• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Sexta, 14 Agosto 2020    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Seg.
 30° / 18°
Períodos nublados com chuva fraca
Dom.
 28° / 15°
Céu limpo
Sáb.
 27° / 15°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  28° / 15°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Por onde ir? - acácio gouveia

Opinião  »  2020-07-18  »  Acácio Gouveia

"A menos que o capitalismo se renove de forma radical, não é seguramente regime que auspicie futuro risonho para a Humanidade."

É gratificante apercebermo-nos de que há jovens que canalizam a sua irrequietude para o pensamento crítico e para opinar sobre política. O texto da jovem Mariana Varela é um bom ponto de partida para discussão sobre perspectivas de alternativas ao caminho actual do mundo.

Concordando ou não com todos os aspectos da análise exposta, o facto é que o actual estado de coisas não augura futuro esperançoso para os jovens. “Que fazer?”, questão que Lenine colocava em 1902, mantém-se actual. Só que as soluções propostas nessa icónica publicação, demonstrou-o a História, falharam. Pode dizer-se que na União Soviética, nascida da Revolução de Outubro, se construiu a única verdadeira alternativa ao capitalismo. O êxito inicial espantou os próprios dirigentes bolcheviques quando comemoraram o primeiro ano da Revolução. Na década de vinte, a URSS conseguiu sobreviver às tremendas dificuldades colocadas pelas rebeliões reaccionárias apoiadas pelas grandes potências. Sobreviveu à invasão nazi durante a II Grande Guerra e reconstruiu-se sem as injeções de capital do Plano Marshall. Alargou consideravelmente a sua esfera de influência e tornou-se superpotência. Iniciou e liderou durante uma década a exploração do espaço. Contudo, não chegou celebrar três quartos de século de existência. Em 1991 implodia, arrastando todos os regimes socialistas europeus e não só.

Hoje em dia, a despeito da nomenclatura de partidos como o PC Chinês, só se podem considerar verdadeiramente socialistas dois regimes: o da Coreia do Norte e o de Cuba. Quanto ao primeiro, não vale a pena, creio, tecer quaisquer considerações. Já em Cuba pode constatar-se um discreto e progressivo abandono do socialismo.

Porém, o capitalismo, a despeito de todo o cortejo de crises, tem-se mantido ao longo de séculos. Urge meditar nesta incontornável verdade e parece-me que a conclusão não poderá ser outra senão que a alternativa socialista (no sentido marxista-leninista e não na actual conotação de ideologia de centro esquerda) é inválida. Uma formidável superpotência, como a URSS, não cai sem que haja causas internas. Muitos dos atributos negativos que Mariana, não sem razão, aponta ao capitalismo, encontravam-se presentes nos regimes socialistas. As pessoas não eram felizes. Posso afiançar eu, que viajei pela Hungria, Roménia e Jugoslávia em 1980 e tive oportunidade de conviver também com jovens polacos e da RDA (Alemanha de Leste). As diversas formas de alienação do trabalhador pela máquina produtiva, sabiamente dissecadas por Karl Marx, estavam também presentes nos regimes. Eram mesmo mais gravosas que nos regimes capitalistas democráticos. No que toca a política ambiental, pior do que desinteresse pelo meio-ambiente, acalentavam uma posição de hostilidade para com a natureza. A secagem do mar Aral, iniciada durante o período soviético, era vista como a correcção dum “erro da natureza”. O regime maoista foi campeão na desflorestação e tentativa de extinção de aves.

Mas, permita-se-me um regresso ao capitalismo e meditar nas razões do seu “sucesso”, ou, melhor dizendo, da sua sobrevivência. Uma desvantagem fatal dos sistemas nascidos da Revolução de Outubro foi a rigidez ideológica que travou o espírito crítico e liberdade de pensamento, fonte de inovação adaptativa. Já o capitalismo, mais preocupado com os resultados práticos do que com pureza ideológica, tem demonstrado uma capacidade de adaptação pragmática ao ponto de não rejeitar enxertos, se assim se pode dizer, “marxistas”, para se reformar. Nesta adaptabilidade do capitalismo estará a explicação para a sua resiliência face a crises de proporções bíblicas, como a Grande Depressão, iniciada em 1929. Aliás, é difícil negar que não há capitalismo, mas capitalismos. Muito diferentes são a versão chinesa - capitalismo puro e duro - e as variantes social-democratas típicas dos países nórdicos.

