A gestão da empresa Águas do Ribatejo
Opinião
» 2014-03-07
» João Quaresma
Tem sido muita a discussão à volta do tema da contratualização da gestão e exploração dos sistemas municipais de abastecimento de águas para consumo público e de saneamento de águas residuais do município de Torres Novas, concessionada à Águas do Ribatejo, e mais em concreto do último aumento de tarifário. Não constitui nossa intenção discutir as percentagens de aumento das tarifas que estão a ser debitadas a cada consumidor. Quero sim levar a discussão aquilo que deveria ser o exercício político de gestão da participação que o município de Torres Novas tem nesta empresa. A Águas do Ribatejo, como sabemos, é constituída apenas com capitais públicos das autarquias que intervêm no âmbito dos sistemas intermunicipais de abastecimento de água e de saneamento da lezíria do Tejo e do Almonda, a saber: Almeirim, Alpiarça, Benavente, Chamusca, Coruche, Salvaterra de Magos e Torres Novas. Trata-se, então, de propriedade pública e de uma gestão pública dos serviços de abastecimento de água e saneamento.
Empresa pública cujo objeto social é exercido de uma forma monopolista, pois nenhuma outra empresa tem a fazer-lhe concorrência na sua atividade. O município de Torres Novas poderia, a exemplo do que aconteceu em Santarém, criar uma empresa detida no seu capital social exclusivamente por si. Porém, ao longo de mais de uma dezena de anos, a gestão camarária passou por direcionar os proveitos resultantes da gestão e exploração do sistema municipal de abastecimento de águas para consumo público e de saneamento de águas residuais para outros projetos e comparticipações municipais. Foi assim ao longo de anos, apesar de tantas vezes terem sido alertados aquando da discussão dos planos de atividades. O caminho politico seguido foi o de esgotar os proveitos, não cuidando de prever investimento suficiente para acautelar a sustentabilidade deste sector da gestão camarária, tendo conduzido o município ao estado de necessidade de ter de recorrer a uma solução diferente que possibilitasse a realização do investimento que há muito merecia cuidados. Hoje, resta ao município de Torres Novas, atenta a sua participação social na empresa Águas do Ribatejo e querendo defender os interesses dos munícipes torrejanos, contribuir para a definição de uma adequada política de financiamento global dessa empresa, que tenha em conta não só o custo dos investimentos e os encargos de exploração e manutenção dos sistemas já existentes, mas também a necessidade da sua expansão e reabilitação, e que explicite de forma clara e concreta qual a parcela do financiamento global que deve ser obtida com recurso às tarifa, bem como a definição de uma política tarifária que não pode deixar de ter em conta nem a necessidade de geração dos fundos indispensáveis à garantia da qualidade do serviço a prestar, nem a dimensão social dos serviços prestados. Baixar os tarifários passa pela ação política dos acionistas da Águas do Ribatejo, que devem ter a capacidade de definir uma estratégia comercial e de investimento da empresa que deixe de repercutir todos os custos no consumidor, dividindo os custos de investimento de obras ainda não em execução em orçamentos futuros.
A curiosidade maior é perceber que os acionistas em causa são municípios geridos à ”esquerda”.
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A gestão da empresa Águas do Ribatejo
Opinião
» 2014-03-07
» João Quaresma
Tem sido muita a discussão à volta do tema da contratualização da gestão e exploração dos sistemas municipais de abastecimento de águas para consumo público e de saneamento de águas residuais do município de Torres Novas, concessionada à Águas do Ribatejo, e mais em concreto do último aumento de tarifário. Não constitui nossa intenção discutir as percentagens de aumento das tarifas que estão a ser debitadas a cada consumidor. Quero sim levar a discussão aquilo que deveria ser o exercício político de gestão da participação que o município de Torres Novas tem nesta empresa. A Águas do Ribatejo, como sabemos, é constituída apenas com capitais públicos das autarquias que intervêm no âmbito dos sistemas intermunicipais de abastecimento de água e de saneamento da lezíria do Tejo e do Almonda, a saber: Almeirim, Alpiarça, Benavente, Chamusca, Coruche, Salvaterra de Magos e Torres Novas. Trata-se, então, de propriedade pública e de uma gestão pública dos serviços de abastecimento de água e saneamento.
Empresa pública cujo objeto social é exercido de uma forma monopolista, pois nenhuma outra empresa tem a fazer-lhe concorrência na sua atividade. O município de Torres Novas poderia, a exemplo do que aconteceu em Santarém, criar uma empresa detida no seu capital social exclusivamente por si. Porém, ao longo de mais de uma dezena de anos, a gestão camarária passou por direcionar os proveitos resultantes da gestão e exploração do sistema municipal de abastecimento de águas para consumo público e de saneamento de águas residuais para outros projetos e comparticipações municipais. Foi assim ao longo de anos, apesar de tantas vezes terem sido alertados aquando da discussão dos planos de atividades. O caminho politico seguido foi o de esgotar os proveitos, não cuidando de prever investimento suficiente para acautelar a sustentabilidade deste sector da gestão camarária, tendo conduzido o município ao estado de necessidade de ter de recorrer a uma solução diferente que possibilitasse a realização do investimento que há muito merecia cuidados. Hoje, resta ao município de Torres Novas, atenta a sua participação social na empresa Águas do Ribatejo e querendo defender os interesses dos munícipes torrejanos, contribuir para a definição de uma adequada política de financiamento global dessa empresa, que tenha em conta não só o custo dos investimentos e os encargos de exploração e manutenção dos sistemas já existentes, mas também a necessidade da sua expansão e reabilitação, e que explicite de forma clara e concreta qual a parcela do financiamento global que deve ser obtida com recurso às tarifa, bem como a definição de uma política tarifária que não pode deixar de ter em conta nem a necessidade de geração dos fundos indispensáveis à garantia da qualidade do serviço a prestar, nem a dimensão social dos serviços prestados. Baixar os tarifários passa pela ação política dos acionistas da Águas do Ribatejo, que devem ter a capacidade de definir uma estratégia comercial e de investimento da empresa que deixe de repercutir todos os custos no consumidor, dividindo os custos de investimento de obras ainda não em execução em orçamentos futuros.
