Warning: file_get_contents(http://api.facebook.com/restserver.php?method=links.getStats&urls=jornaltorrejano.pt%2Fopiniao%2Fnoticia%2F%3Fn-3f31d139): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 404 Not Found in /htdocs/public/www/inc/inc_pagina_noticia.php on line 148
Jornal Torrejano
 • SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Quinta, 16 Abril 2026    •      Directora: Inês Vidal; Director-adjunto: João Carlos Lopes    •      Estatuto Editorial    •      História do JT
   Pesquisar...
Dom.
 29° / 11°
Períodos nublados
Sáb.
 29° / 10°
Períodos nublados
Sex.
 26° / 8°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  24° / 9°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Fricções - antónio mário santos

Opinião  »  2023-10-21  »  António Mário Santos

Tenho, hoje, muita dificuldade em aceitar verdades feitas. Não consigo deixar de pensar que, por detrás duma posição irredutível, não deixam de existir interesses, por vezes diversos e múltiplos, que, quais margens de rio, estreitam o leito da corrente, colocando o interlocutor ante a necessidade duma opção, tipo branco ou preto.

Nem sempre procedi assim. Pelo contrário. Ser a favor ou contra, aprendi-o desde a infância, quando um avô republicano, carbonário, ateu até à medula, me passeava no antiga tabuleiro da praça 5 de Outubro, quando se aproximou o padre Aparício; tendo feito intenção que lhe beijasse a mão, o puxão de recuo e o imprecação rude – as mãos que se beijam são as do avô ou do pai, nunca do padre – ficou impresso na mente como, mais tarde, na escola, a tabuada. Ou, já na primeira classe da primária, nos degraus da igreja do Salvador, ao solicitar ao padre Búzio um cartão da catequese, com o objectivo de poder assistir aos filmes de cóbois que se davam na antiga sala do Salvador, me tenha surpreendido tanto a resposta, “tu também queres?”, que só em casa, na dúvida que levava no coração, soube que «a nossa família não era religiosa, o padre sabia-o» , eu ainda não percebia o que isso era.

A alternativa foi meu pai levar-me consigo, aos fins de semana e feriados, para as sessões do Virgínia, cujo ecrã se enchia de filibusteiros e cobóis que me faziam sonhar com essas pátrias longínquas onde o bem vencia sempre o mal e os brancos eram heróis que matavam os índios que eram os maus da fita, porque eram peles-vermelhas, raptavam as raparigas loiras dos futuros povoadores e escalpavam as cabeças dos seus companheiros.

Onde comecei a duvidar da matriz dogmática de parte da minha adolescência e juventude, foi já depois do 25 de Abril, na vida política. O inimigo passou a adversário, a democracia criou a alternativa e o diverso, a dúvida e o respeito pelo outro humanizaram o pé atrás do sim ou não sempre em quezília. A aprendizagem de que não há uma resposta única para cada questão, é algo que se aprende (será que se aprende) com os percalços, amarguras e as mudanças das sociedades no tempo; com a reflexão do íntimo de si como porta giratória para o colectivo.

Todo este sururu da memória me assalta ante as imagens televisivas da nova guerra na Palestina, entre o Hamas e Israel. A condenação, justa, dos massacres indesculpáveis cometidos pelo Hamas contra o povo judeu, por todo o mundo civilizado, criou situações de branco e preto, que a imprensa e as redes sociais utilizaram, não só como informação, mas como forma de pressão e condicionamento do direito de cada a uma opinião própria. Os casos da rede social X (antigo Twitter) com a sua difusão de notícias falsificadas, ainda que desmentidas, difundidas como verdades por todo o planeta, demonstram como o mundo a branco e preto assenta em objectivos escondidos, que defendem interesses económicos e lucros, independentemente do sofrimento, dor, miséria, destruição e morte que ocasionem.

Algo aprendi no tempo: as “religiões do livro” (judaísmo, cristianismo e islamismo) assentaram a sua história num princípio dogmático nada pacífico: ou crês (na minha verdade) ou morres.

Aos massacres condenáveis e condenados do Hamas, sucederam-se os massacres condenáveis, de Israel, mas silenciados pelos que condenaram os primeiros, tentando fazer esquecer que a resposta de vingança do governo israelita foi exercida sobre um povo, o palestiniano, aprisionado na faixa de Gaza pelos dois massacradores fundamentalistas religiosos: o islamismo muçulmano e o extremismo religioso judaico. Ambos dogmáticos, odiando-se mutuamente, procurando cada um destruir o outro; ambos alheios ao sofrimento que provocam nas populações que controlam. Com uma única diferença: Israel é uma pátria, uma «democracia do povo judaico», o que tem verdadeira integração e cidadania; Gaza, uma prisão a céu aberto, controlada do exterior pelo exército israelita, no interior pelo exército radical do Hamas. Prisioneiro, em ambas, o palestiniano, o povo errante, diáspora de sofrimento e negação, de quem se lamenta a humilhação, mas não se resolve a dignidade de existir numa terra onde sempre viveu, apátrida na sua própria pátria.