Mas, goste-se ou não, o facto é que o capitalismo, nos últimos decénios, permitiu que centenas de seres humanos ultrapassassem o limiar da pobreza, da China e sul da Ásia até à América Latina. Porém, a situação é mais complexa e o futuro perspectiva-se nada promissor. Se, no pós-guerra, as classes operárias e trabalhadores de um modo geral viram a sua situação económica melhorar substancialmente, registando-se um movimento de ascensão social nos EUA e Europa, já desde os anos 70 se vem notando uma degradação do nível de vida da classe média, acompanhada de aumento da riqueza dos muito ricos, aumentando assim o fosso entre as classes sociais. Quer isto dizer que o velho Karl Marx talvez não esteja tão errado assim, ao prever que o capitalismo empurraria crescentes camadas da população para a proletarização.

A menos que o capitalismo se renove de forma radical, não é seguramente regime que auspicie futuro risonho para a Humanidade. O problema continua a ser: onde está a alternativa?

 

 

 Outras notícias - Opinião


As nossas vozes - josé mota pereira »  2020-07-27  »  José Mota Pereira

Muitas vezes, a comunicação social local é acusada de ser um instrumento ao serviço do caciquismo.

 Outras tantas vezes, também não é difícil de desmentir que a comunicação social local e regional (jornais e rádios) é apenas páginas de jornais ou horas de rádio vazias desprovidas de conteúdo ou interesse.
(ler mais...)


E se António Rodrigues? »  2020-07-18  »  Jorge Carreira Maia

Se António Rodrigues não se candidatar à presidência do Município, Pedro Ferreira será, sem dificuldade, reeleito. A entrada de António Rodrigues na corrida poderá, contudo, perturbar o passeio dos socialistas.
(ler mais...)


TORRES NOVAS EM 1985: parabéns, cidade! - josé mota pereira »  2020-07-18  »  José Mota Pereira

Em 1985, as pessoas da zona alta vinham à vila. E diziam-no quando vinham ao centro! Ainda hoje, passados 35anos, vem-se à vila. Eram bem diferentes os limites físicos. A vila terminava junto à capela de Santo António e todas as urbanizações circundantes à Av.
(ler mais...)


530 mil - rui anastácio »  2020-07-18  »  Rui Anastácio

É o número de jovens que abandonaram o país nos últimos 10 anos.

Perante este número, é impossível não concluir que somos um país falhado. Não somos só um país falhado.
(ler mais...)


Zona industrial em Riachos - antónio gomes »  2020-07-18  »  António Gomes

As zonas industriais são espaços de ordenamento do território. Só com a sua implementação se consegue evitar a construção de empresas em locais que se destinam a outros fins e que não estão minimamente preparados para receber determinado tipo de actividades.
(ler mais...)


Refugiados: cooperação e sentido de humanidade - mariana varela »  2020-07-18  »  Mariana Varela

No passado dia 7 de julho, chegaram a Portugal 25 jovens menores não acompanhados, oriundos de campos de refugiados da Grécia, onde viviam, naturalmente em condições de extrema precariedade. No meio do caos que tem sido a situação pandémica, o problema dos refugiados não deixa de existir, adquirindo mesmo maior relevância e dimensão, uma vez que grande parte dos países fecharam a suas fronteiras como medida de prevenção.
(ler mais...)


Uma cidade à espera de si própria - joão carlos lopes »  2020-07-18  »  João Carlos Lopes

1. Ser cidade não vale um caracol, não acrescenta uma vírgula a nenhum campeonato. Em Portugal, “cidade” não é nenhuma categoria político-administrativa, tratando-se de um título meramente honorífico.
(ler mais...)


Os municípios e as respostas locais e excepcionais a uma situação de excepção »  2020-07-03  »  Ana Lúcia Cláudio

Lisboa e Porto são, naturalmente, as cidades portuguesas mais viradas para o turismo. Por isso mesmo, são também elas as mais penalizadas com os respectivos danos colaterais nas vidas de todos os que aí vivem e trabalham.
(ler mais...)


Tudo vale a pena se a alma não é pequena - anabela santos »  2020-07-03  »  AnabelaSantos

Tanto empenho, tanto sofrimento, tantos sacrifícios, tanta luta para alcançar objectivos e pergunta Fernando Pessoa se terá valido a pena, ao que o poeta responde: sim. Se a alma não é pequena, isto é, se é dotada de um espírito bravo, forte e sonhador, nada do que se faz é em vão.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-07-18  »  Jorge Carreira Maia E se António Rodrigues?
»  2020-07-27  »  José Mota Pereira As nossas vozes - josé mota pereira