• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
Directora: Inês Vidal   |     Terça, 11 de Dezembro de 2018
Pesquisar...
Sex.
 15° / 9°
Céu nublado
Qui.
 15° / 9°
Períodos nublados com chuva fraca
Qua.
 15° / 9°
Céu muito nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  17° / 7°
Céu nublado
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Um sobreiro em Águas de Moura, ondas na Nazaré e eucaliptos em Riachos

Opinião  »  2018-04-04  »  Carlos Tomé

"Está bem, o sobreiro até pode ter o seu interesse, agora que foi eleito como árvore europeia do ano, mas nada que se compare ao enfurecido mar nazareno"

Sempre me arrependi de não ter aceitado o convite, faz agora 40 anos, do Victor Silvino para irmos à Nazaré na sua Vespa ver uma onda enorme que estava a chamar curiosos. Mas na altura a imagem que me apareceu de imediato à frente dos olhos, não foi a do mar em polvorosa, foi a do pendura da motorizada a esbardalhar-se todo pela serra abaixo quando o mais célebre chofer da biblioteca itinerante da Gulbenkian fizesse as curvas de Porto de Mós mais direito do que um fuso, e isso deu razão à nega.

Mas nessa altura se ao Victor lhe tivesse passado um vaipe pela cabeça e em vez de meter a Vespa direito ao litoral entortasse o guiador para o lado de Águas de Moura para ver um sobreiro assobiador também podia valer a pena. A viagem, garanto-vos, não seria menos espectacular.

É certo que o sobreiro está ali parado, parece que não tem vida e não serve para grande coisa a não ser dar cortiça para o Américo Amorim fazer umas rolhas de nove em nove anos, e poder ser transformado em cavacas para aquecer os invernos mais frios. Para além disso parece que também serve de poiso à passarada que por ali se aloja para passar a noite como em hotel de cinco estrelas e treinar o assobio como fazia o Damásio que andava atrelado a um carro de mão com rodas cheio de bonicos. E à sombra do sobreiro houve muitos acampamentos e casamentos de ciganos, coisa sem grande registo histórico dada a itinerância desta malta que nunca está bem em lado nenhum e até parece que tem fogo no cu.

As letras nómadas, que no fundo são todas as letras quando se mexem à procura de outros sentidos e de outros dizeres, estão escritas para sempre nesta árvore, porque a vida toda ali fica marcada como quem escreve a golpes de navalha o seu nome na casca. Foram os ciganos quem primeiro descobriu a verdadeira importância do sobreiro, convivendo diariamente com ele, fazendo dele um amigo e uma companhia, à sua sombra assentando arraiais.

Está bem, o sobreiro até pode ter o seu interesse, agora que foi eleito como árvore europeia do ano, mas nada que se compare ao enfurecido mar nazareno a dizer palavrões e a deitar espuma pela boca tentando seduzir uns turistas de barriga super bock, pondo-os à procura de chambres na vila piscatória. A fúria era tanta que quase atingia a rocha onde o cavalo do D. Fuas deixou a ferradura quando se preparava para empinar do precipício abaixo o cavaleiro armado em bom, não fosse aparecer o milagre do sítio. O fenómeno foi tão badalado que nem o MacNamara, se fosse vivo na altura, conseguiria cavalgar aquela onda.

Mas para além disso, o problema é que o sobreiro já tem uma idade um bocado avançada, 234 anos é muito tempo, e não será exagero adivinhar-se que o assobiador viu muita coisa, assistiu à história a criar-se sob a sua copa, deu razão e ousadia aos artistas que lhe sacaram a casca sem o ferirem, conviveu com muita gente de muitas origens e de outros afazeres, albergou muitas histórias de vida, deu alma a algumas e serviu de cadafalso a outras que escolheram o caminho suicida, que o tempo tudo traz e tudo leva.

As grandes árvores sempre tiveram grandes amigos. Quando a Maria dos Peixinhos deu aulas práticas de educação sexual, o Manuel Couve fabricou esteiras e o Martinho Ginete ia arrear as calças no sopé dos eucaliptos ou passava tardes inteiras com os amigos na cavaqueira à sua sombra, estavam longe de pensar que nestas árvores ficava marcado um pedaço das suas vidas e da história de Riachos. Por vezes a história das árvores confunde-se com a vida de quem as tem como amigas.

