• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
Directora: Inês Vidal   |     Terça, 13 de Novembro de 2018
Pesquisar...
Sex.
 20° / 10°
Períodos nublados
Qui.
 20° / 10°
Períodos nublados
Qua.
 20° / 9°
Céu limpo
Torres Novas
Hoje  19° / 8°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O passado e a tradição

Opinião  »  2018-08-30  »  Jorge Carreira Maia

" A queda das velhas instituições não é apenas a morte do passado e da tradição, mas a derrocada do presente. Somos nós que desabamos perante o nosso próprio olhar de espectadores incrédulos."

Graças a um artigo de António Guerreiro, no Público, descobri dois versos extraordinários do realizador e poeta italiano Pier Paolo Pasolini. Deste, conheço alguns filmes, mas nunca li a sua poesia. Pasolini sempre me pareceu ligado ao que, noutros tempos, se chamava, não sem acrimónia política e social, forças progressistas. Os versos, talvez por eu não conhecer a poesia do autor, vejo-os como surpreendentes: Io sono una forza del passato, / Solo nella tradizione è il mio amore (Eu sou uma força do passado, / Só na tradição reside o meu amor).

Os versos não nos dizem que o passado é uma força, tão pouco indicam que a verdade está na tradição. Sublinham apenas que o sujeito poético é uma força do passado, cujo amor – não o conhecimento ou a acção – reside na tradição. Mais que uma declaração sobre o poder do passado e da tradição, Pasolini revela a fragilidade desse passado – cuja força reside agora num indivíduo, talvez solitário – e a impotência da tradição, convertida em objecto de culto sentimental. Interpretemos estes versos à luz da vida que vivemos. Peguemos em duas instituições com passado e tradição. A Presidência norte-americana e o Papado católico.

Se há instituição que, na época moderna, pode reivindicar um passado de liberdade e democracia é a Presidência dos EUA. Esse facto, no entanto, não impede que um presidente tente, com não pouco apoio popular, fazer tábua rasa desse passado. Alguém pode dizer: eu sou uma força do passado, eu acredito na liberdade e na democracia. A declaração, todavia, não é suficiente para travar a demolição do edifício democrático a que se assiste. Outra pessoa pode proclamar: só na tradição católica do Papado reside o meu sentimento. Este, contudo, é impotente perante o triste espectáculo da pedofilia na Igreja e a guerra sem quartel entre o Papa Francisco e os seus inimigos.

Quando o passado e a tradição se manifestam apenas no sentimento de uma subjectividade, e não na força plena e objectiva das instituições, estão ambos aniquilados, transformados em poeira, sublimados no suspiro poético de um coração saudoso. E é isso que marca, nos dias de hoje, as instituições que herdámos. O seu passado e a tradição que dele vivia, os fundamentos em que assentava a sua vida, estão a transformar-se em pó. As consequências não são difíceis de perceber. A queda das velhas instituições não é apenas a morte do passado e da tradição, mas a derrocada do presente. Somos nós – o nosso modo de vida e as nossas crenças – que desabamos perante o nosso  próprio olhar de espectadores incrédulos.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Joaquim Paço d`Arcos »  2018-11-09  »  Jorge Carreira Maia

Foi só agora que cheguei à leitura de Joaquim Paço d’Arcos (1908-1979). Não fazia parte daquele grupo de escritores tidos por referência, apesar de ter sido bastante lido nos anos 40 e 50 do século passado.
(ler mais...)


Orçamento municipal 2019 »  2018-11-09  »  António Gomes

O OM é o documento orientador mais importante da gestão municipal.

É um documento técnico que deve ter plasmadas as contas do município, mas é sobretudo um documento político que espelha as prioridades e as opções de quem aqui governa.
(ler mais...)


Coesão »  2018-10-27  »  João Carlos Lopes

A criação da província do Ribatejo, em 1936, surgiu na sequência de movimentações das “forças vivas” de toda uma vasta região que, grosso modo, vai de Vila Franca a Abrantes, e cujo potencial económico (a agricultura, sobretudo, mas já os grandes polos industriais emergentes), enunciava razões de sobra para um “destaque” face à imensa e diversa Estremadura.
(ler mais...)


O campo das piscinas »  2018-10-27  »  António Gomes

Entendamo-nos: o acesso à fruição de piscinas por puro recreio, manutenção física ou prática desportiva deveria ser de acesso fácil. Infelizmente, em Torres Novas, a generalidade da população, na época do calor, no verão, não tem onde refrescar-se, não temos piscinas de verão e as que já tivemos são recordadas com muita saudade.
(ler mais...)


Compreender e prevenir as doenças cardiovasculares »  2018-10-27  »  Juvenal Silva

Na categoria de doenças cardíacas e cardiovasculares, estão englobadas vários tipos de doenças, entre as quais destaco: aterosclerose, angina de peito e ataque cardíaco.
As artérias desempenham um importantíssimo trabalho de transporte de sangue do coração para outras partes do nosso corpo.
(ler mais...)


O desejo da barbárie »  2018-10-24  »  Jorge Carreira Maia

Vive-se, em Portugal, uma doce ilusão, a de que ainda não fomos tocados pelo vírus do populismo. É um facto que os principais agentes políticos têm evitado recorrer ao mais sombrio populismo político.
(ler mais...)


Casimiro Pereira… dedicação e simplicidade »  2018-10-12  »  Anabela Santos

Pego na caneta, no papel, sento-me na mesa do café e questiono-me: como me atrevo a escrever sobre este senhor? – Não sei, corro o risco, simplesmente.

Era uma miúda, criança mesmo, quando Casimiro Pereira começou a sua vida autárquica em Torres Novas.
(ler mais...)


Como prevenir e tratar infeções urinárias »  2018-10-12  »  Juvenal Silva

Como prevenir e tratar infeções urinárias

As infeções urinárias são muito incómodas e mais recorrentes nas mulheres, que as obrigam a consultas médicas algumas vezes ao ano. Normalmente, o tratamento consiste na toma de antibióticos, que matam a infeção presente, mas deixam a bexiga vulnerável a uma próxima invasão bacteriana.
(ler mais...)


Venha daí um refrigerante fresquinho! »  2018-10-12  »  Miguel Sentieiro

Sumol é um dos actuais alvos da implacável máquina fiscal. Essa refrescante bebida de laranja, com bolhinhas, que nos alivia o calor no pingo do verão, afinal é um vilão cheio de sacarose para nos envenenar.
(ler mais...)


Passa »  2018-10-12  »  Inês Vidal

A Golegã auto intitula-se capital do cavalo. Veiga Maltez gostava de cavalos, havia cavalos na vila, sacou daquela da cartola e um dia disse: “cavalos são na Golegã”. A ideia pegou, vendeu e hoje já não é só o presidente que lhe chama assim.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 10 dias)
»  2018-11-09  »  Jorge Carreira Maia Joaquim Paço d`Arcos
»  2018-11-09  »  António Gomes Orçamento municipal 2019