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Ébola, a incómoda realidade

Opinião  »  2014-11-28  »  Acácio Gouveia

Na sequência de um artigo de opinião publicado no último número do JT, desvalorizando os riscos da epidemia do ébola, é pertinente contrapor-lhes alguns factos concretos.

Antes de mais, convirá dizer que a inocuidade da passada epidemia da gripe A é, em larga medida, um mito. Quer dizer: foi mais grave do que se pretende fazer crer. A possibilidade de virmos a enfrentar epidemias mortíferas não é uma hipótese meramente teórica.

Passemos à presente epidemia.

Em primeiro lugar, a agressividade deste vírus, que matou já cerca de um terço dos infectados, não pode ser desmentida.

Em segundo lugar, a possibilidade da sua disseminação para outros continentes já se verificou, sendo muito exagerada a sensação de segurança para os europeus e americanos, até porque já houve mortes (2 nem 6 doentes!) entre os infectados nos EUA e Espanha. Embora haja barreiras protetoras, elas não são garantia absoluta que por aqui nada se passará.

Por último, é de todo infundada a ideia que o ébola tenha deixado de ser uma preocupação. Pelo menos para as autoridades e profissionais de saúde.

Portanto, ninguém se iluda: estamos perante uma ameaça muito real e de alta perigosidade, sendo o futuro imprevisível.

Permito-me um comentário sobre as reações ao abate do cão Excalibur. O que pensarão os guineenses, liberianos e habitantes da Serra Leoa da onda de indignação sobre a sorte que coube ao desafortunado animal. Possivelmente vão pensar que, para os europeus, é mais importante a vida dum bicho do que as de milhares de africanos.

Mas Ricardo Rodrigues tocou num ponto muito importante: a histeria. Só há algo pior que uma ameaça grave: a conjugação do pânico com a ameaça. Não sendo possível fazer desaparecer a ameaça, resta-nos combater o pânico, começando por fornecer informação fidedigna e relevante. É que tentaremos fazer na próxima semana.

 

 

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