Graças à geringonça
Opinião
» 2017-02-16
» Jorge Carreira Maia
"Hoje somos um país mais moderado, mais sensato e equilibrado do que éramos no tempo do anterior governo e do que seríamos com um governo minoritário de direita."
Os recentes elogios da Comissão Europeia ao desempenho de Portugal representam, por pouco que parte da esquerda goste ou não, uma vitória dessa mesma esquerda. De toda a esquerda portuguesa. Quando António Costa, perante os resultados eleitorais, decidiu formar governo com apoio parlamentar do BE, do PCP e do PEV toda a gente ainda está lembrada da tentativa de fronda lançada pela direita, fronda essa que estaria legitimada num conjunto de profecias que anunciavam que o novo governo não duraria seis meses, que o défice iria disparar e que o país estaria à beira do apocalipse. Apesar da situação continuar muito difícil – devido aos problemas da banca e da dívida – a verdade é que o país ganhou bastante com a actual solução política.
E ganhou – fundamentalmente, mas não só – no domínio político. Para perceber o que ganhámos é necessário pensar o que teria sido a outra solução possível. O que poderia acontecer se PSD e CDS tivessem formado governo com a cumplicidade – através da abstenção – do PS? Duas coisas seriam bastante verosímeis. Em primeiro lugar, uma muito maior instabilidade política derivada à falta de apoio da direita no parlamento, o que traria enormes problemas ao nível económico e financeiro. Em segundo lugar, cada vez que o PS se abstivesse para segurar o governo de direita, o BE e PCP – fundamentalmente, o BE – iriam buscar-lhe uma fatia do eleitorado. Os socialistas estavam em vias de serem trucidados, tal como aconteceu na Grécia e em Espanha. A solução de António Costa não lhe salvou apenas a ele a carreira política. Salvou o próprio PS e segurou a democracia portuguesa dentro da moderação e do equilíbrio.
Ganhou-se ainda mais. Os portugueses perceberam que tanto o BE como o PCP+PEV são parte da solução para o país e não representam qualquer ameaça para as instituições. Não existe esquerda radical no parlamento. Esta solução, cujo mérito deve ser distribuído por todos, tornou a democracia portuguesa mais sólida, porque lhe dá mais alternativas viáveis. Por outro lado, Portugal foi poupado a devaneios como os do Syriza na Grécia e impasses como os provocados pelo Podemos em Espanha. Poder-se-á dizer que tivemos sorte, pois as esquerdas tiveram o ensinamento prévio dos acontecimentos da Grécia e de Espanha. É verdade, mas as esquerdas também souberam ler esses acontecimentos e aprender com eles. Hoje somos um país mais moderado, mais sensato e equilibrado do que éramos no tempo do anterior governo e do que seríamos com um governo minoritário de direita. Graças à geringonça. Não é pouco.
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
Graças à geringonça
Opinião
» 2017-02-16
» Jorge Carreira Maia
Hoje somos um país mais moderado, mais sensato e equilibrado do que éramos no tempo do anterior governo e do que seríamos com um governo minoritário de direita.
Os recentes elogios da Comissão Europeia ao desempenho de Portugal representam, por pouco que parte da esquerda goste ou não, uma vitória dessa mesma esquerda. De toda a esquerda portuguesa. Quando António Costa, perante os resultados eleitorais, decidiu formar governo com apoio parlamentar do BE, do PCP e do PEV toda a gente ainda está lembrada da tentativa de fronda lançada pela direita, fronda essa que estaria legitimada num conjunto de profecias que anunciavam que o novo governo não duraria seis meses, que o défice iria disparar e que o país estaria à beira do apocalipse. Apesar da situação continuar muito difícil – devido aos problemas da banca e da dívida – a verdade é que o país ganhou bastante com a actual solução política.
E ganhou – fundamentalmente, mas não só – no domínio político. Para perceber o que ganhámos é necessário pensar o que teria sido a outra solução possível. O que poderia acontecer se PSD e CDS tivessem formado governo com a cumplicidade – através da abstenção – do PS? Duas coisas seriam bastante verosímeis. Em primeiro lugar, uma muito maior instabilidade política derivada à falta de apoio da direita no parlamento, o que traria enormes problemas ao nível económico e financeiro. Em segundo lugar, cada vez que o PS se abstivesse para segurar o governo de direita, o BE e PCP – fundamentalmente, o BE – iriam buscar-lhe uma fatia do eleitorado. Os socialistas estavam em vias de serem trucidados, tal como aconteceu na Grécia e em Espanha. A solução de António Costa não lhe salvou apenas a ele a carreira política. Salvou o próprio PS e segurou a democracia portuguesa dentro da moderação e do equilíbrio.
