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Sim, dou licença - inês vidal

Opinião  »  2022-06-04 

"“Acredito que somos biologicamente diferentes e que, como tal, quanto mais não seja por isso, nunca poderemos ser iguais. Não é essa igualdade que um feminista pede."

Sempre quis ser espanhola. Gosto e invejo o ritual das cañas e pinchos, ao mesmo tempo que me questiono, intrigada, sobre onde enfiam as crianças para poderem passar os fins de tarde na esplanada. Adoro o conceito. Sempre quis ser espanhola. Uma vontade reiterada e sublinhada com a recente medida de atribuição de uma licença menstrual às mulheres que com ela sofrem. Uma questão de saúde e bem estar, sexismos à parte. Uma medida contra falsos moralismos e discussões politicamente correctas sobre igualdade ou diversidade.

Sou mulher. Cresci entre irmãos e vizinhos homens. Trepei árvores, joguei aos centros no portão lá de casa, brinquei com tropas e índios, corri atrás da bola, desci a ladeira de skate vezes sem conta. As cicatrizes dos meus joelhos contam orgulhosamente todas essas histórias. Quando fechada no meu quarto, brinquei com os meus bonecos o mais que pude. Vesti e despi, alimentei, dei colo e até ralhei. Fui mãe, com aquele instinto bem apurado, que mantenho ainda hoje (apesar de invejar a capacidade logística de deixar as crianças em casa para rumar às cañas de fim da tarde).

Sou mulher e gosto. Nunca desejei ser homem, muito menos que me considerassem igual a um. Acredito que somos biologicamente diferentes e que, como tal, quanto mais não seja por isso, nunca poderemos ser iguais. Não é essa igualdade que um feminista pede. Um feminista pede que o respeito seja igual, tanto pelo homem como pela mulher, bem como pelas diferenças evidentes que ambos têm.

Como mulher que sou, tenho características que homem algum jamais terá, tal como os homens têm particularidades que eu jamais atingirei. E isso é bom, parte de um equilíbrio fantástico que só a natureza nos poderia dar. Como mulher posso ser mãe, gerar crianças, sejam elas homens ou mulheres, e o meu corpo tem a maravilhosa capacidade de poder alimentar ambos de igual forma. Quanto mais não seja, que valha tudo isso. Causa e consequência de tudo o que sou e gero, tenho a menstruação todos os meses e com ela, todas as incapacidades que isso acarreta. Para mim é sujo e desconfortável, além de acicatar o meu já natural mau humor. Que me aguente, quem à minha volta se move. Mas, para algumas mulheres, é dor e horror, um estado incapacitante que mal deixa respirar, quanto mais trabalhar. E é para essas, para quem o ser mulher pode ser uma doença, que surge esta licença menstrual. Para quando o parar é inevitável.

Muitas vozes tenho ouvido depois de Espanha ter trazido de volta à mesa este assunto. Um retrocesso e um atentado a quem quer a igualdade, dizem uns, uma incongruência dizem outros, considerando incompatível a igualdade profissional e uma licença menstrual. Como se a dor incapacitante de uma endometriose ou doença semelhante, pudesse pôr em casa a capacidade de trabalho de alguém.

A discordância certamente continuará. A mim, esta discussão meio hipócrita só me deixa a pensar que eu de facto devo ter o meu género muito bem resolvido. Ter dores menstruais não faz de mim menos do que um homem. Só faz de mim mulher.

 



 

 

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