• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Terça, 26 Maio 2020    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 33° / 19°
Períodos nublados
Qua.
 34° / 20°
Céu limpo
Ter.
 33° / 18°
Períodos nublados com aguaceiros e trovoadas
Torres Novas
Hoje  30° / 16°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Quando a pedra é o sapato

Opinião  »  2019-06-06  »  Ana Sentieiro

"O traje, para além de representar a academia minhota, subscreve um acordo de fidelidade com a dor e desencontro com as temperaturas ambientais"

Ontem trajei pela primeira vez. A Noite de Serenatas enlatou a comunidade académica da Universidade do Minho no Largo da Sé. A escuridão dos trajes iluminava os corações dos presentes, aquecia os abraços e motivava as lágrimas ao som da melodia das guitarras portuguesas. Tenho apenas dois aspetos a destacar nesta proposital decisão de vestir o preto e não partir para norte para combater selvagens ou white walkers em nome da Night’s Watch (“Patrulha da Noite”). Caso o leitor não tenha entendido esta última referência, tenho uma sugestão a fazer: Game of Thrones. Ora muito bem, o traje, para além de representar a academia minhota, subscreve um acordo de fidelidade com a dor e desencontro com as temperaturas ambientais. Se está frio, o traje não impedirá a ereção dos pelos e a contração dos músculos como tentativa de combater a falta de agasalho. Por outro lado, se estiver calor, o suor escorrerá elegantemente pela testa e ensopará a camisa com 7 botões abotoados. Mas caso esteja uma aragem agradável de 4 km/h, um ambiente ameno com exatamente 21,7 graus celsius, 3 nuvens no céu e à sombra, o traje é perfeitamente adequado. Ontem percebi porque é que a imagem do super-herói insiste na capa: é estiloso ao ponto de elevar a noção de estilo. Uma vulgar caminhada na rua, transforma-se numa compilação ritmada de passos sobre um tapete de nuvem celestial acompanhada de chamas dos dois lados, tudo isto em câmera lenta, claro! Aliás, o afixo “super” deriva lógica e morfologicamente do termo “capa”. Sinto-me qualificada para montar um dragão (peço mais uma vez desculpa aos leitores que não acompanham a série Game of Thrones, talvez devessem reconsiderar!). A noite rasgou os tons alaranjados de uma tarde de primavera e eu, com capa sobre os ombros, saí de casa e juntei-me aos meus amigos, com suas capas igualmente sobre os ombros e juntos começámos a travessia em tom de desfile de personalidades poderosas até ao centro. As horas passaram e, afogados num mar preto com cheiro a cerveja e acordes de guitarra, decidimos regressar a casa. A capa que, no início da noite, esvoaçava com fluidez e me fazia sentir capaz de qualquer coisa (até mesmo de fazer duas elevações seguidas!), pesava mais do que a mochila de segunda-feira no oitavo ano, quando tinha Ciência Naturais, Matemática, Francês, Inglês, EVT, Físico-química e Música (e era obrigada a levar a flauta na mão pois não havia espaço, nem para uma daquelas mini borrachas da maped que acabaria perdida no chão da sala de estudo). A saia apertava a cintura depois dos dois cheeseburgers no McDonald’s. A gola da camisa... nem me tinha apercebido da gola da camisa desconfortavelmente subida até aquele momento!... E que pedra é esta no meu pé que me faz querer chorar de dor?! Oh, espera, afinal é apenas o sapato preto com um salto de três centímetros e numerosas agulhas escondidas na sola, perfurando a minha boa disposição e calcando o meu estado de espírito como se de um foxtrot se tratasse. Este quadro sequencial de eventos, separados apenas por uma breve linha temporal, representa o glorioso despique que é o percurso académico desde o primeiro ao segundo semestre. O início do ano, à semelhança do início da noite, é caracterizado pela atitude positiva, a confiança que se reflete na meticulosa escolha de conjuntos de roupa e a motivação alimenta o estudo. É apenas uma questão de tempo até os trabalhos de grupo pesarem nos ombros, a preocupação com a roupa apertar na cintura e optar por umas calças de fato de treino e uma sweater do curso, com as meias do pijama. O tempo livre começa a apertar no pescoço e as cadeiras teóricas tornam-se uma pedra no sapato. Não! Aliás! Tornam-se o próprio sapato, que aperta o pé que só quer respirar, à semelhança do cérebro, que só quer fazer uma maratona de Game of Thrones até às cinco da manhã, com pipocas, num sofá para três, partilhado por cinco pessoas, com uma manta sobre as pernas. Na reta final até casa, descalcei-me! Não aguentei a dor! Desisti... ouvi “recurso”?! Pousei a caneta e estarei cá em Julho, muito provavelmente de chinelo de dedo e a saber diferenciar desvio padrão de desvio médio, interpretando-o através de uma tabela que relaciona três variáveis cuja significância é 0,062 (?).

