Fabrióleo
Opinião
» 2020-03-07
» Acácio Gouveia
"É bom que se saiba que os efeitos cancerígenos de substâncias ou agentes físicos pode revelar-se em dias ou em décadas."
As notícias sobre processos intentados pela Fabrióleo contra Pedro Triguinho merecem algumas reflexões. Pedro Triguinho, recorde-se, havia acusado a Fabrióleo de ser causadora de cancros na população vítima da poluição produzida por aquela empresa. Ora, sendo esta acusação muito difícil de provar, a empresa processou-o por difamação.
Contudo (este ponto é muito importante), se a acusação do ambientalista é difícil de comprovar, não está de modo algum provado que a poluição provocada pela Fabrióleo não tenha sido ou venha a ser no futuro a causadora de cancros na população atingida. Isto é, esta empresa não tem qualquer prova de que os resíduos sejam isentos de efeitos cancerígenos. Pelo contrário: está provada à saciedade a toxicidade destes resíduos, mesmo que não se traduzam em cancros (e é bem provável que sejam cancerígenos).
É bom que se saiba que os efeitos cancerígenos de substâncias ou agentes físicos pode revelar-se em dias ou em décadas. Portanto, é ridículo que uma empresa, inegavelmente conspurcadora do meio ambiente, venha a terreiro mostrar-se ofendida com a acusação, um tanto ligeira é certo, de ter sido a causadora inequívoca de casos específicos de cancro entre as suas vítimas.
Embora os poderes legislativo e judicial tenham já dado sobejas mostras de protegerem os poluidores deste país, a Fabrióleo tem acumulado insucessos sempre que processa quem ousa denunciar os danos ambientais decorrentes da sua actividade. E não será, certamente, por culpa dos seus advogados. É que o direito de defesa ao bom nome degenerou nestes casos, numa espécie de terrorismo judiciário. O objectivo é intimidar, silenciar. Se por acaso aquela empresa viesse declarar que não é responsável por nenhum caso de cancro entre os habitantes sujeitos aos poluentes que impunemente continua a emitir, será que alguém pensaria em processá-la?
A manutenção da actividade poluidora da Fabrióleo é um exemplo da apatia portuguesa perante os crimes ambientais. A hipocrisia é de tal modo manifesta, que só quem quer enganar ou deixar-se enganar é que acredita na boa fé do poder, quer seja executivo, legislativo ou judicial, no que toca à defesa do meio ambiente. Mas o poder não está só no respaldo às práticas terroristas ambientais de vários agentes económicos. A generalidade dos comentadores políticos dos grandes meios de comunicação social, de forma sub-reptícia, vão intoxicando a opinião pública.
E quanto ao cidadão comum? A consciência ambiental anda pelas ruas da amargura. Basta ver a quantidade de plásticos ou de beatas semeados pelas ruas de Torres Novas para provar quão pouco preocupado está o cidadão comum com a herança que quer deixar às gerações vindouras.
© 2025 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
Fabrióleo
Opinião
» 2020-03-07
» Acácio Gouveia
É bom que se saiba que os efeitos cancerígenos de substâncias ou agentes físicos pode revelar-se em dias ou em décadas.
As notícias sobre processos intentados pela Fabrióleo contra Pedro Triguinho merecem algumas reflexões. Pedro Triguinho, recorde-se, havia acusado a Fabrióleo de ser causadora de cancros na população vítima da poluição produzida por aquela empresa. Ora, sendo esta acusação muito difícil de provar, a empresa processou-o por difamação.
Contudo (este ponto é muito importante), se a acusação do ambientalista é difícil de comprovar, não está de modo algum provado que a poluição provocada pela Fabrióleo não tenha sido ou venha a ser no futuro a causadora de cancros na população atingida. Isto é, esta empresa não tem qualquer prova de que os resíduos sejam isentos de efeitos cancerígenos. Pelo contrário: está provada à saciedade a toxicidade destes resíduos, mesmo que não se traduzam em cancros (e é bem provável que sejam cancerígenos).
É bom que se saiba que os efeitos cancerígenos de substâncias ou agentes físicos pode revelar-se em dias ou em décadas. Portanto, é ridículo que uma empresa, inegavelmente conspurcadora do meio ambiente, venha a terreiro mostrar-se ofendida com a acusação, um tanto ligeira é certo, de ter sido a causadora inequívoca de casos específicos de cancro entre as suas vítimas.
Embora os poderes legislativo e judicial tenham já dado sobejas mostras de protegerem os poluidores deste país, a Fabrióleo tem acumulado insucessos sempre que processa quem ousa denunciar os danos ambientais decorrentes da sua actividade. E não será, certamente, por culpa dos seus advogados. É que o direito de defesa ao bom nome degenerou nestes casos, numa espécie de terrorismo judiciário. O objectivo é intimidar, silenciar. Se por acaso aquela empresa viesse declarar que não é responsável por nenhum caso de cancro entre os habitantes sujeitos aos poluentes que impunemente continua a emitir, será que alguém pensaria em processá-la?
