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Um olhar paroquial

Opinião  »  2014-09-25  »  Jorge Carreira Maia

Devo ao Jornal Torrejano (JT) a possibilidade de olhar com mais atenção o mundo onde vivo. Por norma, os jornais locais focam, e muito bem, a realidade local, analisam-na e dissecam-na com atenção. É esse o seu mérito. Apesar de viver em Torres Novas, vivo bastante retirado dos seus problemas e da sua vida. Com os anos, fui-me recolhendo e afastando da realidade concelhia. Não porque ela não mereça atenção. Merece e bastante, mas talvez por falta de tempo, de conhecimento ou de talento, os problemas locais tornaram-se longínquos, mesmo quando me batem à porta. O JT, todavia, deixou-me observar o mundo a partir das suas páginas.

Todo o olhar é perspectivístico. Aquilo que vemos depende também do local de observação. Eu gosto deste observatório paroquial. Olho para o mundo a partir da minha paróquia, digamos assim. Isso acontece com todos, mas raramente se tem a consciência disso. Quem escreve para os grandes jornais nacionais, por exemplo, não tem essa noção. Escrever num jornal de província devolve-nos a consciência clara de que tudo o que dizemos e escrevemos deve ser tido nos limites determinados pelo sítio a partir do qual olhamos.

Dito de outra maneira, olho o mundo com o meu olhar paroquial e provinciano. Com os olhos esbugalhados, faço como o Sá de Miranda: m’espanto às vezes, / outras m’avergonho. Mas entre espanto e vergonha, vou pensando o curso do mundo, sabendo qual é o meu lugar nesse mundo. Esta consciência acrescida da natureza perspectivística do olhar, mesmo quando a escrita é enfática, ajuda a relativizar aquilo que se escreve e as posições que se defendem. Os tempos que vivemos são particularmente obscuros. Obscuros porque o mal neles se manifesta com especial veemência. Obscuros porque a realidade é de tal maneira complexa que dificilmente a conseguimos abarcar com o olhar.

Escrever torna-se, desse modo, uma luta contra a obscuridade, um exercício de procura de uma luz que o mundo, na sua crescente complexidade, se furta a dar-nos num primeiro relance. Por outro lado, fazer opinião – os gregos chamavam-lhe doxa e opunham-na à ciência – é ainda uma forma de tomar posição e escolher um campo, mesmo quando se está longe de estar convicto das razões que nos assistem e ao campo em que nos colocamos. E, para dizer a verdade, estou muito longe de estar convicto seja do que for. Pergunto-me, muitas vezes: se mudar de lugar, será que vejo as mesmas coisas? E pressinto que a resposta é um rotundo não. Se a verdade do olhar está dependente do sítio de onde se olha, escrever torna-se então um ensaio, uma tentativa para dar sentido à experiência confusa que o mundo proporciona. E essa possibilidade devo-a há muitos anos ao JT, que me acolheu nas suas páginas e me deu a liberdade, a partir deste aqui e deste agora, de fazer um caminho a ver o mundo.

 

 

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