Ganhou-se ainda mais. Os portugueses perceberam que tanto o BE como o PCP+PEV são parte da solução para o país e não representam qualquer ameaça para as instituições. Não existe esquerda radical no parlamento. Esta solução, cujo mérito deve ser distribuído por todos, tornou a democracia portuguesa mais sólida, porque lhe dá mais alternativas viáveis. Por outro lado, Portugal foi poupado a devaneios como os do Syriza na Grécia e impasses como os provocados pelo Podemos em Espanha. Poder-se-á dizer que tivemos sorte, pois as esquerdas tiveram o ensinamento prévio dos acontecimentos da Grécia e de Espanha. É verdade, mas as esquerdas também souberam ler esses acontecimentos e aprender com eles. Hoje somos um país mais moderado, mais sensato e equilibrado do que éramos no tempo do anterior governo e do que seríamos com um governo minoritário de direita. Graças à geringonça. Não é pouco.
Os nossos sonhos - joão carlos lopes
» 2026-08-12
» João Carlos Lopes
1. Tomar e Santarém vão ver os seus politécnicos passar a escolas politécnicas universitárias. Independentemente da lógica da medida, que já se esperava para atender a interesses corporativos e políticos, esta cosmética vai suscitar naturalmente novas dinâmicas a essa duas cidades. |
A educação das massas
» 2026-08-08
» Acácio Gouveia
A esquerda tem uma explicação para a viragem à direita que tem assolado a Europa (e não só): a culpa é da governação da direita moderada que leva as massas, frustradas nas suas expectativas, a aderir ao discurso populista da extrema-direita. |
Ajuste de contas, ou apenas eventuais dificuldades?
» 2026-08-08
» António Gomes
As justificações que o presidente da Câmara de Torres Novas tem apresentado para as dificuldades da governação local prendem-se, sobretudo, com a herança que encontrou. “Estou a resolver casos com 20 anos e mais, se querem saber quais perguntem-me que eu digo. |
Caderneta completa
» 2026-08-08
» Carlos Paiva
Torres Novas está prestes a completar a caderneta. Faltava o Mercadona, ele aí vem. Acontece sempre uma sensação de excitação e plenitude quando finalmente o cromo em falta se revela ao abrir a saqueta. Claro que a defesa do comércio tradicional, argumento de vendas em várias campanhas e discursos, foi defendido heroicamente. |
Leituras de férias
» 2026-08-08
» Jorge Carreira Maia
Agosto, tempo de férias para muitos. Não tanto para mim, pois cheguei àquela fase da existência em que todos os tempos são de férias. Deixo, porém, algumas sugestões de leitura. Comecemos pela mais surpreendente. |
É tempo de mudança
» 2026-07-07
» António Mário Santos
Algo que deveria fazer parte da agenda de quem quer seguir a carreira política: não descer ao facilitismo de promessas. Muitas vezes, quando a inexperiência ainda não carreou o cimento necessário à estabilidade da actividade política, tenta-se acreditar que basta uma atitude mais assertiva para o que se encontra há muito emperrado ceder à pressão da urgência do desbloqueio, já que a sua manutenção, sem fim à vista, cria uma atitude de protesto e desagrado populacional, e gera um sem número de interrogações, onde os quem, os porquês, se misturam num diz-se diz-se dificilmente removíveis do desencanto público. |
É só uma fase
» 2026-07-07
» Carlos Paiva
O ciclo de vida de uma área de negócio (empresa, departamento, produto) compreende cinco fases: desenvolvimento, crescimento, maturidade, declínio e extinção. Algures durante a fase de maturidade é onde se deve intervir, com o objectivo de evitar as duas fases seguintes. |
Mundial de Futebol e Tour de França
» 2026-07-07
» Jorge Carreira Maia
Dois grandes acontecimentos desportivos: o Mundial de Futebol e o Tour de França, a começar dia 4. Não vou escrever sobre nenhum deles, nem sequer sobre o desempenho de Portugal, de que só conheço o da fase de grupos. |
Rio Almonda: uma masturbação torrejana - joão carlos lopes
» 2026-06-23
É só uma questão de fazermos comparações: o que falta para aí é equipas de três ou quatro pessoas a fazer tarefas inúteis ou para encher pneus, e ninguém se sobressalta. Pessoas que não têm culpa nenhuma, é claro. |
Julgam-se donos disto tudo
» 2026-06-20
» António Gomes
A luta que as populações travam contra a localização da fábrica de biometano em Árgea, ou noutras localidades de Portugal ou mesmo da Europa, é uma luta justa. É uma luta em defesa da sua vida em comunidade, pela sua segurança, pelo seu futuro, pela sua qualidade de vida, pela sua saúde. |