A curiosidade maior é perceber que os acionistas em causa são municípios geridos à ”esquerda”.
Painéis fotovoltaicos da Renova: e um bocadinho de interesse municipal agora ao contrário? - joão carlos lopes
» 2025-12-10
Na recente reunião do executivo municipal em que foi debatida a questão dos painéis fotovoltaicos da Renova, o presidente da Câmara, José Trincão Marques, recordou o seu papel assertivo, então enquanto presidente da assembleia municipal, na polémica sobre o acesso à nascente do rio Almonda, que foi tema recorrente nestas páginas nos anos 2020/2023. |
Transparência ou opacidade, eis a questão! - antónio mário santos
» 2025-12-05
Uma nova geração (parte de, sejamos exactos) a dirigir o município, conforme citou na última sessão extraordinária o actual presidente do executivo camarário, José Manuel Trincão Marques. |
Presidenciais, o grau de ressentimento - jorge carreira maia
» 2025-12-05
» Jorge Carreira Maia
As próximas eleições presidenciais vão medir o grau de ressentimento político dos portugueses. Em teoria, há quatro candidatos que podem aspirar a passar à segunda volta. Para usar uma classificação de um amigo, temos duas rainhas de Inglaterra (Marques Mendes e António José Seguro) e dois caudilhos (Gouveia e Melo e André Ventura). |
Gente nova, poder novo. Caminho certo? - antónio mário santos
» 2025-11-22
» António Mário Santos
Ainda não assentou a poeira do espanto e da tristeza das eleições municipais e já a boataria fervilha nas redes sociais. Da reunião mal-esclarecida entre o recém presidente José Manuel Trincão Marques e o líder da oposição Tiago Ferreira, encontra-se uma descrição em O Mirante, que informa que este último quis fumar o cachimbo de paz com o presidente socialista, desde que este lhe cedesse três lugares a tempo inteiro na vereação, e a vice-presidência do executivo. |
Sal e azar - carlos paiva
» 2025-11-22
» Carlos Paiva
A geração de transição, a última a sacrificar a sua vida à ditadura, a que entregou a melhor fase da capacidade produtiva à guerra, à realidade do analfabetismo, iliteracia, mortalidade infantil ao nível do Terceiro Mundo (faziam-se dez filhos para sobreviverem dois), agricultura de subsistência, escravidão fabril, feudalismo empresarial e que concebeu os seus filhos pouco antes da queda do fascismo, está a desaparecer. |
Manuel Ribeiro (1878-1941) - jorge carreira maia
» 2025-11-22
» Jorge Carreira Maia
Como em todas as literaturas, também na portuguesa existe um cânone. No romance, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Agustina Bessa-Luís ou José Saramago pertencem, de forma permanente, ao cânone. Outras entrarão e sairão dele em conformidade com os humores do dia. |
É só fazer as contas - antónio gomes
» 2025-11-09
» António Gomes
Os resultados eleitorais são de todos conhecidos, assim como os vencedores e os vencidos. A democracia que dizem alguns, está doente e corre o risco de entrar em coma ditou para o concelho de Torres Novas o fim da maioria absoluta do PS, embora conservando a presidência da câmara por uma unha negra, tal como há 32 anos atrás, pouco mais de 80 votos. |
As esquerdas, as eleições municipais, o que se seguirá… -antónio mário santos
» 2025-11-09
» António Mário Santos
«o sectarismo, a característica mais tóxica da esquerda portuguesa, tem destas coisas. Leva quem não se olha ao espelho a ignorar o mundo ou, pior, a fingir que as dificuldades estão na casa do lado» - Francisco Louçã, Público, 3 de Novembro A esquerda portuguesa está em crise. |
Da evolução das espécies - carlos paiva
» 2025-11-09
» Carlos Paiva
No início dos anos noventa do século passado a Internet deu os primeiros passos em Portugal. Primeiro pela comunidade científica e académica, depois, muito rapidamente, expandiu-se às empresas e cidadãos comuns. |
Os três salazares - jorge carreira maia
» 2025-11-09
PRIMEIRO SALAZAR. Foi um ditador cinzento e manhoso. Tinha a virtude de odiar políticos histriónicos e espalhafatosos. Esse ódio virtuoso, porém, era acompanhado por outros ódios nada virtuosos. Odiava, antes de tudo, a liberdade. |