• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Domingo, 20 Janeiro 2019    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qua.
 14° / 9°
Céu nublado com chuva fraca
Ter.
 14° / 6°
Céu nublado com chuva fraca
Seg.
 14° / 5°
Céu limpo
Torres Novas
Hoje  14° / 8°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O REGICÍDIO

Opinião  »  2016-02-04  »  José Ricardo Costa

"É impossível saber o que poderia ter sido o século XX português sem o regicídio e o posterior golpe dos fanáticos republicanos. Não posso dizer que Portugal estivesse muito melhor do que hoje. Mas arrisco dizer que estaria melhor pelo que não teria vindo a acontecer depois."

Pode ser estranho um homem tão fleumático como Alexandre Herculano ter chorado que nem uma Madalena no funeral de D. Pedro V, também ele um fleumático, bem mais Saxe-Coburgo do que Bragança, como diz Maria Filomena Mónica na sua biografia. Tal reacção pode ser explicada não só pela sua ligação pessoal ao jovem rei mas também por este ter sido uma espécie de milagre alemão num país como Portugal. E basta pensar no «exílio» ribatejano de Herculano para ajudar a perceber as afinidades electivas com um rei que também se sentia culturalmente exilado numa pátria com a qual, ao contrário do pai, nunca se conformou. Numa carta de Agosto de 1856 ao príncipe Alberto de Inglaterra, seu tio, escrevia o seguinte:

Quando uma pessoa é obrigada a viver na companhia dos nossos políticos, chega-se, ao fim e ao cabo, por perder toda a fé e uma mínima esperança de melhoramento.[...] Ainda nunca, em Portugal, um ministério foi derrubado pela acção da Câmara dos Deputados. Tem sido sempre, sempre revolução ou intriga que tem escorraçado os ministros dos seus lugares.

 D. Pedro era inteligente mas não tinha poderes sobrenaturais. Não se deve pois ver na referida queda de políticos por via revolucionária ou palaciana em vez de normais procedimentos constitucionais, uma premonição do triste destino do seu futuro sobrinho, no Terreiro do Paço. Uma trágica ironia, apenas isso. Mais relevante é a sua perda de fé por saber que o problema de Portugal não está neste e naquele político, sendo antes estrutural, demasiado estrutural para um homem ou um regime. 


Perda de fé, essa sim, sabiamente premonitória, se olharmos para a história que se seguiu ao crime bárbaro e soez de 1908 e para o golpe de estado de 1910, percebendo-se a sua inutilidade, já agora, outra ironia, numa monarquia pioneira na abolição da pena de morte. A doença de Portugal não resultava de um regime monárquico mas de si próprio enquanto país, sobretudo das suas elites. Foi tão absurdo, bárbaro e criminoso assassinar D. Carlos como teria sido assassinar Cavaco Silva, Sócrates ou Passos Coelho pelo descontentamento face aos seus governos, por muito maus que fossem. Portugal estava bem em 1908 ou 1910? Não, como não estava antes, não viria a estar depois e o mais certo é nunca vir a estar, sendo uma estúpida futilidade revolucionária matar um rei e pouco depois derrubar uma monarquia constitucional moderna. O que se seguiu é sobejamente conhecido: uma primeira república caótica e fratricida, uma segunda, fascista, e uma terceira que pagou caro o reaccionarismo da segunda, para além de também pagar caro os disparates de quem nela tem mandado. É impossível saber o que poderia ter sido o século XX português sem o regicídio e o posterior golpe dos fanáticos republicanos. Não posso dizer que Portugal estivesse muito melhor do que hoje. Mas arrisco dizer que estaria melhor pelo que não teria vindo a acontecer depois.

 

 

 Outras notícias - Opinião


As eleições europeias »  2019-01-11  »  Jorge Carreira Maia

Das três eleições que decorrerão este ano – Regionais da Madeira, Legislativas e Europeias – serão estas últimas as mais importantes para o nosso destino a médio prazo.
(ler mais...)


