• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Domingo, 08 Dezembro 2019    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qua.
 14° / 5°
Céu nublado com chuva fraca
Ter.
 15° / 5°
Períodos nublados
Seg.
 16° / 7°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  15° / 9°
Céu nublado com chuva fraca
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Quando a pedra é o sapato

Opinião  »  2019-06-06  »  Ana Sentieiro

"O traje, para além de representar a academia minhota, subscreve um acordo de fidelidade com a dor e desencontro com as temperaturas ambientais"

Ontem trajei pela primeira vez. A Noite de Serenatas enlatou a comunidade académica da Universidade do Minho no Largo da Sé. A escuridão dos trajes iluminava os corações dos presentes, aquecia os abraços e motivava as lágrimas ao som da melodia das guitarras portuguesas. Tenho apenas dois aspetos a destacar nesta proposital decisão de vestir o preto e não partir para norte para combater selvagens ou white walkers em nome da Night’s Watch (“Patrulha da Noite”). Caso o leitor não tenha entendido esta última referência, tenho uma sugestão a fazer: Game of Thrones. Ora muito bem, o traje, para além de representar a academia minhota, subscreve um acordo de fidelidade com a dor e desencontro com as temperaturas ambientais. Se está frio, o traje não impedirá a ereção dos pelos e a contração dos músculos como tentativa de combater a falta de agasalho. Por outro lado, se estiver calor, o suor escorrerá elegantemente pela testa e ensopará a camisa com 7 botões abotoados. Mas caso esteja uma aragem agradável de 4 km/h, um ambiente ameno com exatamente 21,7 graus celsius, 3 nuvens no céu e à sombra, o traje é perfeitamente adequado. Ontem percebi porque é que a imagem do super-herói insiste na capa: é estiloso ao ponto de elevar a noção de estilo. Uma vulgar caminhada na rua, transforma-se numa compilação ritmada de passos sobre um tapete de nuvem celestial acompanhada de chamas dos dois lados, tudo isto em câmera lenta, claro! Aliás, o afixo “super” deriva lógica e morfologicamente do termo “capa”. Sinto-me qualificada para montar um dragão (peço mais uma vez desculpa aos leitores que não acompanham a série Game of Thrones, talvez devessem reconsiderar!). A noite rasgou os tons alaranjados de uma tarde de primavera e eu, com capa sobre os ombros, saí de casa e juntei-me aos meus amigos, com suas capas igualmente sobre os ombros e juntos começámos a travessia em tom de desfile de personalidades poderosas até ao centro. As horas passaram e, afogados num mar preto com cheiro a cerveja e acordes de guitarra, decidimos regressar a casa. A capa que, no início da noite, esvoaçava com fluidez e me fazia sentir capaz de qualquer coisa (até mesmo de fazer duas elevações seguidas!), pesava mais do que a mochila de segunda-feira no oitavo ano, quando tinha Ciência Naturais, Matemática, Francês, Inglês, EVT, Físico-química e Música (e era obrigada a levar a flauta na mão pois não havia espaço, nem para uma daquelas mini borrachas da maped que acabaria perdida no chão da sala de estudo). A saia apertava a cintura depois dos dois cheeseburgers no McDonald’s. A gola da camisa... nem me tinha apercebido da gola da camisa desconfortavelmente subida até aquele momento!... E que pedra é esta no meu pé que me faz querer chorar de dor?! Oh, espera, afinal é apenas o sapato preto com um salto de três centímetros e numerosas agulhas escondidas na sola, perfurando a minha boa disposição e calcando o meu estado de espírito como se de um foxtrot se tratasse. Este quadro sequencial de eventos, separados apenas por uma breve linha temporal, representa o glorioso despique que é o percurso académico desde o primeiro ao segundo semestre. O início do ano, à semelhança do início da noite, é caracterizado pela atitude positiva, a confiança que se reflete na meticulosa escolha de conjuntos de roupa e a motivação alimenta o estudo. É apenas uma questão de tempo até os trabalhos de grupo pesarem nos ombros, a preocupação com a roupa apertar na cintura e optar por umas calças de fato de treino e uma sweater do curso, com as meias do pijama. O tempo livre começa a apertar no pescoço e as cadeiras teóricas tornam-se uma pedra no sapato. Não! Aliás! Tornam-se o próprio sapato, que aperta o pé que só quer respirar, à semelhança do cérebro, que só quer fazer uma maratona de Game of Thrones até às cinco da manhã, com pipocas, num sofá para três, partilhado por cinco pessoas, com uma manta sobre as pernas. Na reta final até casa, descalcei-me! Não aguentei a dor! Desisti... ouvi “recurso”?! Pousei a caneta e estarei cá em Julho, muito provavelmente de chinelo de dedo e a saber diferenciar desvio padrão de desvio médio, interpretando-o através de uma tabela que relaciona três variáveis cuja significância é 0,062 (?).

