A campanha eleitoral - jorge carreira maia
Opinião
» 2024-02-04
» Jorge Carreira Maia
Pede-se que as campanhas eleitorais sejam esclarecedoras, o que pressupõe a existência de um público a ser esclarecido. Esta ideia de esclarecimento está ligada à ideia de verdade. Esclarecer significa permitir aos eleitores o acesso à verdade. Se as campanhas eleitorais visassem o esclarecimento e, através dele, o acesso à verdade, então elas tornar-se-iam numa espécie de encontros filosóficos, nos quais os vários agentes políticos se empenhariam, de modo cooperativo, a eliminar os erros para que a verdade brilhasse. Esta ideia é absurda. As campanhas eleitorais não visam a verdade, mas o convencimento. Os políticos não querem esclarecer os eleitores, mas persuadi-los a votar no seu partido, a sufragar o seu programa para poderem chegar à governação. Isto é assim, porque a verdade não é o que está em jogo na política.
Para o cidadão, o que está em jogo na política é a justiça. Contudo, uma concepção de justiça não é mais verdadeira que outra. Um partido que defenda que é injusto cobrar impostos progressivos (quanto mais rendimentos, maior percentagem de impostos se paga) para auxiliar os mais desfavorecidos não tem uma posição mais verdadeira do que um outro partido que se proponha cobrar impostos progressivos, para que a sociedade seja menos desigual. Não se pode afirmar que uma destas ideias de justiça é mais verdadeira que a outra porque não existe nenhuma definição universal de justiça que informe de modo absoluto o que ela é. Os cidadãos vão escolher uma ou outra baseados ou no seu interesse pessoal ou no seu sentimento particular do que é a justiça, mas não porque a campanha eleitoral o informa da verdade. O que ela faz é persuadir os eleitores apelando aos interesses e sentimentos pessoais.
Para os agentes políticos, o que está em jogo é o poder, alcançá-lo ou não o perder. Isto não significa que os políticos não tenham ideias e visões políticas sobre o que é a sociedade justa. Significa apenas que sem o poder qualquer visão política é impotente. Os políticos, na campanha eleitoral, não estão preocupados com a verdade, mas com o poder. Agirão para o conquistar. A sua acção não quer esclarecer os eleitores do que é a verdade dos assuntos políticos, mas convencer que são os melhores para realizar os interesses dos eleitores ou para satisfazer os seus sentimentos sobre o que é a sociedade mais justa. Em caso nenhum, porém, a campanha eleitoral tem alguma coisa que ver com a verdade. Na realidade, é um exercício publicitário de manipulação das consciências, sendo uns políticos mais boçais, sendo outros mais sofisticados.
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A campanha eleitoral - jorge carreira maia
Opinião
» 2024-02-04
» Jorge Carreira Maia
Pede-se que as campanhas eleitorais sejam esclarecedoras, o que pressupõe a existência de um público a ser esclarecido. Esta ideia de esclarecimento está ligada à ideia de verdade. Esclarecer significa permitir aos eleitores o acesso à verdade. Se as campanhas eleitorais visassem o esclarecimento e, através dele, o acesso à verdade, então elas tornar-se-iam numa espécie de encontros filosóficos, nos quais os vários agentes políticos se empenhariam, de modo cooperativo, a eliminar os erros para que a verdade brilhasse. Esta ideia é absurda. As campanhas eleitorais não visam a verdade, mas o convencimento. Os políticos não querem esclarecer os eleitores, mas persuadi-los a votar no seu partido, a sufragar o seu programa para poderem chegar à governação. Isto é assim, porque a verdade não é o que está em jogo na política.
