• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 25 Janeiro 2021    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 17° / 9°
Céu nublado
Qua.
 20° / 10°
Céu nublado
Ter.
 19° / 13°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  17° / 11°
Céu nublado com chuva fraca
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Carta aberta a bom entendedor - inês vidal

Opinião  »  2020-06-18  »  Inês Vidal

"Mas eu tenho mau feitio. Temos todos por aqui. Graças a Deus resta-nos uma alma boa"

Tenho mau feitio, quem me conhece sabe. Uma característica que nasceu comigo, mas que nitidamente vai piorando à medida que os anos passam, a vida corre, as experiências se sucedem...

Não deixa de ter graça que simultaneamente, mas num sentido inversamente proporcional, cresça a minha tolerância para com uma série de outras coisas que outrora me custava entender. Percebo os erros, as imperfeições, limites impostos ultrapassados, tudo o que fura os cânones da dita normalidade, que, vai-se a ver, nem sequer existe. Julgo cada vez menos, entendo o outro cada vez melhor, fruto de uma percepção de que a vida nos testa, põe-nos à prova e nos leva ao limite. Cada vida é uma e nós somos apenas humanos a tentar fazer o melhor que conseguimos com ela. Aprendi a ouvir os outros, a perceber que as minhas limitações são muitas vezes os pontos fortes do próximo, bem como as limitações de outrém são muitas vezes as minhas maiores fortalezas. Sinto-me, cada vez mais, uma pessoa melhor. Uma alma boa!

Mas se sou cada vez mais tolerante, sou, em simultâneo e ironicamente, cada vez mais intolerante àquilo que definitivamente não tolero. Respeito as pessoas que reconhecem os seus limites, admitem o erro ou a possibilidade de estar errados. Não tolero mentes flácidas, balofas, arrogantes, daquela arrogância própria de quem é de tal forma limitado que não concebe as suas próprias limitações. Haverá coisa mais triste?

Há pessoas que têm naturalmente essa tendência. Há situações que promovem isso ainda mais. As maiorias absolutas são um bom exemplo disso: tendem a intensificar este tipo de limitações. O complexo de ser Deus, que assola pessoas que não têm capacidade para perceber as suas fronteiras, de que não são ninguém para julgar os outros, de que é importante ser humilde a ponto de nos rodearmos de quem sabe, bem como de que é bom ouvir os outros, como forma de nos superarmos a uma só voz.
As maiorias absolutas são um bom exemplo disso, repito. O facto de legitimarem todas as suas merdas com os votos angariados nas urnas, sem ninguém que lhes consiga fazer frente, sobe à cabeça dos que não estão minimamente preparados para a coisa pública, para o bem comum, mas apenas interessados no que isso trará de vantajoso para o seu quintal.

Em Torres Novas, o edil, que atrai o agrado dos torrejanos pela sua educação, tem sofrido deste mal. Talvez não totalmente por culpa própria e ao mesmo tempo por sua inteira responsabilidade. Ou direi antes, irresponsabilidade. Aquela incapacidade de dar um murro na mesa ou de se rodear de gente que saiba, que lhe sussurre bons conselhos e lhe mostre o caminho que nem sempre consegue - nem tem de - ver sozinho. Escuteiro de alma, instalado num ninho de vespas envergonhadas, deu agora numa de se armar em Deus, gritando alto o que antes lhe sussurraram ao ouvido, decidindo sozinho, ou com os seus, quem tem alma boa ou má.

Entendeu, qual São Pedro às portas do céu, quais os jornais que por terem alma boa merecem o apoio da autarquia e quais os que, por se portarem mal - que é como quem diz os jornais que se atrevem a escrever textos destes - têm alma má e como que de castigo, ficam de fora dos horizontes do município.

Não é orgulho ferido este texto, entenda-se. Há muito que gritamos orgulhosos aos quatro ventos, que somos o único jornal do concelho que não mereceu a medalha de mérito municipal. Continuaremos a lutar por isso.

A nós que gostamos destas coisas da democracia e ainda mais da política local, do jornalismo e do verdadeiro jornalismo, dói-nos simplesmente a alma - boa ou má - quando o poder local não percebe que ninguém o elegeu para dar lições de moral de trazer por causa ou para tratar os munícipes torrejanos conforme os apetites. Há regras, regimentos e regulamentos a ser seguidos. Quem diz nos jornais, diz num conjunto de outros assuntos. Hoje toca-nos a nós, mas ontem tocou a outro e amanhã logo se vê...

Mas isso já não querem eles saber, porque não precisam. Por mais que esperneie a oposição, a decisão é da maioria. E a maioria decidiu que apoiar um jornal é vantajoso, pois garante a parcialidade, a propriedade, o comprometimento e deixa uma réstia de esperança de que seja possível calar quem fala.