Nem Israel, nem o Ocidente civilizado, nem o mundo árabe, avançam com uma solução satisfatória. Uma Palestina, dois países. Ou apenas um só, onde as religiões não dividam, não gerem ódio e extremismo, onde ser judeu, cristão, muçulmano, israelita, árabe ou palestiniano, seja aceite pelo que é, entre todos, real: a pertença à espécie humana.

 

 

 

 Outras notícias - Opinião


Bloqueio infinito... »  2026-04-14  »  Hélder Dias

Este gajo é maluco... »  2026-04-14  »  Hélder Dias

O castelo fácil »  2026-04-05  »  Carlos Paiva

Uma estratégia comercial converteu-se em moda social. Não é propriamente inédito, diversas tentativas de estimular o consumo fizeram-no inúmeras vezes. Refiro-me especificamente à "experiência". Produtizou-se a "experiência" com o intuito de revitalizar turismo, restauração, hotelaria, entretenimento e cultura.
(ler mais...)


Até quando, passado, abusarás da nossa paciência? »  2026-04-05  »  António Mário Santos

Numa ida ao museu municipal Carlos Reis, no último sábado, a fim de participar numa acção cultural com a pintora torrejana Conceição Lopes, ouvi, dum interlocutor, ao defender a construção do museu de arqueologia industrial, que «quem não está atento e não respeita o seu passado, não está a contribuir para a construção do futuro».
(ler mais...)


Constituição, Saramago e Crueldade »  2026-04-03  »  Jorge Carreira Maia

Constituição. A Constituição portuguesa faz cinquenta anos. Tem marcas da época, isto é, do processo de ruptura com o regime autoritário do Estado Novo e da intensa luta política que se seguiu.
(ler mais...)


Escolas e influenciadores »  2026-03-22  »  Jorge Carreira Maia

Provocou alarido a investigação do Público sobre a presença, em espaço escolar, de influenciadores tidos como pouco recomendáveis. Foram detectados 80 casos. Discutiu-se o papel dos directores, mas também do Ministério da Educação, no controlo das entradas nas escolas.
(ler mais...)


Painéis fotovoltaicos ou a identidade patrimonial de uma cidade »  2026-03-22  »  António Gomes

Provavelmente já vamos tarde, tal é o número de atentados ao património, à paisagem urbana e arquitetónica do centro histórico de Torres Novas.

Quase tudo começou com o desleixo e o abandono de centenas de imóveis que hoje ou são ruínas em perigo para quem passa ou em alguns casos são espaços vazios emparedados fruto da intervenção forçada do município.
(ler mais...)


Zôon politikon »  2026-03-22  »  Carlos Paiva

Não posso, nem quero, precisar um ponto no tempo para quando se iniciou o processo, mas decorreu algum desde que existe investimento significativo numa engenharia social destinada a politizar o maior número possível de aspectos da vida do cidadão.
(ler mais...)


Falemos de cultura e do que o município pode criar »  2026-03-22  »  António Mário Santos

Com alguma atenção, mas um certo sentido de distância, tenho seguido directamente as sessões destes primeiros meses da política municipal da Câmara de Torres Novas, presidida pelo Dr. José Manuel Trincão Marques.
(ler mais...)


As cinco depressões do nosso descontentamento - carlos paiva »  2026-02-22  »  Carlos Paiva

O interesse do homem pelos movimentos e ciclos astrais é milenar. Por todo o planeta, monumentos e descobertas arqueológicas revelam esse interesse. Primariamente motivados pela passagem das estações do ano, ciclo do qual dependia o sucesso da agricultura, vital para a sobrevivência, até outras previsões, mais ligadas à superstição, embora calculadas por uma protociência baseada essencialmente no registo de acontecimentos coincidentes, por vezes justificados por vezes casuais, retiravam-se interpretações dos tempos por vir.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2026-04-14  »  Hélder Dias Este gajo é maluco...
»  2026-03-22  »  António Gomes Painéis fotovoltaicos ou a identidade patrimonial de uma cidade
»  2026-04-05  »  António Mário Santos Até quando, passado, abusarás da nossa paciência?
»  2026-03-22  »  António Mário Santos Falemos de cultura e do que o município pode criar
»  2026-03-22  »  Jorge Carreira Maia Escolas e influenciadores