• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Sábado, 18 Janeiro 2020    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Ter.
 14° / 5°
Céu nublado
Seg.
 11° / 4°
Períodos nublados
Dom.
 15° / 6°
Céu limpo
Torres Novas
Hoje  18° / 10°
Céu nublado com chuva moderada
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O prazer de ir a lado nenhum

Opinião  »  2019-09-28  »  Jorge Carreira Maia

"Cada romance traz com ele um mundo, diríamos um mundo potencial onde seria plausível imaginar pessoas de carne e osso a viver, carregadas com as suas expectativas, vitórias e o drama das derrotas."

O maior prazer daqueles que frequentam a literatura será o da deambulação, visitar lugares desconhecidos e confrontar-se com mundos inesperados, andar por aí sem ir a lado nenhum. Se quisermos uma prova sobre a existência de uma pluralidade de mundos, basta uma palavra: literatura. Cada romance traz com ele um mundo, diríamos um mundo potencial onde seria plausível imaginar pessoas de carne e osso a viver, carregadas com as suas expectativas, vitórias e o drama das derrotas. A poesia é ainda mais radical, pois cada poema, pequeno que seja, traz em si um universo. O que esses mundos da literatura possuem de especial é que a sua criação é feita a duas mãos. O escritor e o leitor que conclui no seu espírito a obra produzida pelo autor. Não há apenas um romance Os Maias ou um A Montanha Mágica. Há tantos quantos os leitores que, ao interpretarem os textos, os fazem viver sempre de forma singular.

Há quem diga que apenas lê os clássicos. A justificação que apresenta é pertinente. Como aquilo que há para ler é tanto e a esperança de vida tão curta, o mais ajuizado é dar atenção apenas ao que a tradição canonizou. No entanto, esta perspectiva impede-nos o prazer da descoberta, evita a experiência do erro, põe de lado toda uma riqueza literária que o tempo apagou. Se seguisse esse sábio conselho nunca teria descoberto Joaquim Paço de Arcos, nem estaria a ler Carlos Malheiro Dias. Este era visto, após a morte de Eça de Queiroz como o grande romancista português. O tempo não esteve de acordo, mas é um escritor que vale a pena ler. Tem um poder descritivo de grande alcance e precisão e não deixa de ecoar nos universos literários que constrói um ethos que desconhecemos.

Como dizia a princípio, o grande prazer é o da deambulação. E é isso que faço neste momento, indo entre Malheiros Dias, Filho das Ervas, e Anatole France, A Revolta dos Anjos, atravessando pelo meio os poetas Daniel Jonas, Canícula, Amândio Reis, Spinalonga, e Manuel Rodrigues, Anastática (em homenagem a Alberto Pimenta), sem esquecer os dois livros da Ivone Mendes da Silva, Dano e Virtude e A Mulher do Meio. O interesse desta errância é o da pluralidade das experiências que, enquanto leitor, sou submetido. Se apenas lesse aquilo que consta do cânone literário, talvez nem o Anatole France estivesse a ler. Não teria, contudo, o prazer de me perder por caminhos que se bifurcam, se opõem, se anulam e apagam, que, para dizer tudo, não vão a lado nenhum. E que prazer maior pode haver, num mundo onde toda a gente quer ir a algum lado, do que não ir a lado nenhum?

 

 

 Outras notícias - Opinião


O discurso do rancor »  2020-01-10  »  Jorge Carreira Maia

Vivemos num país cordato e seguro, onde a violência é diminuta e o respeito pelos outros é significativo. Somos, ao mesmo tempo, medianamente ricos e medianamente pobres e, ao longo destes anos de democracia, temos sabido resolver os problemas com que nos deparámos.
(ler mais...)


As ciclovias e o debate público »  2020-01-09  »  João Quaresma

No último mês de Dezembro, em duas reuniões de câmara sucessivas, discutiu-se o programa base de uma rede de ciclovias para a cidade de Torres Novas, com cerca de 24 Km na sua totalidade, a construir por fases, bem como uma dessas fases na zona da Quinta da Silvã, com cerca de 6 Km, que será a primeira a ser realizada.
(ler mais...)


Saída de Emergência (uma crónica em atraso), por Maria Augusta Torcato »  2020-01-09  »  Maria Augusta Torcato

Madrugada. Janeiro, dia 4. De 2019.

O comboio deslizava nas linhas com o seu ritmo sereno, como se não tivesse pressa ou tivesse de respeitar passagem ou não quisesse, com brusquidão, ferir o ferro.
Há muito que não andava de comboio.
(ler mais...)


CONSIDERAÇÕES A PROPÓSITO DO BREXIT »  2020-01-09  »  José Alves Pereira

As eleições realizadas a 12 de Dezembro passado estão, tal como a situação na Grã-Bretanha, envoltas em tantas contradições que alinhavar comentários, com alguma linearidade e coerência, não é tarefa fácil.
(ler mais...)


O medo »  2020-01-09  »  António Gomes

Temos vindo a assistir, com alguma insistência por parte do presidente da câmara municipal de Torres Novas, ao anúncio da sua candidatura nas próximas eleições autárquicas. Devido à insistência, até parece que o presidente anda obcecado com tal objectivo.
(ler mais...)


A imprensa »  2020-01-09  »  Anabela Santos

Feliz Natal, boas festas, bom ano, foram os votos das últimas semanas do mês de Dezembro. Em ambiente de festa, de partilha e de solidariedade, cumpriu-se mais uma época festiva que iniciou lá para meados do mês e terminou no dia 1 de Janeiro.
(ler mais...)


Brio »  2020-01-09  »  Rui Anastácio


“Um café bem tirado e com bons modos.”
Fiquei com esta frase na cabeça. Foi dita em tom brincalhão por uma Senhora septuagenária, algures num quiosque à beira mar plantado. Uma forma simples e simpática de pedir competência e brio profissional.
(ler mais...)


Ano novo, Torres “Novas”? »  2020-01-09  »  Ana Lúcia Cláudio

Cada início de ano é, frequentemente, marcado pelo balanço das coisas que não fizemos nos 365 dias anteriores e que, consequentemente, se transformam, agora, em projectos para o novo ano. Nos primeiros dias de Janeiro, todos os anos se repete o mesmo ritual.
(ler mais...)


Serviços públicos, superavit, sistemas eleitorais e vergonha »  2019-12-20  »  Jorge Carreira Maia

DEGRADAÇÃO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS. Existe a ideia de que a degradação dos serviços públicos se resolveria com uma melhor gestão. Qualquer partido a defende desde que esteja na oposição.
(ler mais...)


O PDM e a sua revisão »  2019-12-20  »  António Gomes

Parece que é desta. Ao fim de dezoito anos, o processo de revisão do PDM de Torres Novas dá sinais. Foi preciso o governo ameaçar com cortes nas receitas às autarquias que não completarem a revisão deste importante instrumento de ordenamento do território em 2020, para se iniciar tão importante tarefa.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2020-01-09  »  Maria Augusta Torcato Saída de Emergência (uma crónica em atraso), por Maria Augusta Torcato
»  2019-12-20  »  Jorge Carreira Maia Serviços públicos, superavit, sistemas eleitorais e vergonha
»  2020-01-09  »  António Gomes O medo
»  2020-01-09  »  Rui Anastácio Brio
»  2020-01-09  »  Ana Lúcia Cláudio Ano novo, Torres “Novas”?