• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Terça, 20 Agosto 2019    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 38° / 22°
Períodos nublados
Qua.
 37° / 18°
Céu limpo
Ter.
 33° / 14°
Céu limpo
Torres Novas
Hoje  26° / 15°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Ali. Além. E aqui também.

Opinião  »  2018-05-03  »  Maria Augusta Torcato

"Não vale a pena falar de liberdade quando as pessoas vivem com medo"

Abril foi ontem. Maio é hoje. O ontem e o hoje devem dar as mãos e refazer o amanhã. É imperioso. Tal como é imperioso que se saibam os verdadeiros sentidos de abril e de maio. Abril e Maio. Um tem um dia que marca o valor e a conquista da liberdade. O outro o valor do trabalhador e as suas conquistas.

Porém, quem está um bocadinho atento já se deve ter apercebido que a liberdade parece que perdeu a cor e a essência e o trabalhador perdeu quase todas as suas conquistas. E isto acontece ali, além e aqui também.

Há uma grande hipocrisia ao falar-se de e em liberdade, quando se vivem, ainda, em muitos locais de trabalho e na sociedade, situações de prepotência que exigem e mantêm a subserviência; situações de bullying e mobbing, atingindo-se a dignidade do trabalhador e da pessoa que é, retirando-se-lhe qualquer réstea de autoestima e autoconfiança e impedindo-se que seja, de facto, um cidadão livre e verdadeiramente interveniente na sociedade de que deveria fazer parte, mas, no fundo, não faz, porque as suas ideias, as suas vontades e as suas ações são condicionadas e manipuladas e retratam não o que deseja, mas o que outros impõem.

Também se pode falar na liberdade que confere coragem, força e determinação a todos os que vivem situações de falsa liberdade. Mas, para se ser honesto, há que pensar nas grandes dificuldades e nas barreiras que isso implica e no esforço e no sacrifício que qualquer ação exige. E o esforço também cansa, também desgasta e também conduz ao vazio e à indiferença. E pode conduzir à miséria, material, social e psicológica, porque a marginalização e o castigo que vêm dos que reagem à coragem são muitas vezes brutais. E são eles que são o poder e tudo podem.

Quando tantos dos nossos jovens tiveram de abandonar o seu país à procura de trabalho, cortar com as suas raízes e pôr em causa a sua identidade, porque não conseguiam sobreviver, isso não é, de todo, liberdade.

Quando tantos dos jovens que ficaram apenas conseguem empregos precários, mal pagos, às vezes sob a forma de bolsas, subsídios ou favores, e isso não lhes garante uma vida minimamente digna sem o apoio dos pais ou dos avós, isso não é, de todo, liberdade.

Quando tantas e tantas pessoas trabalham, recebendo apenas o ordenado mínimo e com esse mísero valor têm de sustentar a família, provendo apenas a sua sobrevivência, isso não é, de todo, liberdade.

Quando, para se colmatarem as falhas do sistema (falhas propositadas de alguns para benefícios próprios) se assumem essas falhas em atitudes de assistencialismo, caridade e misericórdia, isso não é, de todo, liberdade.

Não vale a pena falar de liberdade quando as pessoas vivem com medo. Medo de tudo. Medo de não ter trabalho. Medo de não ser ressarcido pelo trabalho. Medo de não ser reconhecido. Medo de não conseguir alimentar os filhos. Medo de não conseguir pagar a renda ou o empréstimo da casa. Medo de não poder dar aos filhos aquilo que hoje, mesmo que erradamente, a sociedade exige. Medo de falhar e, por isso, falhar a quem se ama e precisa de si. Medo de não agradar. Medo de ser posto de lado. Medo do que diz e não diz e a quem o diz ou não diz. Medo de não conseguir corresponder ao modelo social e profissional imposto. Medo. Medo até de si. Medos... e com razão: há muito tempo que não se assistia a uma desvalorização tão grande do trabalho e do trabalhador. E nós sabemos que o trabalho confere dignidade. Deveria conferir dignidade.

Assim sendo, talvez valha mesmo a pena falar de liberdade. Dizer muitas vezes a palavra liberdade. Soletrar bem a palavra LI-BER-DA-DE. Dizê-la muitas vezes, mas procurando o seu sabor, o seu sentido, sabendo-lhe todo o gosto. Talvez assim, mesmo com os riscos e as consequências que já se conhecem para quem tem a coragem de a provar seja possível juntar o ontem e o hoje e fazer um amanhã claramente melhor. Mais humano. Em que haja dignidade. Em que aqueles que têm poder tenham capacidade de retirar de cada um dos outros o melhor, cultivando a partilha e a cooperação, num aperfeiçoamento da pessoa e da sociedade. Uma sociedade mais fraterna. Mais humana. Mais igual no respeito pela diferença. Mais justa. Mais feliz. Ali, além e aqui também.

