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"Ser-se líder hoje é ser-se superior à bisbilhotice"

Opinião  »  2014-10-10  »  Carlos Ramos

Ser-se líder, hoje, passa por ser-se um educador de virtudes, de valores humanos e cristãos, acreditando que poderá fazer-se a diferença num mundo hipócrita que nos rodeia. Ser-se líder é fazer a diferença no bem, na procura da verdade e na sua promoção.

O líder é responsável por criar esse ambiente de verdade, não deixando que no grupo que lidera domine um ambiente hostil, deprimente, onde reine o pior dos defeitos de que sociedade moderna padece: a ditadura da mesquinhez, da inverdade, do vale tudo para que a minha ideia sobreviva, seja ela qual for.

O líder transforma o grupo e experimenta no grupo o ambiente de ”casa” do afeto, da justiça, da liberdade na responsabilidade, da verdade, da partilha, do respeito. Faz do grupo a ”casa” de Deus e da Humanidade.

Ser-se líder é ser-se superior à ”bisbilhotice e maledicência”. Para o Papa Francisco, tais posturas constituem um pecado que afeta a Igreja em cada comunidade católica e são nefastas para toda a sociedade. Um líder terá de ser implacável com tais comportamentos indignos do ser humano. Muitos deles, criticados pelo Papa Francisco, constituem autênticos homicídios sociais de muitos inocentes, que se vêm nas primeiras páginas dos jornais e dos comentários indecorosos de pseudo moralistas. São inaceitáveis os julgamentos sociais na base do ”ouvi dizer”, pareceu-me que… pensava que… onde há fumo há fogo, etc.

Ora, a cultura portuguesa enferma atualmente de um ambiente de ”bisbilhotice e maledicência” que nas palavras do Papa Francisco acontecem quando as pessoas se colocam ”em primeiro lugar e no centro das suas ambições pessoais, julgando os outros”. Precisamos de crescer na humanidade cristã e nos valores universais para que a vida aconteça com verdade e no respeito pela individualidade e consciência individual. A mensagem cristã não se pode resumir-se à oralidade discursiva ou ao belo texto, ela terá que encarnar na vida dos homens e mulheres do nosso tempo. O anúncio evangélico é vida nova que transforma os corações e as mentes. Este anúncio precisa ser efetivo no testemunho das comunidades católicas e nas famílias que se dizem católicas. Mas, também, no mundo que necessita de transformação cultural em ordem à superação da tendência animalesca da sobrevivência pela bisbilhotice e maledicência.

Os ”bisbilhoteiros e maledicentes” são por natureza fracos e fracas que recorrem a métodos nada convencionais para denegrirem o próximo, à técnicas dos comentários anónimos e irresponsáveis em locais públicos, nas esquinas, em pseudo reuniões de trabalho, etc. Ficam na inverdade e na parcialidade, porque não são capazes de ouvir os envolvidos, porque afinal são pessoas servis da fraqueza do mal e da inveja, que cedem ao mal e à criação da suspeita.

”Por vezes, as nossas paróquias, chamadas a ser lugar de partilha e de comunhão, são tristemente marcadas por invejas, ciúmes, antipatias”, lamenta o Papa. Precisamos de estabelecer um encontro mais profundo com o Bem, a Verdade e o Belo da vida que nos é dada por Deus. Cada um de nós, na comunidade humana, pode deixar o mundo algo melhor, basta ser imagem e semelhança de Deus. Ser-se líder é ser-se superior e vencedor na luta contra a bisbilhotice e maledicência.

 

 

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