Warning: file_get_contents(http://api.facebook.com/restserver.php?method=links.getStats&urls=jornaltorrejano.pt%2Fopiniao%2Fnoticia%2F%3Fn-b5b4629f): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 400 Bad Request in /htdocs/public/www/inc/inc_pagina_noticia.php on line 148
Jornal Torrejano
 • SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 08 Dezembro 2025    •      Directora: Inês Vidal; Director-adjunto: João Carlos Lopes    •      Estatuto Editorial    •      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 16° / 8°
Céu nublado com chuva fraca
Qua.
 17° / 8°
Períodos nublados
Ter.
 16° / 11°
Céu nublado com chuva moderada
Torres Novas
Hoje  18° / 10°
Céu nublado com chuva fraca
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Reflexões sobre um caminho de quase trinta anos - antónio mário santos

Opinião  »  2023-09-24  »  António Mário Santos

"“A defesa do direito à informação tem de ser compreendida como uma obrigação constitucional."

Em Setembro de 1994, com capa de João Carlos Lopes, era publicado o meu estudo Torres Novas nos Finais do Séc. XIX – Subsídios Históricos, onde se inseria um estudo sobre a Imprensa Regional no Concelho de Torres Novas (1853-1926), incluindo as fotografias da primeira página da imprensa aí publicada, desde 1853 a 1978. Por essa altura, após a experiência lograda de “A Forja”, a informação jornalística concelhia centrava-se em dois jornais: “O Almonda”, semanário da igreja católica, desde o 25 de Abril de 1974 tentando adaptar-se às mudanças da política nacional, procurando a conciliação, sempre problemática e mal conseguida, da religião com o pluralismo democrático; e do quinzenário “O Riachense” (II série, Março de 1978), independente, mas cioso do seu bairrismo anti centralista, o que o isolava da sede urbana, a ainda vila, e do restante concelho.

Nesse mesmo mês, em 22, sai a público o primeiro número do “Jornal Torrejano” (numa II série do periódico que se publicara, com vários acidentes de percurso, entre 9/10/1884 e 16/5/1915) do qual fui um dos 10 fundadores. Sentia-se, no concelho, a necessidade duma voz democrática, pluralista, que assumisse a informação concelhia e os interesses da população como elementos essenciais do sua acção.

A entrar nos seus trinta anos de publicação, duas conclusões se me impõem;

A - O “Jornal Torrejano” foi o arauto permanente da liberdade e do espírito crítico, assumindo-se de forma corajosa como uma voz denunciadora dos meandros obscuros da política concelhia, numa defesa dos interesses das populações do concelho. A frontalidade da sua acção jornalística tornou-se, verdadeiramente, um caso de estudo, que mereceria uma tese universitária sobre a acção dum órgão da imprensa concelhia e a sua influência num determinado espaço geográfico. Aos novos jovens mestrandos das ciências sociais aconselho-o vivamente.

B – As dificuldades do presente, na sua constante luta pela manutenção da sua sobrevivência, numa sociedade mercantilista para quem o jornal de papel nunca foi uma real e sentida realidade – comum à imprensa portuguesa na sua generalidade -, colocam na balança do tempo a fragilidade da sua existência. No dia em que a imprensa deixar de exercer a sua razão de ser – informar, denunciar, aplaudir, defender, lutar por um mundo mais justo e mais humano – a democracia terá sido substituída, uma vez mais, pelo autoritarismo. E a mentira, a corrupção, o compadrio, a exploração desenfreada dos seres humanos por minorias donas disto tudo, regressarão, como fantasmas ressuscitados dos cemitérios concentracionários dum passado não muito longínquo, de que ainda já não muitos de nós se recordam e sofreram as suas arbitrárias imposições.

A defesa do direito à informação tem de ser compreendida como uma obrigação constitucional. O apoio do Estado à imprensa, nacional ou regional, já noutros países, quer nos EUA, quer nalguns da Comunidade Europeia, é encarado como uma obrigação de defesa do pluralismo democrático, sem que as respectivas subvenções correspondam a uma perda de independência. O caso francês é paradigmático.

Claro que de boas intenções está o inferno cheio, e não se duvida, neste meio estreito, de mentalidade aliterata, que é o Portugal que somos, onde o partidarismo burocrático e acrítico substitui o respeito pelo outro e o legítimo direito à diferença, que não haja a tentativa de, com o apoio, seguir o compromisso do parcialismo.

Mas, para a vermina, há a vacina. A transparência da opinião, a partilha comunitária da intervenção, a defesa dos interesses colectivos, permitirão afastar essas tentações de compadrio. Criarão, antes, uma atmosfera muito mais respirável do que aquela que o poder, que se deseja absoluto, impõe: passar entre os pingos da chuva, tentando que não o incomodem, nem o questionem sobre as suas boas, razoáveis ou más acções.

Não vivemos hoje, no concelho, muito longe dum conceito de acção política de impunidade, em que o autismo do poder e o deixar correr do munícipe avalizam, com consequências visíveis, no ambiente, no património, na saúde, na habitação, no urbanismo, na transparência, na informação, uma resignação e um desinteresse absurdamente prejudiciais a uma vida colectiva responsável.

