• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Domingo, 24 Março 2019    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qua.
 25° / 12°
Céu limpo
Ter.
 26° / 12°
Céu limpo
Seg.
 26° / 9°
Céu limpo
Torres Novas
Hoje  24° / 11°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O desejo da barbárie

Opinião  »  2018-10-24  »  Jorge Carreira Maia

"A corrosão da civilidade e a degradação da vida em comunidade são vírus que vivem já entre nós. Estão apenas à espera de um meio ambiente mais propício para mostrarem as garras."

Vive-se, em Portugal, uma doce ilusão, a de que ainda não fomos tocados pelo vírus do populismo. É um facto que os principais agentes políticos têm evitado recorrer ao mais sombrio populismo político. No entanto, na sociedade desenha-se um desejo mal disfarçado de soluções populistas. O que caracteriza essa ânsia é a contestação de muitos dos progresso civilizacionais. Um caso sintomático foi o da fotografia publicada, após captura, dos três foragidos de um tribunal. O ministro Eduardo Cabrita reagiu, afirmando que aquele tipo de fotografias era inaceitável por parte da polícia de um Estado de direito. As reacções de sindicatos e organizações para-sindicais, assim como de muita gente nas redes sociais não se fez esperar, com ataques ao ministro, montagem de imagens falsas e todo o arsenal de indignações mais ou menos alarves.

O que Eduardo Cabrita – e também Marcelo Rebelo de Sousa – fez foi defender a vida civilizada e as regras segundo as quais esta se deve orientar. Regras essenciais da vida civilizada são as que desligam a Justiça da vingança ou as que não eliminam os direitos dos criminosos. Estas regras, cada vez que existe um crime mais dramático, são postas em causa por uma multidão ululante, que despreza a vida civilizada e o progresso moral que nos permitiu sair da barbárie. Na verdade, é através da Justiça que o populismo entra nas sociedades, dissemina-se e corrói os alicerces que tornam a vida digna de ser vivida. Mesmo em Portugal, um dos países mais seguros e com uma das taxas de criminalidade das mais baixas do mundo, a pulsão para a barbárie é mais forte do que se pensa.

O desejo da barbárie é alimentado de forma insidiosa por programas de televisão e artigos de jornal justicialistas, por telejornais que, no infausto modelo que é o seu, destroem uma visão racional e civilizada da justiça e da própria vida comunitária, vendo-as como um jogo de vinganças, um prelúdio à guerra de todos contra todos. A corrosão da civilidade e a degradação da vida em comunidade são vírus que vivem já entre nós. Estão apenas à espera de um meio ambiente mais propício para mostrarem as garras. Tudo isto deveria merecer uma profunda e redobrada atenção dos agentes políticos. Só um exercício político iniludivelmente virtuoso e uma preocupação com a eficácia e independência da justiça pode evitar que a virose se transforme numa doença mortal. O que me aflige, hoje em dia, não é sequer que os agentes políticos – do governo e da oposição – não percebam o que se está a desenvolver. O aflitivo é que eles contribuam, com palavras e actos, para propagar a doença.

 

 

 Outras notícias - Opinião


A família socialista, a democracia comunista, a transferência centrista e o terrorismo »  2019-03-23  »  Jorge Carreira Maia

A FAMÍLIA SOCIALISTA. O governo parece um lugar de convívio de famílias amigas. Não bastava já haver um casal de ministros e um ministro pai e uma ministra filha desse pai, agora a mulher de um outro ministro foi nomeada chefe de gabinete do Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, cargo ocupado anteriormente pelo marido.
(ler mais...)


Como dantes não se falava, também não se dava por ela. »  2019-03-22  »  José Ricardo Costa


Qualquer pessoa normal é contra a violência doméstica. Acontece que não gosto da expressão “violência doméstica”, demasiado sociológica, urbana, abstracta, mera etiqueta que não faz jus ao tipo de aberração que pretende traduzir.
(ler mais...)


