Ai, Maio, como crescem os lucros dos bancos! - antónio mário santos
Opinião
» 2023-05-15
» António Mário Santos
" “O espectáculo diário é tão triste e tão explorado pelos donos e lambe-cus desta ópera bufa que é o Portugal de 2023."
Um pós 49.º aniversário do 25 de Abril deixou-me às turras com a memória dos discursos da Assembleia da República. Da birra malcriada e batuqueira fascista do Chega, ao discurso e bofetada inteligente do presidente da República Brasileira Lula da Silva. Das patacoadas verborreicas de ministros e adjuntos dum governo em contínua peixeirada. Da farsa vicentina em que se está a tranformar o assunto gravíssimo da TAP. Da história trágico-burlesca dos processos do antigo primeiro-ministro socialista Sócrates. Todos, para vergonha da justiça portuguesa, a caminho da prescrição. Exemplos deste moralista país de brandos costumes, que foi varrendo para debaixo do tapete as desvergonhas públicas, dos professores aos médicos, do trabalhador indiferenciado ao comerciante sem clientela e ao pequeno e médio agricultor a deixar-se levar pelos grandes agrários habituados ao proteccionismo do Estado.
Há um país que perdeu o bolo de aniversário e não sabe onde colocar as velas em que, após quase cinquenta anos de ditadura salazaristo-marcelista de repressão, censura, guerra, prisões, emigração e morte, se descobriu o braço civil do MFA, e ao sair à rua, assegurou a simbologia do cravo libertador no cano da espingarda. E cimentou essa aliança no 1.º de Maio seguinte, quando a alegria e a espontaneidade correram mundo, como uma nova esperança para a liberdade e desenvolvimento dos povos subjugados.
49 anos decorridos vê os engravatados do liberalismo partidário discursarem em nome do que nunca acreditaram e, por muitas benesses que lhe anunciem com os dinheiros da União Europeia, encontra os seus filhos e netos de mala aviada, a abandonarem o país, em busca de trabalho e condições dignas de vida mundo fora. E não são os vencimentos ou as reformas que aufere que lhe permitem o gozo pátrio dessa estranha liberdade nas discursatas dos defensores desta democracia a que chegámos, porque não é consentânea com o desconforto ante a subida galopante duma inflacção que enriquece em cada dia a banca e os novos donos dito tudo. Atormenta-o o medo da perda da casa que arrendou ou adquiriu com um empréstimo, ante as facilidades dum imigrante estrangeiro com regalias que lhe retiraram, e o substitui sem problema financeiro. A imagem do futuro imediato escurece ainda mais com a gravidade duma seca ambiental, que a ilusão do turismo e do urbanismo de luxo contrariam com aprovações de bairros urbanos com moradias com piscinas, ou hotéis de muitas estrelas, onde a água que não irriga os campos e mata a sede aos necessitados, corre ao gosto do desenvolvimento turístico.
Sente que foi, algures, traído no seu desejo de partilha do desenvolvimento democrático. A fatia do bolo que era sua, de direito, alguém lhe fez mão ligeira e lhe deixou o guardanapo seco.
49 anos depois de promessa incumpridas e frustrações contínuas, fingir que não entende o que se passa e quem o explora, já nem a ele mesmo a justificação convence. O espectáculo diário é tão triste e tão explorado pelos donos e lambe-cus desta ópera bufa que é o Portugal de 2023, que não passa duma mistificação dessa aliança de 1974.
É necessário recuperar esse Abril e Maio, acredite.
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Ai, Maio, como crescem os lucros dos bancos! - antónio mário santos
Opinião
» 2023-05-15
» António Mário Santos
“O espectáculo diário é tão triste e tão explorado pelos donos e lambe-cus desta ópera bufa que é o Portugal de 2023.
Um pós 49.º aniversário do 25 de Abril deixou-me às turras com a memória dos discursos da Assembleia da República. Da birra malcriada e batuqueira fascista do Chega, ao discurso e bofetada inteligente do presidente da República Brasileira Lula da Silva. Das patacoadas verborreicas de ministros e adjuntos dum governo em contínua peixeirada. Da farsa vicentina em que se está a tranformar o assunto gravíssimo da TAP. Da história trágico-burlesca dos processos do antigo primeiro-ministro socialista Sócrates. Todos, para vergonha da justiça portuguesa, a caminho da prescrição. Exemplos deste moralista país de brandos costumes, que foi varrendo para debaixo do tapete as desvergonhas públicas, dos professores aos médicos, do trabalhador indiferenciado ao comerciante sem clientela e ao pequeno e médio agricultor a deixar-se levar pelos grandes agrários habituados ao proteccionismo do Estado.