Para onde teria caminhado o concelho de Torres Novas, sem a presença crítica do “Jornal Torrejano”, a caminho dos trinta anos cumpridos, eis uma questão que merece reflexão.

Desejo-lhe, num abraço solidário, que, daqui a vinte anos, o seu cinquentenário mereça o que, hoje, lhe é, municipalmente, recusado: a medalha de mérito concelhio pela defesa da liberdade crítica e plural de informar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Outras notícias - Opinião


Transparência ou opacidade, eis a questão! - antónio mário santos »  2025-12-05 

Uma nova geração (parte de, sejamos exactos) a dirigir o município, conforme citou na última sessão extraordinária o actual presidente do executivo camarário, José Manuel Trincão Marques.
(ler mais...)


Presidenciais, o grau de ressentimento - jorge carreira maia »  2025-12-05  »  Jorge Carreira Maia

As  próximas eleições presidenciais vão medir o grau de ressentimento político dos portugueses. Em teoria, há quatro candidatos que podem aspirar a passar à segunda volta. Para usar uma classificação de um amigo, temos duas rainhas de Inglaterra (Marques Mendes e António José Seguro) e dois caudilhos (Gouveia e Melo e André Ventura).
(ler mais...)


Gente nova, poder novo. Caminho certo? - antónio mário santos »  2025-11-22  »  António Mário Santos

 

Ainda não assentou a poeira do espanto e da tristeza das eleições municipais e já a boataria fervilha nas redes sociais. Da reunião mal-esclarecida entre o recém presidente José Manuel Trincão Marques e o líder da oposição Tiago Ferreira, encontra-se uma descrição em O Mirante, que informa que este último quis fumar o cachimbo de paz com o presidente socialista, desde que este lhe cedesse três lugares a tempo inteiro na vereação, e a vice-presidência do executivo.
(ler mais...)


Sal e azar - carlos paiva »  2025-11-22  »  Carlos Paiva

A geração de transição, a última a sacrificar a sua vida à ditadura, a que entregou a melhor fase da capacidade produtiva à guerra, à realidade do analfabetismo, iliteracia, mortalidade infantil ao nível do Terceiro Mundo (faziam-se dez filhos para sobreviverem dois), agricultura de subsistência, escravidão fabril, feudalismo empresarial e que concebeu os seus filhos pouco antes da queda do fascismo, está a desaparecer.
(ler mais...)


Manuel Ribeiro (1878-1941) - jorge carreira maia »  2025-11-22  »  Jorge Carreira Maia

Como em todas as literaturas, também na portuguesa existe um cânone. No romance, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Agustina Bessa-Luís ou José Saramago pertencem, de forma permanente, ao cânone. Outras entrarão e sairão dele em conformidade com os humores do dia.
(ler mais...)


É só fazer as contas - antónio gomes »  2025-11-09  »  António Gomes

Os resultados eleitorais são de todos conhecidos, assim como os vencedores e os vencidos.

A democracia que dizem alguns, está doente e corre o risco de entrar em coma ditou para o concelho de Torres Novas o fim da maioria absoluta do PS, embora conservando a presidência da câmara por uma unha negra, tal como há 32 anos atrás, pouco mais de 80 votos.
(ler mais...)


As esquerdas, as eleições municipais, o que se seguirá… -antónio mário santos »  2025-11-09  »  António Mário Santos

«o sectarismo, a característica mais tóxica da esquerda portuguesa, tem destas coisas. Leva quem não se olha ao espelho a ignorar o mundo ou, pior, a fingir que as dificuldades estão na casa do lado» - Francisco Louçã, Público, 3 de Novembro

 A esquerda portuguesa está em crise.
(ler mais...)


Da evolução das espécies - carlos paiva »  2025-11-09  »  Carlos Paiva

No início dos anos noventa do século passado a Internet deu os primeiros passos em Portugal. Primeiro pela comunidade científica e académica, depois, muito rapidamente, expandiu-se às empresas e cidadãos comuns.
(ler mais...)


Os três salazares - jorge carreira maia »  2025-11-09 

PRIMEIRO SALAZAR. Foi um ditador cinzento e manhoso. Tinha a virtude de odiar políticos histriónicos e espalhafatosos. Esse ódio virtuoso, porém, era acompanhado por outros ódios nada virtuosos. Odiava, antes de tudo, a liberdade.
(ler mais...)


Se me for permitido - antónio mário santos »  2025-10-18  »  António Mário Santos

Em democracia, o voto do povo é soberano. Tanto os vencedores, como os vencidos, devem reflectir no resultado das opções populares, como na consequência para os projectos com que se apresentaram na campanha. Sou um dos perdedores.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2025-11-09  Os três salazares - jorge carreira maia
»  2025-11-09  »  António Gomes É só fazer as contas - antónio gomes
»  2025-11-09  »  Carlos Paiva Da evolução das espécies - carlos paiva
»  2025-11-09  »  António Mário Santos As esquerdas, as eleições municipais, o que se seguirá… -antónio mário santos
»  2025-11-22  »  António Mário Santos Gente nova, poder novo. Caminho certo? - antónio mário santos