Não me sai da cabeça a canção que diz: “Só há liberdade a sério quando houver/Liberdade de mudar e decidir...”. Ali. Além. E aqui também.

 

 

 Outras notícias - Opinião


À mulher de César não basta ser séria… »  2019-08-09  »  António Gomes

Vem isto a propósito da aquisição de imóveis pela Câmara de Torres Novas, sitos em Riachos. Só o BE votou contra.

Os proprietários propuseram a aquisição e a Câmara comprou.
(ler mais...)


Bons Sons »  2019-08-09  »  Inês Vidal

Treze anos, dez edições, uma aldeia em manifesto. Arrancou ontem, dia 8, mais uma edição do festival Bons Sons, que anualmente traz a Cem Soldos, concelho de Tomar, milhares de pessoas e música, muita música portuguesa.
(ler mais...)


Carteiro »  2019-08-09  »  Ana Sentieiro

A genética é, de facto, uma coisa incrível! Contudo, no meu caso, a genética desempenha mais o papel de progenitor ausente, que se esquece do meu aniversário, não sabe o meu número de telemóvel e saca duas notas de vinte da carteira de pele quando está folgado e diz, “Para te divertires, mas não digas à tua mãe!”.
(ler mais...)


Livros para férias »  2019-08-09  »  Jorge Carreira Maia

COMO MORREM AS DEMOCRACIAS. Autores Steven Levitsky & Daniel Ziblatt, ambos professores em Harvard. Uma reflexão com incidência americana, mas apoiada no estudo das mortes da democracia nos anos trinta do século passado, na Europa, e nos anos 60 e 70, também do XX, na América Latina.
(ler mais...)


Balanço político da legislatura »  2019-07-20  »  Jorge Carreira Maia

Partido Socialista. Nunca, na história da democracia portuguesa, tinha havido um governo suportado por toda a esquerda parlamentar. António Costa e os socialistas foram os grandes beneficiários da inovação.
(ler mais...)


Umbigos, por Inês Vidal »  2019-07-05  »  Inês Vidal

A política sempre foi um dos assuntos que me deu mais gozo acompanhar enquanto jornalista. Não é novo, já o disse aqui muitas vezes. Encanta-me o jogo, perceber as redes, as pessoas, ver o que as move, como se movem, como a política puxa pelo melhor e revela o pior de quem se envolve.
(ler mais...)


Bloco de Esquerda, Rui Rio, União Europeia e Igreja Católica »  2019-07-05  »  Jorge Carreira Maia

O BLOCO DE ESQUERDA E OS DEPUTADOS. Parece haver divergências entre a distrital de Santarém e a direcção nacional sobre quem deve encabeçar a lista de candidatos pelo distrito às eleições legislativas.
(ler mais...)


PLANTAR ÁRVORES »  2019-07-04  »  António Gomes

As alterações climáticas a que estamos a assistir, e aquelas que nos são anunciadas por estudos científicos, devem ser para levar a sério. O equilíbrio climático a que nos habituámos está em mudança acelerada.
(ler mais...)


Autarquias, professores, padres casados e futebol »  2019-06-20  »  Jorge Carreira Maia

PODER AUTÁRQUICO. Depois da operação Teia, uma nova operação contra detentores – ou ex-detentores – do poder autárquico. Não faço ideia o que pensam presidentes de câmara e vereadores sobre a reputação das autarquias.
(ler mais...)


Democracia, por Inês Vidal »  2019-06-19  »  Inês Vidal

Somos todos pela democracia. Menos quando ganha quem não queremos. Esta coisa da democracia tem que se lhe diga. Que o diga eu que, nunca falhando a umas eleições, nunca vi ganhar nenhumas. Fica sempre um sabor amargo na boca, uma angústia de não ver ganhar quem se quer.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2019-08-09  »  Ana Sentieiro Carteiro
»  2019-08-09  »  Jorge Carreira Maia Livros para férias
»  2019-08-09  »  Inês Vidal Bons Sons
»  2019-08-09  »  António Gomes À mulher de César não basta ser séria…