 

 

 Outras notícias - Opinião


Agora era cores - joão carlos lopes »  2020-05-25  »  João Carlos Lopes

A tabacaria Central era uma grande casa, três andares com centenas de produtos: papeis, livros, canetas, brinquedos, jogos, carrinhos de miniatura, um nunca mais acabar de coisas que nos enchiam os olhos em tantas salas, escadarias e corredores forrados de novidades.
(ler mais...)


NÃO DEIXEMOS CONFINAR A LIBERDADE! »  2020-05-25  »  José Alves Pereira


Em política, os homens foram sempre e serão sempre ingenuamente enganados pelos outros e por si próprios, enquanto não aprenderem a discernir, por detrás das frases, das declarações e das promessas morais, religiosas, políticas e sociais, os interesses destas ou daquelas classes.
(ler mais...)


FOTO (QUASE COMO O CINEMA) PARAÍSO - josé mota pereira »  2020-05-25  »  José Mota Pereira

A notícia surgiu pelo facebook.
Cumprindo o ciclo da vida, noticiou-se o encerramento da Fotocor. Quem é de Torres Novas, sabe do que falo. Em Torres Novas, toda a gente conhece a Fotocor. Porque a Fotocor foi mais que um estabelecimento comercial.
(ler mais...)


Sinais de Fogo - rui anastácio »  2020-05-25  »  Rui Anastácio

Por vezes, penso que Portugal é uma obra-prima inacabada, tal como o romance “Sinais de Fogo”, de Jorge de Sena.
Portugal é um país maravilhoso com um povo também, razoavelmente maravilhoso. Um povo com uma enorme sabedoria, mas desconfiado e invejoso por natureza.
(ler mais...)


A Igreja e a pandemia em Portugal »  2020-05-09  »  Jorge Carreira Maia

Em todo o processo ligado à pandemia provocada pelo coronavírus, a Igreja Católica em geral, e a portuguesa em particular, teve uma atitude que merece louvor. A Igreja portuguesa, e é nela que centro este artigo, mostrou que não é apenas uma instituição guardiã da fé e tradição apostólicas, mas ainda um factor de razoabilidade dos comportamentos sociais, exercendo uma influência muito importante na atitude de muitos portugueses, o que ajudou a minimizar os efeitos da pandemia.
(ler mais...)


Pela janela, por Inês Vidal »  2020-05-09  »  Inês Vidal

Comprei um bilhete de avião para ir visitar o meu primo João, que está na Suécia, por alturas do casamento dele, em Abril. Crescemos juntos, apesar da diferença de idades. Queria dar-lhe um abraço, desejar-lhe que fosse feliz - comigo aqui relativamente perto, de preferência - ao mesmo tempo que nos perguntaria como é que era possível estarmos ali, se ainda no outro dia andei com ele ao colo.
(ler mais...)


2 beijos »  2020-05-09  »  Rui Anastácio

Peúgas escuras, peúgas brancas, peúgas escuras. Um beijo, 2 beijos, um beijo vs 2 beijos.
Tinha três anos no dia 25 de Abril de 1974.

Sou um amante da liberdade e um amante incondicional da liberdade de expressão.
(ler mais...)


25 de Abril Nunca Mais! »  2020-05-09  »  José Ricardo Costa

Sempre que o calendário faz regressar o 25 de Abril, é também o clássico “25 de Abril sempre!” que regressa. A frase é bonita e voluntariosa mas tem um problema: não dá que o 25 de Abril seja para sempre.
(ler mais...)


O meu pai de fato azul escuro e gravata e um bem visível cravo vermelho. Naquele momento. senti-me compensado pela espera de 22 anos desde o negro Abril de 1953. »  2020-05-09  »  José Alves Pereira

De quantos Abris se faz uma vida que já vai longa? Cada um contará os seus, aqueles que não se medem pelo calendário, mas são marcos de destaque e lembrança. É o caso do 25 de Abril, data fronteira entre o antes e o depois; um antes que se vai escoando com a memória dos que o viveram e vão desaparecendo, e um depois que o não pode olvidar.
(ler mais...)


Onde estavas no 25 de Abril de 2020? »  2020-05-09  »  Jorge Salgado Simões

Já se pode falar do 25 de Abril? Já podemos falar do 25 de Abril sem se ser acusado de arreigado comunista ou perigoso fascista? É que isto este ano foi mesmo mau demais para ser verdade.

Eu sou dos que ainda cá não estava em 1974.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-04-28  »  Jorge Carreira Maia 25 de Abril de 2020
»  2020-05-09  »  Rui Anastácio 2 beijos
»  2020-05-09  »  Jorge Carreira Maia A Igreja e a pandemia em Portugal
»  2020-05-09  »  Inês Vidal Pela janela, por Inês Vidal
»  2020-05-09  »  José Ricardo Costa 25 de Abril Nunca Mais!