• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Sexta, 10 Julho 2020    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Seg.
 40° / 21°
Céu limpo
Dom.
 37° / 19°
Períodos nublados
Sáb.
 39° / 18°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  34° / 16°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

A razão e o desejo

Opinião  »  2014-09-12  »  Jorge Carreira Maia

Uma estimativa da população portuguesa para 2060 (faltam cerca de 45 anos) prevê que sejamos, nessa altura, seis milhões. Isto é, os dados apontam para que nos próximos 45 anos Portugal perca 40% da sua população, para além de um acentuado aumento da população idosa. Uma das formas de mascarar o verdadeiro cerne do problema reside na recorrente lamentação de que os políticos não criam condições para as pessoas terem filhos. Apesar de haver alguma verdade na afirmação, e de não existirem políticas eficazes de apoio às famílias, o problema encontra-se noutro lado.

Pode-se parafrasear Kant e dizer que a natureza teria andado muito mal se tivesse confiado à razão humana a propagação da espécie. Até há algumas décadas, a propagação da vida humana estava fundada não na escolha e decisão racional dos indivíduos, mas no desejo cego presente no impulso sexual. Desejo esse que sempre se mostrou eficaz para assegurar a continuidade da espécie humana. A descoberta da pílula permitiu a construção de dispositivos eficazes de planeamento familiar. O que significa isto? Significa que a propagação da espécie foi retirada do âmbito do desejo sexual e colocada sob uma decisão aparentemente racional dos indivíduos. Paulatinamente, as pessoas deixam de ter filhos porque optam por não tê-los. A geração de novos seres passou a depender da razão calculadora dos progenitores, que podem separar o prazer sexual da reprodução.

A introdução da razão no processo de procriação acabou por ter efeitos – se medidos pelo interesse racional dos indivíduos – contraditórios. As pessoas alegam não ter filhos por falta de condições para tal. Agem segundo o seu interesse particular. Mas há consequências destas decisões. A diminuição da população, devido ao planeamento racional dos nascimentos, acaba por ir contra os interesses futuros dos indivíduos, pois deixa de haver quem lhes possa assegurar uma velhice com um módico de dignidade. A introdução do planeamento familiar veio resolver importantes problemas sociais. A verdade, porém, é que criou outros, porventura bem mais graves.

O assunto é ainda mais crítico pois a razão que criou o problema parece impotente para o resolver. Os portugueses vão desaparecendo não porque um epidemia os leva, uma guerra de extermínio se abate sobre eles ou uma catástrofe natural os dizima. Vão desaparecer porque – como outros povos ocidentais – confiaram à razão aquilo – a propagação da vida – que sempre foi da jurisdição do cego desejo sexual. Tudo tem um preço.

www.kyrieeleison-jcm.blogspot.com

 

 

 Outras notícias - Opinião


Os municípios e as respostas locais e excepcionais a uma situação de excepção »  2020-07-03  »  Ana Lúcia Cláudio

Lisboa e Porto são, naturalmente, as cidades portuguesas mais viradas para o turismo. Por isso mesmo, são também elas as mais penalizadas com os respectivos danos colaterais nas vidas de todos os que aí vivem e trabalham.
(ler mais...)


Tudo vale a pena se a alma não é pequena - anabela santos »  2020-07-03  »  AnabelaSantos

Tanto empenho, tanto sofrimento, tantos sacrifícios, tanta luta para alcançar objectivos e pergunta Fernando Pessoa se terá valido a pena, ao que o poeta responde: sim. Se a alma não é pequena, isto é, se é dotada de um espírito bravo, forte e sonhador, nada do que se faz é em vão.
(ler mais...)


Cada um escolhe os seus amigos - antónio gomes »  2020-07-03  »  António Gomes

A proposta do Bloco para apoio ao comércio local foi rejeitada. O PS mostrou insensibilidade e ignorância com este sector da economia local. O PS não quer saber das dificuldades de quem teve de encerrar os negócios durante três meses e por isso não conseguiu realizar dinheiro, apesar de manter os compromissos regulares como as rendas, entre outros.
(ler mais...)


A justa distância - jorge carreira maia »  2020-07-03  »  Jorge Carreira Maia

Começamos a descobrir que eram exorbitantes as expectativas de que a pandemia fosse um pesadelo que passaria na manhã seguinte. Quando se confinou, a esperança era que tudo voltasse ao habitual passadas duas semanas, talvez quatro.
(ler mais...)


SEQUESTRADOS - josé mota pereira »  2020-07-03  »  José Mota Pereira

Parece inevitável que no próximo ano, ano e meio, possamos desconfinar mais do que estamos. A surgirem alterações, será sempre no sentido do aumento do confinamento e não o seu contrário. Sem prazo à vista para que nos libertemos disto.
(ler mais...)


É lidar »  2020-07-03  »  Margarida Trindade

Sou constantemente assaltada pela dúvida. Sofro deste desconforto constante. Bem sei que mais felizes são os que nunca têm dúvidas e os que raramente se enganam e que dizer isto pode parecer uma banalidade, mas é a mais pura das verdades.
(ler mais...)


Capitalismo e saúde mental - mariana varela »  2020-07-03  »  Mariana Varela

Num mundo onde os problemas mentais se alastram, em que domina a ansiedade diária, o stress, a depressão, em que a prescrição de medicação como os ansiolíticos e antidepressivos tem vindo a aumentar, urge detetar as raízes desta verdadeira crise de saúde mental, ao invés de nos restringirmos ao tratamento de sintomas.
(ler mais...)


São Pedro, o Ferreira, pesando as almas - joão carlos lopes »  2020-06-19  »  João Carlos Lopes

Na reunião camarária do passado dia 2 de Junho, a respeito de mais uma trapalhada relacionada com o apoio unilateral da maioria socialista ao jornal “O Almonda”, uma vereadora dizia que se sentia enganada e mais disse que o PS, que tinha votado a favor, também devia sentir-se enganado.
(ler mais...)


Carta aberta a bom entendedor - inês vidal »  2020-06-18  »  Inês Vidal

Tenho mau feitio, quem me conhece sabe. Uma característica que nasceu comigo, mas que nitidamente vai piorando à medida que os anos passam, a vida corre, as experiências se sucedem...

Não deixa de ter graça que simultaneamente, mas num sentido inversamente proporcional, cresça a minha tolerância para com uma série de outras coisas que outrora me custava entender.
(ler mais...)


Radicais e moderados - jorge carreira maia »  2020-06-18  »  Jorge Carreira Maia

Na segunda-feira passada, o Presidente da República fez uma intervenção na televisão sobre a vandalização da estátua do Padre António Vieira. Chamou a atenção para que nenhum dos verdadeiros problemas da pobreza, da discriminação e do racismo se resolve com estas acções.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-06-18  »  Inês Vidal Carta aberta a bom entendedor - inês vidal
»  2020-06-19  »  João Carlos Lopes São Pedro, o Ferreira, pesando as almas - joão carlos lopes
»  2020-06-18  »  José Mota Pereira Dois mitos do desenvolvimento em Torres Novas - josé mota pereira
»  2020-06-18  »  Jorge Carreira Maia Radicais e moderados - jorge carreira maia
»  2020-06-18  »  Miguel Sentieiro Panificação em tempo de pandemia - miguel sentieiro