 

 

 Outras notícias - Opinião


A questão ambiental »  2019-12-07  »  Jorge Carreira Maia

A generalidade dos cidadãos, onde se incluem as elites políticas, não tem qualquer capacidade para julgar se as alterações climáticas em curso são de origem humana ou se são apenas efeitos de uma alteração do clima que ocorre independentemente das acções humanas.
(ler mais...)


No Jornal Torrejano, uma torrejana “dos quatro costados” »  2019-12-05  »  Ana Lúcia Cláudio

Quase dez da noite da última sexta-feira de Novembro, no aeroporto da Portela. Está quente para quem acaba de chegar de um país mais frio. Apanho um táxi para o centro de Lisboa, uma distância suficientemente curta para não ser do agrado dos taxistas.
(ler mais...)


Há um elefante na sala: o ensino superior da região! »  2019-12-05  »  Jorge Salgado Simões

Podemos não falar do assunto. Podemos todos ir pensando nisto sem dizer o que quer que seja, ou fazer do tema não mais do que uma conversa de café, para não melindrar ninguém.

Temos um problema na região com o ensino superior público: dois Institutos Politécnicos, Tomar e Santarém (IPT e IPS), demasiado pequenos e demasiado sozinhos, desligados entre si, pouco atrativos, pouco diferenciadores e com uma sustentabilidade mais do que duvidosa.
(ler mais...)


A biblioteca no mercado semanal »  2019-12-05  »  António Gomes

A Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes mudou-se para o mercado, literalmente. Às terças, quinzenalmente, é lá que se encontra.

Misturar as couves, as cebolas, o pão, o queijo, as flores e as pessoas com os livros é uma ideia que deve ser valorizada e apreciada.
(ler mais...)


O senhor da maquineta »  2019-12-05  »  Anabela Santos

Estamos no outono, muito perto da chegada do inverno. Uma estação bonita, de cores únicas, temperatura amena e blá, blá, blá… tudo de bom para dizer desta época do ano.

É também a altura em que as árvores de folha caduca se despem totalmente e deixam os seus ramos apanhar sol, ganhando assim força até à chegada da primavera, momento em que nos presenteiam, novamente, com a sombra das suas folhas.
(ler mais...)


A cantiga é uma arma... »  2019-11-29  »  Hélder Dias

O desafio da direita democrática »  2019-11-22  »  Jorge Carreira Maia

Comecemos pelo trivial, mas que muitas vezes é esquecido. O papel do PSD e do CDS tem sido fundamental para a consolidação de um regime democrático-liberal no nosso país. Uma democracia representativa não pode subsistir sem a existência de pluralidade política e de partidos de direita e de esquerda.
(ler mais...)


Deixaram morrer a tarambola »  2019-11-21  »  António Gomes

Pode dizer-se que é desolador, uma tristeza, que não querem saber, quem pode não quer, está tudo desprezado, é uma grande irresponsabilidade, é um desconsolo e mais uns quantos adjectivos, mas creio que é mais do que isso e mais grave.
(ler mais...)


Eu é que sei »  2019-11-21  »  Miguel Sentieiro

Vinha a ouvir no rádio do carro a rubrica “Eu é que sei!” A ideia passa por lançar perguntas às crianças para elas opinarem sobre o que pensam de cada temática. Eu é que sei…. “O que é um estetoscópio”, “porque há pessoas boas e más”, “porque as pessoas usam malas”, “porque é que as aranhas têm 8 olhos” , “o que é um pirilampo”, “para que serve a manete de mudanças.
(ler mais...)


Nazismo e comunismo »  2019-11-09  »  Jorge Carreira Maia

No mês passado o Parlamento Europeu aprovou uma resolução de condenação dos regimes nazi e comunista. Na verdade, ambos os regimes perseguiram e mataram adversários e o Estado teve neles uma configuração totalitária.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2019-11-09  »  Jorge Carreira Maia Nazismo e comunismo
»  2019-11-22  »  Jorge Carreira Maia O desafio da direita democrática
»  2019-11-21  »  António Gomes Deixaram morrer a tarambola
»  2019-11-21  »  Miguel Sentieiro Eu é que sei
»  2019-11-29  »  Hélder Dias A cantiga é uma arma...