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A Nikita em Torres Novas (ou uma crónica pessoal pouco ou nada revolucionária no Centenário da Revolução de Outubro)

Opinião  »  2017-11-29  »  José Mota Pereira

"Naquele mês de junho de 1985 eu conheci os olhos de Nikita."

Recuemos a 1985. Ao final desse ano. Elton John lançou “Nikita” um dos seus maiores sucessos musicais. A temática era claramente influenciada pelo ambiente de mudança que se começava a viver na Europa de Leste, desde que em março, na União Soviética, Gorbachev chegara a secretário geral do PCUS, anunciando um plano de reformas – a Perestroyka – que viria a alterar o mapa do mundo.

Nessa canção (e no vídeo clip correspondente que se lhe associou), Elton John fala de um amor impossível (à primeira vista?) com a pobre Nikita, uma mulher soviética, soldado do Exercito Vermelho. Na canção e no videoclip o cantor britânico imagina como seria a vida da pobre Nikita se pudesse desfrutar do mundo “livre” e supostamente feliz do lado ocidental.

Entre o mês de março da chegada de Gorbachev ao poder e o lançamento de Nikita outro acontecimento de nível mundial ocorreu e… em Torres Novas!

Em junho, num dia de calor, a vila recebeu a visita de um Grupo Folclórico de…soviéticos! Este acontecimento que pode parecer banal e vulgar, constituiu então para o cronista acontecimento de relevo e emocionalmente espantoso, tanto mais que contava na altura com 11 valentes anos de vida e vastos – assim acreditava - conhecimentos da cultura soviética adquiridos sobretudo (mas não só) na coleção das revistas “Vida Soviética” que os avós tinham numa das estantes de casa. Ora se os soviéticos vinham a Torres Novas, os mesmos soviéticos felizes das fotografias das revistas, esse acontecimento não era coisa de causar espanto e expectativa?

Com espetáculo programado para a tarde no Cine Teatro Virginia, a manhã foi dedicada à receção à comitiva bem como a uma visita no mini-autocarro da Câmara Municipal em torno dos locais de visita obrigatória na nossa região.
Movendo as minhas influências – o meu pai era membro do núcleo local da Associação de Amizade Portugal/URSS – consegui infiltrar-me no autocarro para poder do alto dos meus 11 anos conviver com os membros do grupo de folclore Voljanka.

Não deixei, à primeira vista de estranhar, as roupas com que vestiam. Pareciam saídos de uma das séries de televisão dos anos 70… Aquela malta, em plenos anos 80 exibiam garbosas calças à boca de sino! Perante a minha perplexidade, alguém de Torres Novas, explicou-me de supetão (ou seria um raspanete?) que no socialismo a moda não era coisa prioritária. Lá aceitei a douta explicação a la minuta - afinal sempre há alturas na vida em que ficamos felizes com as explicações mais simples.

O convívio com os soviéticos foi agradável. O diálogo não se estabeleceu facilmente, nem eu nem eles eramos versados em línguas, mas entre visitas ao Castelo, ás Grutas das Lapas e à Villa Cardilium, ainda houve momentos agradáveis de convívio. O espetáculo da tarde correu de forma excelente, o Virgínia encheu e o Grupo de Folclore deslumbrou o público. A verdade é que já passaram mais de 32 anos e naquela tarde, ninguém poderia imaginar que a União Soviética vivia os seus últimos anos de existência.

As minhas influências – é bom ter poder, por mais pequeno que seja – permitiram-me estar nos bastidores do Teatro. Assim na despedida, uma das soviéticas, a mais bonita das soviéticas, veio despedir-se de mim, oferecendo-me uma pequena peça de artesanato russo e, glória! glória! um beijo no rosto com um sorriso de olhos azuis que nunca esquecerei. Incapaz de comunicar, fiquei mudo, quieto, calado! Aquele beijo foi como receber a medalha Lenine aos 11 anos!

Invejai-vos!!! Quantos de vocês, leitores, receberam um beijo de uma soviética?

Obviamente, nunca mais soube nada do Grupo Voljanka nem da simpática soviética. Mas sem que ela me tenha dito, aposto que sei o seu nome. Naquele mês de junho de 1985 eu conheci os olhos de Nikita. Eles estiveram aqui, na vila de Torres Novas, no largo do Virgínia. Ainda o Elton John não sonhava com ela.

 

 

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