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Estratagemas

Opinião  »  2016-03-30  »  Inês Vidal

"A ideia de uma estratégia para salvar o centro parece-me bem. O que não me parece é que estejamos efectivamente perante uma estratégia, mas antes de caras com mais um remendo"

O assunto já não é novo por estas linhas, mas apetece-me voltar a bater no ceguinho. Foi já aprovado em reunião de Câmara Municipal o taxamento do estacionamento na cidade de Torres Novas. Teoricamente, uma iniciativa que resulta de uma estratégia de valorização e revitalização do centro histórico. Adoro. Soa pomposo e pode ser que, dito assim, alguém acredite. Na prática, uma forma de tentar minimizar o rombo que o negócio do Almonda Parque deu aos cofres do município. A ideia de uma estratégia para salvar o centro parece-me bem. O que não me parece é que estejamos efectivamente perante uma estratégia, mas antes de caras com mais um remendo, dos muitos que ao longo das últimas décadas têm vindo a ser impostos aos munícipes torrejanos, para remediar o que não tem remédio. O estacionamento pago pode, de facto, ser um bom aspecto de valorização do centro: depois de ali criarmos pontos de interesse que atraiam moradores ou visitantes, criamos receita que poderemos então re-investir ali mesmo. Mas se o trabalho de casa não tiver sido feito, se nada ali houver por que valha a pena gastar o dinheiro, procuraremos a resposta às nossas necessidades noutro local, onde se poupe algum. Sobra para quem ali vive, investe ou trabalha. Não bastavam já gramarem com as ruínas, os pombos e a pouca clientela, ainda têm que pagar para ali estar. Podem até deliberar taxar o estacionamento. Têm do seu lado a legitimidade que os eleitores lhes deram para isso. Mas não nos façam de parvos. De estratégia não tem nada.

 

 

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