Para o cidadão, o que está em jogo na política é a justiça. Contudo, uma concepção de justiça não é mais verdadeira que outra. Um partido que defenda que é injusto cobrar impostos progressivos (quanto mais rendimentos, maior percentagem de impostos se paga) para auxiliar os mais desfavorecidos não tem uma posição mais verdadeira do que um outro partido que se proponha cobrar impostos progressivos, para que a sociedade seja menos desigual. Não se pode afirmar que uma destas ideias de justiça é mais verdadeira que a outra porque não existe nenhuma definição universal de justiça que informe de modo absoluto o que ela é. Os cidadãos vão escolher uma ou outra baseados ou no seu interesse pessoal ou no seu sentimento particular do que é a justiça, mas não porque a campanha eleitoral o informa da verdade. O que ela faz é persuadir os eleitores apelando aos interesses e sentimentos pessoais.
Para os agentes políticos, o que está em jogo é o poder, alcançá-lo ou não o perder. Isto não significa que os políticos não tenham ideias e visões políticas sobre o que é a sociedade justa. Significa apenas que sem o poder qualquer visão política é impotente. Os políticos, na campanha eleitoral, não estão preocupados com a verdade, mas com o poder. Agirão para o conquistar. A sua acção não quer esclarecer os eleitores do que é a verdade dos assuntos políticos, mas convencer que são os melhores para realizar os interesses dos eleitores ou para satisfazer os seus sentimentos sobre o que é a sociedade mais justa. Em caso nenhum, porém, a campanha eleitoral tem alguma coisa que ver com a verdade. Na realidade, é um exercício publicitário de manipulação das consciências, sendo uns políticos mais boçais, sendo outros mais sofisticados.
Transparência ou opacidade, eis a questão! - antónio mário santos
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Uma nova geração (parte de, sejamos exactos) a dirigir o município, conforme citou na última sessão extraordinária o actual presidente do executivo camarário, José Manuel Trincão Marques. |
Presidenciais, o grau de ressentimento - jorge carreira maia
» 2025-12-05
» Jorge Carreira Maia
As próximas eleições presidenciais vão medir o grau de ressentimento político dos portugueses. Em teoria, há quatro candidatos que podem aspirar a passar à segunda volta. Para usar uma classificação de um amigo, temos duas rainhas de Inglaterra (Marques Mendes e António José Seguro) e dois caudilhos (Gouveia e Melo e André Ventura). |
Gente nova, poder novo. Caminho certo? - antónio mário santos
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Sal e azar - carlos paiva
» 2025-11-22
» Carlos Paiva
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Manuel Ribeiro (1878-1941) - jorge carreira maia
» 2025-11-22
» Jorge Carreira Maia
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É só fazer as contas - antónio gomes
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» António Gomes
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As esquerdas, as eleições municipais, o que se seguirá… -antónio mário santos
» 2025-11-09
» António Mário Santos
«o sectarismo, a característica mais tóxica da esquerda portuguesa, tem destas coisas. Leva quem não se olha ao espelho a ignorar o mundo ou, pior, a fingir que as dificuldades estão na casa do lado» - Francisco Louçã, Público, 3 de Novembro A esquerda portuguesa está em crise. |
Da evolução das espécies - carlos paiva
» 2025-11-09
» Carlos Paiva
No início dos anos noventa do século passado a Internet deu os primeiros passos em Portugal. Primeiro pela comunidade científica e académica, depois, muito rapidamente, expandiu-se às empresas e cidadãos comuns. |
Os três salazares - jorge carreira maia
» 2025-11-09
PRIMEIRO SALAZAR. Foi um ditador cinzento e manhoso. Tinha a virtude de odiar políticos histriónicos e espalhafatosos. Esse ódio virtuoso, porém, era acompanhado por outros ódios nada virtuosos. Odiava, antes de tudo, a liberdade. |
Se me for permitido - antónio mário santos
» 2025-10-18
» António Mário Santos
Em democracia, o voto do povo é soberano. Tanto os vencedores, como os vencidos, devem reflectir no resultado das opções populares, como na consequência para os projectos com que se apresentaram na campanha. Sou um dos perdedores. |
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» 2025-11-09
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» 2025-11-09
» Carlos Paiva
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» 2025-11-22
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