• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 25 Janeiro 2021    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qua.
 20° / 12°
Céu nublado
Ter.
 18° / 13°
Céu nublado com chuva fraca
Seg.
 17° / 12°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  17° / 9°
Céu nublado com chuva fraca
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

25 de Abril de 2020

Opinião  »  2020-04-28  »  Jorge Carreira Maia

"A sessão na Assembleia da República foi um tributo aos capitães de Abril, mas foi essencialmente um tributo, exigido por parte substantiva da direita e de toda a esquerda, à democracia parlamentar."

A celebração do 25 de Abril deste ano foi, do ponto de vista simbólico, a mais importante de sempre. Tem múltiplos aspectos a merecer realce. Em primeiro lugar a controvérsia lançada por quem, do ponto de vista político, queria que as celebrações não se realizassem. Mostra que há sectores na direita que têm dificuldade em lidar com a data. A explicação não é difícil e não tem que ver com a data, mas com o facto de a direita portuguesa, com honrosas mas raras excepções, ter estado em bloco do lado da ditadura. Quando o regime cai em 1974, havia esquerdas oposicionistas mas não havia direitas oposicionistas. Uma parte da direita nunca se curou do seu colaboracionismo com a ditadura.

No entanto, durante estas décadas, assistimos à estruturação de uma direita democrática, de tipo ocidental, e ela revelou-se claramente neste 25 de Abril. A posição inequívoca de Rui Rio, do PSD e de Marcelo de Rebelo de Sousa mostraram, para quem tivesse dúvidas, que existe uma direita que, na sequência de Sá Carneiro, afirma claramente os valores políticos que triunfaram com o 25 de Abril. Enquanto o CDS se deixou enredar na teia da extrema-direita, o PSD e o Presidente da República foram decisivos para o carácter nacional da celebração do 25 de Abril.

Quando se vivem momentos excepcionais, aquilo que emerge é o fundamental. E o fundamental foi o que se viu no parlamento. Por muito que isso seja doloroso para uma parte da esquerda social, a essência do 25 de Abril não reside num sonho revolucionário destruído, mas na democracia liberal que se construiu. A sessão na Assembleia da República foi um tributo aos capitães de Abril, mas foi essencialmente um tributo, exigido por parte substantiva da direita e de toda a esquerda, à democracia parlamentar, ao regime onde existe alternância no poder e em que os actores políticos não são inimigos a eliminar mas adversários que participam na disputa legal pelo poder. Foi isto que se comemorou na Assembleia.

Para concluir vale a pena sublinhar outro facto. Houve uma tentativa de mobilizar os sentimentos religiosos dos portugueses contra a realização da sessão no parlamento. A presença do Cardeal-Patriarca de Lisboa na sessão foi um sinal decisivo de qual a posição da Igreja Católica. Mostrou que a Igreja não deu cobertura à campanha contra o 25 de Abril, contra as instituições democráticas e, acima de tudo, tornou patente que não existe nenhuma questão religiosa em Portugal. As instituições religiosas e as instituições democráticas vivem, apesar de separadas, em respeito mútuo, tal como se exige numa democracia liberal.

 

 

 Outras notícias - Opinião


MEMÓRIAS DE UM TEMPO OPERÁRIO - josé alves pereira »  2021-01-23  »  José Alves Pereira

Em meados da década de 60 do século passado, ainda o centro da então vila de Torres Novas pulsava ao ritmo das fábricas. Percorrendo-a, víamos também trabalhadores de pequenas oficinas e vários mesteres.
(ler mais...)


Eleições à porta e a abstenção à espreita - antónio gomes »  2021-01-23  »  António Gomes

Votar é decidir, não votar é deixar a decisão que nos cabe nas mãos de outros. Uma verdade, tantas vezes repetida. No entanto, a abstenção tem mantido uma tendência ascendente nos vários actos eleitorais.
(ler mais...)


Funambulista - rui anastácio »  2021-01-23  »  Rui Anastácio

O funambulismo é uma arte circense que consiste em equilibrar-se, caminhando, saltando ou fazendo acrobacias sobre uma corda bamba ou um cabo metálico, esticados entre dois pontos de apoio. Ao funambulista cabe a difícil tarefa de chegar ao segundo ponto de apoio sem partir o pescoço.
(ler mais...)


Os velhos e os fracos - jorge carreira maia »  2021-01-23  »  Jorge Carreira Maia

 

É plausível afirmar que o corpo político, ao contrário do que aconteceu na primeira vaga da pandemia, não tem estado feliz na actual situação. Refiro-me ao Presidente da República, ao Primeiro-Ministro e aos dirigentes das várias oposições.
(ler mais...)


Veni vidi vici - carlos paiva »  2021-01-23  »  Carlos Paiva

 

- Ó querida, sou tão bom. Mas tão bom que até vais trepar pelas paredes.

- Ai sim? E como é que vais conseguir tal proeza?

- Ora… Isso agora é cá comigo. Eu é que sei.
(ler mais...)


Eu voto, mas não gosto do rumo que isto leva - inês vidal »  2021-01-23  »  Inês Vidal

Sinto que estou sempre a dizer o mesmo, que os meus textos são repetições cíclicas dos mesmos assuntos e que estes são, só por si, repetições cíclicas e enfadonhas deles próprios.
(ler mais...)


O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes »  2021-01-12  »  João Carlos Lopes

Foi paradigmático o facto de, aquando da confirmação (pela enésima vez) da intenção do Governo em avançar com o TGV Lisboa/Porto, as únicas críticas, reparos ou protestos de autarcas da região terem tido por base a habitual choraminga do “também queremos o comboio ao pé da porta”.
(ler mais...)


Peixoto - rui anastácio »  2021-01-10  »  Rui Anastácio

Há uns meses, em circunstâncias que não vêm ao caso, tive o prazer de privar com José Luís Peixoto e a sua mulher, Patrícia Pinto. Foram dias muito agradáveis em que fiquei a conhecer um pouco da pessoa que está por trás do escritor.
(ler mais...)


A Pilhagem - josé ricardo costa »  2021-01-10  »  José Ricardo Costa

Podemos dizer que um jogo de futebol sem público ou vida sem música é como um jardim sem flores. Não que um jardim sem flores deixe de ser um jardim. Acontece que, como no jogo de futebol, fica melhor se as tiver. Já se for uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, a comparação com o jardim sem flores não funciona, pela singela razão de que uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, sendo ainda sopa, sopa de feijão com couves não é de certeza.
(ler mais...)


DAR VOZ AO TRABALHO - josé mota pereira »  2021-01-10  »  José Mota Pereira

Entrados na terceira década do século XXI, o Mundo dos humanos permanece o lugar povoado das injustiças, da desigualdade e do domínio de uns sobre os outros. Não é a mudança dos calendários que nos muda a vida.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2021-01-12  »  João Carlos Lopes O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes
»  2021-01-10  »  Inês Vidal 2021: uma vida que afaste a morte - inês vidal
»  2021-01-10  »  Jorge Carreira Maia Uma visita à direita nacional - jorge carreira maia
»  2021-01-10  »  José Ricardo Costa A Pilhagem - josé ricardo costa
»  2021-01-23  »  Inês Vidal Eu voto, mas não gosto do rumo que isto leva - inês vidal