• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 18 Janeiro 2021    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 17° / 11°
Céu nublado com chuva moderada
Qua.
 15° / 10°
Céu nublado com chuva moderada
Ter.
 14° / 1°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  14° / 2°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O lugar do outro - ana lúcia cláudio

Opinião  »  2020-06-18  »  Ana Lúcia Cláudio

"O que está aqui em causa é mais genérico e grave que o “simples” racismo."

Numa das minhas primeiras saídas em lazer após o confinamento forçado, jantava numa esplanada de Lisboa. De olhos postos no rio Tejo, ouvia com atenção uma prima que, a propósito da picanha que nos preparávamos para degustar, se queixava dos olhares recriminatórios e dos comentários de reprovação de que é vítima, sempre que à questão «Quer a carne bem ou mal passada?», opta pela primeira hipótese. A começar pelos funcionários dos restaurantes que, desde logo, a avisam, nem sempre da forma mais delicada, que a carne mais bem passada poderá não ser tão tenra. Passando pelos amigos e companheiros de refeição que, diz ela, se saem quase sempre com o habitual comentário, em jeito de pergunta retórica e jocosa: «Gostas de “sola de sapato”?!» Reiterava-me ela que, se lhe dão essa oportunidade e até a questionam como prefere o dito alimento, tem todo o direito de comer a carne tenra, em sangue, rija ou “sola de sapato”, uma vez que até é ela que paga a conta no final. Assim como jamais se insurge, acrescenta, contra aqueles que têm a opção contrária e, nas suas palavras, “ainda comem a carne com a vaca viva”! «Uma espécie de bullying que sofremos os que gostamos da carne bem passada. Hás-de reparar.» Advertiu-me ela, uma vez que, também eu, prefiro a coisa mais rija.

Algo tão simples e banal como isto é um pequeno exemplo da intolerância que se vive nos dias de hoje perante opiniões e gostos distintos dos nossos. E da dificuldade em aceitar tudo o que é diferente, numa miopia que nos impede de olhar com clareza para além do nosso umbigo. Os ecos desta conversa soaram-me agora com mais força à luz dos últimos acontecimentos na sequência da inqualificável morte de um cidadão de raça negra às mãos (ou pernas, no caso) de um polícia branco norte-americano e do consequente extremar de ódios raciais de parte a parte, tendo culminado até com a igualmente inqualificável destruição de estátuas e monumentos que assinalam determinadas figuras e acontecimentos da história mundial.

Se alguns destes comportamentos não são de agora, pergunto-me se as sequelas do confinamento terão ajudado a exacerbar reacções deste tipo. Esta escalada de violência, além de não ter nada de positivo (como de resto a violência nunca tem), se não fosse trágica seria nalguns casos quase anedótica quando nos apercebemos que há muitos manifestantes que não sabem porque aderem aos “movimentos” e apenas se juntam à confusão, numa atitude típica de claques de futebol que, mais do que apreciar o jogo, apreciam a confusão que os aglomerados potenciam. E quando se destroem símbolos históricos, que até defendiam no passado a mesma causa que agora advogam, com um total desconhecimento sobre acontecimentos.

O que está aqui em causa é mais genérico e grave que o “simples” racismo. É mais uma vez a intolerância e a total falta de respeito pelo que é diferente de nós. Seja na raça, no género, nos costumes, na cultura, na religião, ou na política, tendemos sempre a medir os outros pela nossa bitola e a olhar com desfavor e sentimento de superioridade para tudo o que sai fora das fronteiras daquilo que nós acreditamos como certo, normal e razoável. Achamos estranhos os adereços que se usam em determinadas tribos africanas, questionamos as burcas a que estão “obrigadas” as mulheres de determinados países e até os jejuns “forçados” em nome de uma religião. Porquê? Simplesmente porque não crescemos assim, porque para nós o certo é o “ocidental”, aquilo que nos foi ensinado e que tomamos por único e normal com total desrespeito por todas as outras “normalidades” à nossa volta.

 

 

 Outras notícias - Opinião


O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes »  2021-01-12  »  João Carlos Lopes

Foi paradigmático o facto de, aquando da confirmação (pela enésima vez) da intenção do Governo em avançar com o TGV Lisboa/Porto, as únicas críticas, reparos ou protestos de autarcas da região terem tido por base a habitual choraminga do “também queremos o comboio ao pé da porta”.
(ler mais...)


