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TORRES NOVAS EM 1985: parabéns, cidade! - josé mota pereira

Opinião  »  2020-07-18  »  José Mota Pereira

Em 1985, as pessoas da zona alta vinham à vila. E diziam-no quando vinham ao centro! Ainda hoje, passados 35anos, vem-se à vila. Eram bem diferentes os limites físicos. A vila terminava junto à capela de Santo António e todas as urbanizações circundantes à Av. Sá Carneiro eram inexistentes. O Colégio Andrade Corvo era considerado fora da vila e a Serrada Grande era um lugarejo distante.

Do outro lado, a Cidade estendera-se timidamente para lá da Escola Secundária, com a criação da Av. Manuel Figueiredo que ligava ao Estádio Municipal e ao novo “Ciclo Preparatório” por meio de um olival. A Urbanização da Silvã era apenas uma miragem.

Aliás, só havia uma escola secundária, havia a escola preparatória novinha em folha e o ensino primário dividia-se nas escolas velhinhas junto à secundária e a primária na zona alta (descendente da chamada “escola vassalo” criada pelo impulso das populações no pós Abril) e inaugurada no ano lectivo 1980 -1981.

Na saúde, havia o Hospital Distrital de Torres Novas e a Casa de Saúde Santa Isabel. Faziam-se análises na dra Teresa Parente e radiografias no Dr. Fagulha. Os medicamentos compravam-se nas 4 farmácias: Higiene, Lima, Central e Nicolau.

Na justiça, havia comarca aqui sedeada e no edifício também novo do Tribunal, funcionavam igualmente os serviços de registos e notário. A biblioteca ficava no Salvador e o museu ficava logo ali junto. E claro, no verão, era obrigatório passar pelas piscinas abertas e ao ar livre.

Havia a Feira de Março e não existiam hipermercados. O grande supermercado da moda era o Solmira com duas lojas – uma na av. 25 de Abril e a recém inaugurado na Rua de Santo António! De resto, eram os mini-mercados que dominavam a venda a retalho.

Dentro do perímetro da cidade existiam actividades industriais. Entre outras, havia tipografias (Fonseca e Conde Marques), metalúrgicas (como a Nery, os Lourenços, Joaquim Vieira, Nicolau de Freitas, etc etc), carpintarias (como a Madeiarte), a Central Elétrica, com a Empresa Industrial de Electricidade do Almonda em processo de transferência para a EDP e, claro, obviamente, a Fiação com as suas duas fábricas. O CEP 04 da Rodoviária Nacional tinha aqui a sua sede, mais as suas oficinas. Os telefones e as telecomunicações, também tinham aqui um dos mais importantes centros do país. Claro, e muitos serviços associados a tudo isto.

Do comércio artesanal, havia quase tudo mas também é verdade que começava a ser moda as classes médias começarem a procurar noutras bandas, como no Entroncamento, novas formas de comércio mais atractivas.
O mercado municipal, à terça-feira, tinha uma importância vital. Aos frescos das verduras, no Almonda Parque, juntava-se o bacalhau, a charcutaria, bugigangas diversas, roupa e muitas cassetes piratas. Nesse tempo, a vila ainda era invadida por carroças. O mercado diário que funcionava na Praça do Peixe, era ainda muito frequentado com verduras, legumes, talhos e peixe. Quem entrasse pelo lado do túnel ouvia de imediato a velha Pechincha peixeira apregoando a sardinha linda.

Pastelarias eram praticamente inexistentes, a Pastelaria Vítor Pinto já encerrara, a Abidis definhava e a Vicente e Madruga estava a dar os primeiros passos. Para se beber café, na zona alta dominavam o Pérola e o Planalto. Cá em baixo, as classes médias frequentavam o Império, mas o grande café da vila era o Café Portugal. Frequentado democraticamente por pessoas de todas as classes, era ponto de encontro obrigatório. Antes do 25 de Abril, tinha sido ponto de encontro de uma certa intelectualidade e em 1985 mantinha uma aura respeitável. As mesa de mármore, os azulejos na parede, o balcão, a velha máquina registadora, os empregados (o sr José, lembram-se ?) impecáveis na função de bata azul, eram uma marca distintiva. Como sinal dos tempos, o Café Portugal deu lugar a um banco. Por esses tempos também era hábito parar na “Esplanada do Mourão” nos passeios que se davam ao Domingo na Avenida. Quem não dava a volta à Avenida?

O Café Viela era também um dos lugares de culto frequentado por uma clientela nova e que, diríamos hoje, de gostos alternativos ao mainstream.

A poluição do rio parecia um mal crónico. Talvez por isso, nascida recentemente, a Associação do Património lutava afincadamente pelo ambiente em Torres Novas. As suas jornadas do Ambiente nunca deveriam ter terminado. Aliás, o movimento associativo nesse tempo era altamente influente. O MIC (movimento Inter colectividades) renascera em 1984. O Cine Clube preparava as bodas de prata. Toda a gente participava no mundo associativo. Clubes desportivos, bandas, coral e outras diferenciavam Torres Novas no plano regional pelo seu raro e pujante movimento associativo. Até o elitista e burguês “Club Torrejano” mantinha a sua actividade na Praça 5 de Outubro, mas só por convite lá se entrava.

Também nesse tempo havia colectividades que hoje nos parecem curiosidades, como o Núcleo Local da Associação Portugal-RDA, ou a Associação Portugal-URSS, mas que tinham bastantes actividades nomeadamente torneios de xadrez e traziam frequentemente até Torres Novas grupos folclóricos do Leste Europeu, esgotando sempre o Cine Teatro Virgínia.

O Cine Teatro ainda não previa a crise do cinema. Aos fins-de-semana, sem concorrência na região, exibia os grandes filmes de Hollywood enchendo as cadeiras de madeira da plateia, 1.º balcão e do piolho. Às sextas à meia- noite, proporcionava noites de prazeres proíbidos e semi-clandestinos, com sessões de cinema Hard-Core, que ajudavam a manter a rentabilidade financeira da casa.

Lia-se o Almonda, mas descobria-se o prazer de ouvir Rádio. Na altura, em 102,5 MHZ, funcionando clandestinamente, nascia a Rádio Local de Torres Novas. Na casa de Fernando Diniz Alves, a mão e a voz do Padre Amílcar provocavam uma pequena revolução. O Padre Amílcar Fialho, que era comandante dos bombeiros voluntários que nas vésperas da elevação a cidade viram inaugurado o seu novo quartel. Foi também pela mão de Amílcar Fialho que nesse ano nasceu a Feira Nacional dos Frutos Secos em Outubro.

A vida nocturna era quase inexistente. Havia a curiosidade da casa de alterne “A Chaminé” num tempo em que não havia imigração de brasileiras e ucranianas. Já tinha existido a discoteca Bob`s e pouco mais. A grande atracção da nocturna região já era o FAME CLUB, criado por Fausto Monteiro, com o jovem DJ Jorge Branco. Um pequeno clube nocturno, que era nesses anos a única Discoteca da região.
Torres Novas abria-se ao mundo…E ainda nem havia auto-estrada!

 

 

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