O desassossego »  2019-01-11  »  Anabela Santos

Ou eu estou num estado de loucura que me faz confundir o real com o irreal, ou vivo num país imaginário, num sonho (menos bom) permanente, ou totalmente enganada vinte e quatro horas por dia.

Não são poucas as vezes que ouço ou leio nos meios de comunicação que o país vive tempos tranquilos.
(ler mais...)


E o Zeca revisitou-nos »  2019-01-11  »  António Gomes

Não foi um qualquer concerto, foi mesmo a sério. O Zeca revisitou-nos, desta vez no Estúdio Alfa, pela mão dos “LaFontinha”. Tal como há 50 anos, José Afonso esteve entre nós, em Torres Novas.
(ler mais...)


Como a dor desfolha o peito »  2019-01-11  »  Carlos Tomé

1.Embora uma das imagens de marca do antigo regime fosse a opressão, felizmente existem histórias de resistência espalhadas por muitos locais. A resistência contra o fascismo não foi uma expressão meramente teórica, antes foi preenchida com muitos exemplos reais, episódios de coragem, gente de carne e osso que trocou as voltas ao destino, lutando contra ventos e marés.
(ler mais...)


O negócio dos extremos »  2018-12-20  »  Jorge Carreira Maia

Uma das questões que parece atormentar certos comentadores políticos é a da ausência de uma extrema-direita em Portugal. Apesar de isso não ser completamente verdade – não existe uma extrema-direita organizada politicamente, mas existe uma extrema-direita social, ainda inorgânica –, há uma outra questão que deveria merecer atenção.
(ler mais...)


A OBESIDADE É UM PROBLEMA DE SAÚDE »  2018-12-19  »  Juvenal Silva

A obesidade é um problema de saúde e também um fator de risco para diversas doenças. Pessoas com mais de 20% de peso acima do recomendado para a sua altura e sexo, são mais vulneráveis a doenças degenerativas, nomeadamente problemas cardíacos, determinados tipos de doenças cancerosas, diabetes, artrite, etc.
(ler mais...)


Os(as) caixas de supermercado »  2018-12-19  »  António Gomes

Todos os anos por esta altura, sou confrontado com os episódios que se repetem quase mecanicamente nas grandes superfícies comerciais - estou a falar daquele dueto entre cliente e o caixa – “bom dia”, “boa tarde” ou “boa noite”, “quer um saco?”, “tem cartão cliente e factura com número de contribuinte, deseja?”

Dias, semanas seguidas, ali estão elas ou eles sempre disponíveis e na esmagadora maioria bem-humorados.
(ler mais...)


Haja fé »  2018-12-19  »  Anabela Santos

Assim, em pouco mais de um abrir e fechar de olhos, estamos, de novo, em Dezembro. Mês de festa, de família, de celebrar o aniversário de Jesus Cristo, presépio, árvore de Natal, luzes, música, afetos, união e solidariedade.
(ler mais...)


O Cacetete »  2018-12-19  »  Miguel Sentieiro

Neste momento de convulsão social, com inúmeras classes profissionais em greve, existe uma em particular que não me consegue deixar indiferente. A greve dos guardas prisionais acontece por uma clara falta de diálogo e de desconhecimento por parte dos sindicatos do plano estratégico mais profundo que se trata da criação de um novo super herói tuga chamado “Guarda Prisional numa cadeia portuguesa” ou GPCP.
(ler mais...)


Alheados »  2018-12-19  »  Inês Vidal

Afastámo-nos da coisa pública. Por descrédito, por falta de tempo, por egoísmo. Seja por que motivo for, andamos tendencialmente longe de tudo o que diz respeito à gestão das nossos destinos e deixamos em mãos alheias as decisões da nossa vida.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2019-01-11  »  Jorge Carreira Maia As eleições europeias
»  2019-01-11  »  António Gomes E o Zeca revisitou-nos
»  2019-01-11  »  Anabela Santos O desassossego
»  2019-01-11  »  Carlos Tomé Como a dor desfolha o peito