O Nhonhinhas »  2019-03-22  »  Miguel Sentieiro

A nonhinhisse como fenómeno social surgiu para nos pôr à prova. Entrou nas nossas vidas sem se dar por isso, mas percebemos o efeito corrosivo que tem no nosso bem estar. Um indivíduo coloca-se na fila de uma repartição comercial.
(ler mais...)


#Hashtag »  2019-03-22  »  Margarida Oliveira

Se no imediato, os 200 anos estimados pela ONU para o alcance da igualdade entre mulheres e homens parecem uma espécie de eternidade inatingível, na verdade, olhando a linha temporal da humanidade, eles representam apenas o último pedaço do último degrau, desta luta milenar.
(ler mais...)


Prioritário? As estradas. »  2019-03-22  »  António Gomes

Vem isto a propósito das obras de reabilitação do largo do Rossio. Decidiu, a maioria socialista na CM, dar prioridade à realização de obras no Largo General Humberto Delgado (Rossio). O projeto não se sabe bem o que é, visto que o PS decidiu alterar aquilo que foi aprovado em reunião de câmara.
(ler mais...)


Os phones são outro fenómeno que revolucionou o modo como experienciamos a música »  2019-03-22  »  Ana Sentieiro

É com alguma indignação entrelaçada com revolta que exponho um assunto secundário numa panóplia de assuntos, dos quais, o salário do Ronaldo agarra o protagonismo e leva-o de férias para a Grécia no seu jato privado, com direito a champanhe e não espumante! Parece que ninguém está interessado em dar relevo à falta de cultura musical dos millennials.
(ler mais...)


Brasil, China, Entre-os-Rios e Novo Banco »  2019-03-09  »  Jorge Carreira Maia

1. A DOENÇA DO BRASIL. Apesar de sermos latinos e de permitirmos coisas inaceitáveis nos países do centro e do norte da Europa, ainda é difícil para os portugueses compreender a doença que ataca com virulência inusitada o Brasil.
(ler mais...)


Remodelação, Bloco, Greves e Exames »  2019-02-22  »  Jorge Carreira Maia

1. REMODELAÇÃO DO GOVERNO. A importância da remodelação do governo ocorrida no início da semana é, do ponto de vista da orientação política, tendencialmente nula.
(ler mais...)


Mulher »  2019-02-21  »  Margarida Oliveira

Se é adquirido que com o 25 de Abril de 1974, as mulheres alcançaram o reconhecimento dos seus direitos mais fundamentais, exigindo a igualdade na vida, entre mulheres e homens, certo é, que fora o que seria obrigatório conceder, com o objectivo de serenar os ânimos reivindicativos femininos, praticamente tudo continua por fazer.
(ler mais...)


Em suma, não se fotografa o que se come, come-se para fotografar. »  2019-02-21  »  José Ricardo Costa

Por estranho que pareça, houve um tempo em que se ia ao restaurante sobretudo para comer. Sim, também para conviver, comemorar, fazer negócios, mas sempre com o prazer da boa mesa como alvo. Nós, portugueses, para além de comer adoramos falar sobre o que comemos, nem que seja para lembrar, com a expressão lúbrica do lobo dos desenhos animados, o maravilhoso cabrito com grelos que comemos há 20 anos.
(ler mais...)


 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2019-02-22  »  Jorge Carreira Maia Remodelação, Bloco, Greves e Exames
»  2019-03-09  »  Jorge Carreira Maia Brasil, China, Entre-os-Rios e Novo Banco
»  2019-03-23  »  Jorge Carreira Maia A família socialista, a democracia comunista, a transferência centrista e o terrorismo
»  2019-03-22  »  José Ricardo Costa Como dantes não se falava, também não se dava por ela.
»  2019-03-22  »  Ana Sentieiro Os phones são outro fenómeno que revolucionou o modo como experienciamos a música