Mas eu tenho mau feitio. Temos todos por aqui. Graças a Deus resta-nos uma alma boa. Do mesmo nem todos se podem orgulhar.

 

 

 Outras notícias - Opinião


MEMÓRIAS DE UM TEMPO OPERÁRIO - josé alves pereira »  2021-01-23  »  José Alves Pereira

Em meados da década de 60 do século passado, ainda o centro da então vila de Torres Novas pulsava ao ritmo das fábricas. Percorrendo-a, víamos também trabalhadores de pequenas oficinas e vários mesteres.
(ler mais...)


Eleições à porta e a abstenção à espreita - antónio gomes »  2021-01-23  »  António Gomes

Votar é decidir, não votar é deixar a decisão que nos cabe nas mãos de outros. Uma verdade, tantas vezes repetida. No entanto, a abstenção tem mantido uma tendência ascendente nos vários actos eleitorais.
(ler mais...)


Funambulista - rui anastácio »  2021-01-23  »  Rui Anastácio

O funambulismo é uma arte circense que consiste em equilibrar-se, caminhando, saltando ou fazendo acrobacias sobre uma corda bamba ou um cabo metálico, esticados entre dois pontos de apoio. Ao funambulista cabe a difícil tarefa de chegar ao segundo ponto de apoio sem partir o pescoço.
(ler mais...)


Os velhos e os fracos - jorge carreira maia »  2021-01-23  »  Jorge Carreira Maia

 

É plausível afirmar que o corpo político, ao contrário do que aconteceu na primeira vaga da pandemia, não tem estado feliz na actual situação. Refiro-me ao Presidente da República, ao Primeiro-Ministro e aos dirigentes das várias oposições.
(ler mais...)


Veni vidi vici - carlos paiva »  2021-01-23  »  Carlos Paiva

 

- Ó querida, sou tão bom. Mas tão bom que até vais trepar pelas paredes.

- Ai sim? E como é que vais conseguir tal proeza?

- Ora… Isso agora é cá comigo. Eu é que sei.
(ler mais...)


Eu voto, mas não gosto do rumo que isto leva - inês vidal »  2021-01-23  »  Inês Vidal

Sinto que estou sempre a dizer o mesmo, que os meus textos são repetições cíclicas dos mesmos assuntos e que estes são, só por si, repetições cíclicas e enfadonhas deles próprios.
(ler mais...)


O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes »  2021-01-12  »  João Carlos Lopes

Foi paradigmático o facto de, aquando da confirmação (pela enésima vez) da intenção do Governo em avançar com o TGV Lisboa/Porto, as únicas críticas, reparos ou protestos de autarcas da região terem tido por base a habitual choraminga do “também queremos o comboio ao pé da porta”.
(ler mais...)


Peixoto - rui anastácio »  2021-01-10  »  Rui Anastácio

Há uns meses, em circunstâncias que não vêm ao caso, tive o prazer de privar com José Luís Peixoto e a sua mulher, Patrícia Pinto. Foram dias muito agradáveis em que fiquei a conhecer um pouco da pessoa que está por trás do escritor.
(ler mais...)


A Pilhagem - josé ricardo costa »  2021-01-10  »  José Ricardo Costa

Podemos dizer que um jogo de futebol sem público ou vida sem música é como um jardim sem flores. Não que um jardim sem flores deixe de ser um jardim. Acontece que, como no jogo de futebol, fica melhor se as tiver. Já se for uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, a comparação com o jardim sem flores não funciona, pela singela razão de que uma sopa de feijão com couves que não tenha couves, sendo ainda sopa, sopa de feijão com couves não é de certeza.
(ler mais...)


DAR VOZ AO TRABALHO - josé mota pereira »  2021-01-10  »  José Mota Pereira

Entrados na terceira década do século XXI, o Mundo dos humanos permanece o lugar povoado das injustiças, da desigualdade e do domínio de uns sobre os outros. Não é a mudança dos calendários que nos muda a vida.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2021-01-12  »  João Carlos Lopes O TGV, o Ribatejo e o futuro das regiões - joão carlos lopes
»  2021-01-10  »  Inês Vidal 2021: uma vida que afaste a morte - inês vidal
»  2021-01-23  »  Inês Vidal Eu voto, mas não gosto do rumo que isto leva - inês vidal
»  2021-01-10  »  Jorge Carreira Maia Uma visita à direita nacional - jorge carreira maia
»  2021-01-10  »  José Ricardo Costa A Pilhagem - josé ricardo costa