 

 

 Outras notícias - Opinião


O drama dos partidos de poder »  2018-12-07  »  Jorge Carreira Maia

A crise em que se arrasta o principal partido da oposição, o PSD, é sintomática da natureza dos partidos de poder em Portugal. São fortes e sólidos quando estão no poder; são frágeis e à beira da desagregação quando a governação lhes foge.
(ler mais...)


Mulheres »  2018-12-07  »  Inês Vidal

São mulheres. São presidentes, directoras, empresárias, polícias, bombeiras, autarcas, entre tantas outras profissões ou actividades. Acima de tudo, são mulheres. Ocupam cargos que um dia foram tradicionalmente de homens, ou foram as primeiras a fazê-lo por estas bandas.
(ler mais...)


Direito à indignação »  2018-12-07  »  Fernando Faria Pereira

O conceito deve-se, tanto quanto me lembro a Mário Soares, figura incontornável da democracia, que protagonizou a Presidência Aberta pelo Ambiente em resposta ao artigo 66º da constituição (ambiente e qualidade de vida) que estipula no seu nº 1: todos têm direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender.
(ler mais...)


Amasso Friday »  2018-12-07  »  Miguel Sentieiro

Vi as imagens daquela massa humana compactada à porta da loja de aspiradores na tal Black Friday. Numa primeira análise temo confessar que também embarquei na tese “ o que passa na cabeça destes mentecaptos para, numa 6ª feira de manhã, se sujeitarem a uma espera de horas neste degredo massivo?”.
(ler mais...)


As estradas do concelho de Torres Novas »  2018-12-07  »  António Gomes

Uma parte muito significativa das estradas, ruas, ruelas, largos, rotundas, somando mais de cem, que fazem parte da rede viária deste concelho, encontram-se em estado de deterioração mais ou menos avançado. Algumas situações estão mesmo num estado miserável, como sabemos.
(ler mais...)


Como funciona a nossa memória »  2018-12-07  »  Juvenal Silva

 

A memória é essencial para a nossa capacidade de gravar, armazenar e recuperar informações. A nossa memória é uma máquina fantástica, que contém as nossas perceções, os nossos sentimentos, as nossas memórias, imaginação e permite-nos pensar e, ser quem somos.
(ler mais...)


Filhos e netos »  2018-11-23  »  Jorge Carreira Maia

Para o meu neto Manuel.

Há uma diferença essencial, para um pai e avô, entre o nascimento de um filho e o de um neto. O nascimento do filho traz com ele, para além do prazer que a sua vinda significa, problemas práticos.
(ler mais...)


Palavra passe »  2018-11-21  »  Fernando Faria Pereira

Estaciono à primeira. Entro no café. Portas automáticas. 3 rapazes: o do lado de lá e outros 2. Boa noite! Bnoite. 1 Água com gás natural sem copo. A televisão está no CM: desgraças, previsíveis ameaças.
(ler mais...)


Biblioteca com vida »  2018-11-21  »  Anabela Santos

Há muitos anos, não quero lembrar quantos para não recordar que já estou na “meia idade”, subia, com alguma regularidade, a ladeira de Salvador e dirigia-me à biblioteca municipal, que ficava junto da igreja.
(ler mais...)


Quais os sintomas e tratamentos naturais dos resfriados »  2018-11-21  »  Juvenal Silva

Os resfriados podem ocorrer em qualquer época do ano. Todavia, são mais comuns entre as estações de outono e inverno.

Os sintomas mais comuns são: coriza, espirros, congestão nasal, tosse, dor garganta, cansaço, perda de apetite, febre baixa, embora nas crianças possa ser mais elevada ocasionalmente.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2018-11-23  »  Jorge Carreira Maia Filhos e netos
»  2018-11-21  »  Juvenal Silva Quais os sintomas e tratamentos naturais dos resfriados
»  2018-11-21  »  Anabela Santos Biblioteca com vida
»  2018-11-21  »  Fernando Faria Pereira Palavra passe
»  2018-12-07  »  Jorge Carreira Maia O drama dos partidos de poder