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Opinião  »  2018-02-15  »  José Ricardo Costa

"O que há, como sempre houve, são alunos bons e maus, e alunos que serão sempre bons"

Até ao 5.º ano do liceu (actual 9.º ano) fui um aluno cujo rendimento andou algures entre o mau e o péssimo. Chumbei alegremente dois anos e devo à simpática benevolência docente não terem sido mais. Entretanto, tive a minha estrada de Damasco e tornei-me bom aluno. Acontece que tudo isto aconteceu não em duas escolas mas na mesma escola, então chamada Escola Secundária de Torres Novas.

Acontece ainda que tive excelentes professores em disciplinas que sempre detestei e em que fui péssimo aluno, as quais atravessei como quem rasteja pela areia do deserto em busca de um oásis libertador, do mesmo modo que tive péssimos professores em disciplinas de que gostava e em que fui bom aluno, como foi o caso de uma professora de História cujas aulas eram passadas a ditar apontamentos e nós a escrevê-los como se fossemos monges copistas num scriptorium medieval.

Mas a verdade é que preferia aqueles pedagogicamente miseráveis 50 minutos a escrever apontamentos sobre a Revolução Inglesa ou Francesa, ditados por um robot de saias que olhava para nós como se fossemos filhos de um sucateiro, do que os outros, em que excelentes professores, com sabedoria e competência, explicavam-me trigonometria ou reacções químicas, mas numa fase da vida em que frementes cascatas de testosterona entupiam os circuitos neuronais do meu córtex pré-frontal ou preferia faltar às aulas para ir jogar bilhar na adega do Real, ali nas Tufeiras, e que muito bom proveito me fez.

Entretanto, já como professor, trabalhei em escolas nas quais os resultados escolares eram humildes e escolas com resultados bastante simpáticos, o que deveria provocar-me um certo desnorte esquizofrénico. Salva-me uma certa perspectiva histórica que remete para um tempo em que rankings era mais assunto de volta a Portugal em bicicleta, um tempo em que não havia escolas boas nem más, nem delírios sociológicos que associem o rendimento dos alunos à escola que frequentam.

O que há, como sempre houve, são alunos bons e maus, e alunos que serão sempre bons ou maus independentemente dos professores o serem ou não. Quem faz os rankings não são as escolas e os professores. São os alunos e os pais dos alunos. Se José Mourinho treinasse o Paços de Ferreira, o Bolonha ou o West Ham nunca iria ser campeão nacional e muito menos europeu, se o professor Neca treinasse o Benfica, a Juventus ou o Manchester City bem poderia vir a ser campeão nacional.

Nos anos 70 do século passado, qualquer pessoa dava aulas. Na minha escola havia professores com o 9ºano a dar aulas ao 8º, professores com 11ºano a dar aulas ao 11ºano. Havia professores com perturbações mentais, professores que tinham tanto jeito para ensinar como eu para treinar uma equipa de râguebi. Porém, dessa mesma escola saíram centenas de alunos que hoje são competentes professores, médicos, engenheiros, economistas ou advogados. Antigamente era tudo saudavelmente simples, não estando o discurso sobre a escola ainda contaminado por uma ideologia disfarçada de ciência.

Todas as escolas tinham, e continuam a ter, professores bons, medianos (a classe na qual me revejo) e maus, sendo estes uma minoria. E não existem escolas só com bons, medianos ou maus professores. O que acontece é os professores ensinarem e os alunos aprenderem ou não aprenderem. E se não aprendem é porque não podem ou porque não querem, sabe lá Deus porquê. Tudo o resto são tretas pseudocientíficas que, por isso mesmo, são inesgotáveis para quem as vende, continuando assim a vendê-las enquanto houver quem as compre.

 

 

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