Peixoto - rui anastácio »  2021-01-10  »  Rui Anastácio

Há uns meses, em circunstâncias que não vêm ao caso, tive o prazer de privar com José Luís Peixoto e a sua mulher, Patrícia Pinto. Foram dias muito agradáveis em que fiquei a conhecer um pouco da pessoa que está por trás do escritor.
(ler mais...)


A Pilhagem - josé ricardo costa »  2021-01-10  »  José Ricardo Costa

Podemos dizer que um jogo de futebol sem público ou vida sem música é como um jardim sem flores. Não que um jardim sem flores deixe de ser um jardim. Acontece que, como no jogo de futebol, fica melhor se as tiver. Já se for uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, a comparação com o jardim sem flores não funciona, pela singela razão de que uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, sendo ainda sopa, sopa de feijão com couves não é de certeza.
(ler mais...)


DAR VOZ AO TRABALHO - josé mota pereira »  2021-01-10  »  José Mota Pereira

Entrados na terceira década do século XXI, o Mundo dos humanos permanece o lugar povoado das injustiças, da desigualdade e do domínio de uns sobre os outros. Não é a mudança dos calendários que nos muda a vida.
(ler mais...)


Uma visita à direita nacional - jorge carreira maia »  2021-01-10  »  Jorge Carreira Maia

A sondagem da Aximage, para o DN/JN/TSF, referente ao mês de Dezembro, dá ao CDS uns miseráveis 0,3%. Os partidos também morrem e o CDS está moribundo. Teve um importante papel na transição à democracia e, também, na vida democrática institucionalizada.
(ler mais...)


Coltur… Quoltur… Coultur… Hábito - carlos paiva »  2021-01-10  »  Carlos Paiva

A arte pode dividir-se em dois grandes grupos. A arte comercial e a arte não comercial. A não comercial, por se reger pela criatividade, originalidade, inovação, profundidade, talento e virtuosismo, acaba por ser a produtora de matéria-prima para a arte comercial, regida essa pelas leis de mercado.
(ler mais...)


Resíduos urbanos - antónio gomes »  2021-01-10  »  António Gomes

O sector dos resíduos sólidos urbanos esteve recentemente na agenda mediática devido à revolta das populações que vivem perto dos aterros onde são depositados, pois assistem à constante degradação da sua qualidade de vida.
(ler mais...)


Como serás tu, 2021? - anabela santos »  2021-01-10  »  AnabelaSantos

 

O nosso maior desejo era fechar a porta a 2020 e abrir, com toda a esperança, a janela a 2021. E assim foi. Com música, alegria, festarola e fogo de artifício, tudo com peso e medida, pois havia regras a cumprir.
(ler mais...)


2021: uma vida que afaste a morte - inês vidal »  2021-01-10  »  Inês Vidal

Finalmente 2021. Depois de um ano em que mais do que vivermos, fomos meros espectadores, fantoches num autêntico teatro de sombras, com passos e passeatas manipulados por entre margens e manobras de cordelinhos, chegámos a 2021. E chegámos, como em qualquer ano novo, com vontade de mudar, de fazer planos, resoluções que acabaremos por abandonar antes do Carnaval.
(ler mais...)


2020, um ano para esquecer? - jorge carreira maia »  2020-12-20  »  Jorge Carreira Maia

O ano de 2020 não foi fácil. A pandemia desestruturou os nossos hábitos e começou a desfazer a relação tradicional que tínhamos com a vida. Introduziu a incerteza nas decisões, o medo nos comportamentos, o afastamento entre pessoas.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-12-19  »  Inês Vidal Paul do Boquilobo - Inês Vidal
»  2021-01-12  »  João Carlos Lopes O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes
»  2020-12-20  »  Jorge Carreira Maia 2020, um ano para esquecer? - jorge carreira maia
»  2021-01-10  »  Inês Vidal 2021: uma vida que afaste a morte - inês vidal
»  2021-01-10  »  Jorge Carreira Maia Uma visita à direita nacional - jorge carreira maia