardo Costa
Em suma, não se fotografa o que se come, come-se para fotografar. |
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» 2019-02-21
» Margarida Oliveira
Mulher |