A manutenção da actividade poluidora da Fabrióleo é um exemplo da apatia portuguesa perante os crimes ambientais. A hipocrisia é de tal modo manifesta, que só quem quer enganar ou deixar-se enganar é que acredita na boa fé do poder, quer seja executivo, legislativo ou judicial, no que toca à defesa do meio ambiente. Mas o poder não está só no respaldo às práticas terroristas ambientais de vários agentes económicos. A generalidade dos comentadores políticos dos grandes meios de comunicação social, de forma sub-reptícia, vão intoxicando a opinião pública.
E quanto ao cidadão comum? A consciência ambiental anda pelas ruas da amargura. Basta ver a quantidade de plásticos ou de beatas semeados pelas ruas de Torres Novas para provar quão pouco preocupado está o cidadão comum com a herança que quer deixar às gerações vindouras.
Painéis fotovoltaicos da Renova: e um bocadinho de interesse municipal agora ao contrário? - joão carlos lopes
» 2025-12-10
Na recente reunião do executivo municipal em que foi debatida a questão dos painéis fotovoltaicos da Renova, o presidente da Câmara, José Trincão Marques, recordou o seu papel assertivo, então enquanto presidente da assembleia municipal, na polémica sobre o acesso à nascente do rio Almonda, que foi tema recorrente nestas páginas nos anos 2020/2023. |
Transparência ou opacidade, eis a questão! - antónio mário santos
» 2025-12-05
Uma nova geração (parte de, sejamos exactos) a dirigir o município, conforme citou na última sessão extraordinária o actual presidente do executivo camarário, José Manuel Trincão Marques. |
Presidenciais, o grau de ressentimento - jorge carreira maia
» 2025-12-05
» Jorge Carreira Maia
As próximas eleições presidenciais vão medir o grau de ressentimento político dos portugueses. Em teoria, há quatro candidatos que podem aspirar a passar à segunda volta. Para usar uma classificação de um amigo, temos duas rainhas de Inglaterra (Marques Mendes e António José Seguro) e dois caudilhos (Gouveia e Melo e André Ventura). |
Gente nova, poder novo. Caminho certo? - antónio mário santos
» 2025-11-22
» António Mário Santos
Ainda não assentou a poeira do espanto e da tristeza das eleições municipais e já a boataria fervilha nas redes sociais. Da reunião mal-esclarecida entre o recém presidente José Manuel Trincão Marques e o líder da oposição Tiago Ferreira, encontra-se uma descrição em O Mirante, que informa que este último quis fumar o cachimbo de paz com o presidente socialista, desde que este lhe cedesse três lugares a tempo inteiro na vereação, e a vice-presidência do executivo. |
Sal e azar - carlos paiva
» 2025-11-22
» Carlos Paiva
A geração de transição, a última a sacrificar a sua vida à ditadura, a que entregou a melhor fase da capacidade produtiva à guerra, à realidade do analfabetismo, iliteracia, mortalidade infantil ao nível do Terceiro Mundo (faziam-se dez filhos para sobreviverem dois), agricultura de subsistência, escravidão fabril, feudalismo empresarial e que concebeu os seus filhos pouco antes da queda do fascismo, está a desaparecer. |
Manuel Ribeiro (1878-1941) - jorge carreira maia
» 2025-11-22
» Jorge Carreira Maia
Como em todas as literaturas, também na portuguesa existe um cânone. No romance, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Agustina Bessa-Luís ou José Saramago pertencem, de forma permanente, ao cânone. Outras entrarão e sairão dele em conformidade com os humores do dia. |
É só fazer as contas - antónio gomes
» 2025-11-09
» António Gomes
Os resultados eleitorais são de todos conhecidos, assim como os vencedores e os vencidos. A democracia que dizem alguns, está doente e corre o risco de entrar em coma ditou para o concelho de Torres Novas o fim da maioria absoluta do PS, embora conservando a presidência da câmara por uma unha negra, tal como há 32 anos atrás, pouco mais de 80 votos. |
As esquerdas, as eleições municipais, o que se seguirá… -antónio mário santos
» 2025-11-09
» António Mário Santos
«o sectarismo, a característica mais tóxica da esquerda portuguesa, tem destas coisas. Leva quem não se olha ao espelho a ignorar o mundo ou, pior, a fingir que as dificuldades estão na casa do lado» - Francisco Louçã, Público, 3 de Novembro A esquerda portuguesa está em crise. |
Da evolução das espécies - carlos paiva
» 2025-11-09
» Carlos Paiva
No início dos anos noventa do século passado a Internet deu os primeiros passos em Portugal. Primeiro pela comunidade científica e académica, depois, muito rapidamente, expandiu-se às empresas e cidadãos comuns. |
Os três salazares - jorge carreira maia
» 2025-11-09
PRIMEIRO SALAZAR. Foi um ditador cinzento e manhoso. Tinha a virtude de odiar políticos histriónicos e espalhafatosos. Esse ódio virtuoso, porém, era acompanhado por outros ódios nada virtuosos. Odiava, antes de tudo, a liberdade. |