Há um país que perdeu o bolo de aniversário e não sabe onde colocar as velas em que, após quase cinquenta anos de ditadura salazaristo-marcelista de repressão, censura, guerra, prisões, emigração e morte, se descobriu o braço civil do MFA, e ao sair à rua, assegurou a simbologia do cravo libertador no cano da espingarda. E cimentou essa aliança no 1.º de Maio seguinte, quando a alegria e a espontaneidade correram mundo, como uma nova esperança para a liberdade e desenvolvimento dos povos subjugados.
49 anos decorridos vê os engravatados do liberalismo partidário discursarem em nome do que nunca acreditaram e, por muitas benesses que lhe anunciem com os dinheiros da União Europeia, encontra os seus filhos e netos de mala aviada, a abandonarem o país, em busca de trabalho e condições dignas de vida mundo fora. E não são os vencimentos ou as reformas que aufere que lhe permitem o gozo pátrio dessa estranha liberdade nas discursatas dos defensores desta democracia a que chegámos, porque não é consentânea com o desconforto ante a subida galopante duma inflacção que enriquece em cada dia a banca e os novos donos dito tudo. Atormenta-o o medo da perda da casa que arrendou ou adquiriu com um empréstimo, ante as facilidades dum imigrante estrangeiro com regalias que lhe retiraram, e o substitui sem problema financeiro. A imagem do futuro imediato escurece ainda mais com a gravidade duma seca ambiental, que a ilusão do turismo e do urbanismo de luxo contrariam com aprovações de bairros urbanos com moradias com piscinas, ou hotéis de muitas estrelas, onde a água que não irriga os campos e mata a sede aos necessitados, corre ao gosto do desenvolvimento turístico.
Sente que foi, algures, traído no seu desejo de partilha do desenvolvimento democrático. A fatia do bolo que era sua, de direito, alguém lhe fez mão ligeira e lhe deixou o guardanapo seco.
49 anos depois de promessa incumpridas e frustrações contínuas, fingir que não entende o que se passa e quem o explora, já nem a ele mesmo a justificação convence. O espectáculo diário é tão triste e tão explorado pelos donos e lambe-cus desta ópera bufa que é o Portugal de 2023, que não passa duma mistificação dessa aliança de 1974.
É necessário recuperar esse Abril e Maio, acredite.
Candidato à altura…
» 2026-01-15
» Hélder Dias
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Foi em legítima defesa!
» 2026-01-15
» Hélder Dias
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Heil Trump
» 2026-01-15
» Hélder Dias
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O teu petróleo ou a tua vida!
» 2026-01-15
» Hélder Dias
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Não há volta a dar. Não há volta a dar? - antónio mário santos
» 2026-01-14
» António Mário Santos
Não há volta a dar. Trump aplicou a doutrina Monroe e mais do que ela, segundo afirmou na conferência de imprensa sobre a captura de Maduro e de quem é quem no governo venezuelano. Os Estados Unidos da América irão governar, até haver uma transição, quando a considerarem, a seu interesse, possível. |
A esquerda e as presidenciais - jorge carreira maia
» 2026-01-14
» Jorge Carreira Maia
Olhemos para as eleições presidenciais. Mais especificamente, para as esquerdas e os seus candidatos, para comentar a estratégia de hara-kiri em que essas esquerdas parecem ser especialistas. Suicidar-se com honra, como velhos samurais caídos em desgraça perante o seu senhor. |
Silvester - carlos paiva
» 2026-01-14
» Carlos Paiva
A primeira corrida de S. Silvestre aconteceu no Brasil, em 1925. Assinala a data do falecimento de S. Silvestre, o trigésimo terceiro Papa, em 31 de Dezembro de 335. Foi durante o seu pontificado que terminou a perseguição romana aos cristãos. |
O primeiro orçamento deste novo ciclo autárquico é a prova dos nove - antónio gomes
» 2026-01-14
» António Gomes
Veremos o que aí vem, uma coisa é certa, orçamento que não olhe para o TUT e para o futuro da mobilidade urbana sustentável no território concelhio, assegurando um serviço de qualidade que passa, necessariamente, pelo aumento de autocarros a circular e alargando o seu âmbito territorial, não é um orçamento para o povo. |
Piratas!...
» 2026-01-04
» Hélder Dias
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Greve vitoriosa, esquerda derrotada - jorga carreira maia
» 2025-12-22
» Jorge Carreira Maia
Não foram os sindicatos, tanto os da UGT como os da CGTP, acusados, pelo governo, de estarem, com a greve-geral de dia 11, a fazer o jogo dos partidos de esquerda? E não foram os sindicatos os vencedores, pela forma como tornaram visível o perigo para os trabalhadores que as propostas do governo representavam? Foram. |
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» 2026-01-04
» Hélder Dias
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» Hélder Dias
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» 2026-01-15
» Hélder Dias
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