• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 20 Maio 2019    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 26° / 12°
Períodos nublados
Qua.
 27° / 12°
Períodos nublados
Ter.
 24° / 11°
Céu nublado
Torres Novas
Hoje  23° / 10°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Rankings

Opinião  »  2018-02-15  »  José Ricardo Costa

"O que há, como sempre houve, são alunos bons e maus, e alunos que serão sempre bons"

Até ao 5.º ano do liceu (actual 9.º ano) fui um aluno cujo rendimento andou algures entre o mau e o péssimo. Chumbei alegremente dois anos e devo à simpática benevolência docente não terem sido mais. Entretanto, tive a minha estrada de Damasco e tornei-me bom aluno. Acontece que tudo isto aconteceu não em duas escolas mas na mesma escola, então chamada Escola Secundária de Torres Novas.

Acontece ainda que tive excelentes professores em disciplinas que sempre detestei e em que fui péssimo aluno, as quais atravessei como quem rasteja pela areia do deserto em busca de um oásis libertador, do mesmo modo que tive péssimos professores em disciplinas de que gostava e em que fui bom aluno, como foi o caso de uma professora de História cujas aulas eram passadas a ditar apontamentos e nós a escrevê-los como se fossemos monges copistas num scriptorium medieval.

Mas a verdade é que preferia aqueles pedagogicamente miseráveis 50 minutos a escrever apontamentos sobre a Revolução Inglesa ou Francesa, ditados por um robot de saias que olhava para nós como se fossemos filhos de um sucateiro, do que os outros, em que excelentes professores, com sabedoria e competência, explicavam-me trigonometria ou reacções químicas, mas numa fase da vida em que frementes cascatas de testosterona entupiam os circuitos neuronais do meu córtex pré-frontal ou preferia faltar às aulas para ir jogar bilhar na adega do Real, ali nas Tufeiras, e que muito bom proveito me fez.

Entretanto, já como professor, trabalhei em escolas nas quais os resultados escolares eram humildes e escolas com resultados bastante simpáticos, o que deveria provocar-me um certo desnorte esquizofrénico. Salva-me uma certa perspectiva histórica que remete para um tempo em que rankings era mais assunto de volta a Portugal em bicicleta, um tempo em que não havia escolas boas nem más, nem delírios sociológicos que associem o rendimento dos alunos à escola que frequentam.

O que há, como sempre houve, são alunos bons e maus, e alunos que serão sempre bons ou maus independentemente dos professores o serem ou não. Quem faz os rankings não são as escolas e os professores. São os alunos e os pais dos alunos. Se José Mourinho treinasse o Paços de Ferreira, o Bolonha ou o West Ham nunca iria ser campeão nacional e muito menos europeu, se o professor Neca treinasse o Benfica, a Juventus ou o Manchester City bem poderia vir a ser campeão nacional.

Nos anos 70 do século passado, qualquer pessoa dava aulas. Na minha escola havia professores com o 9ºano a dar aulas ao 8º, professores com 11ºano a dar aulas ao 11ºano. Havia professores com perturbações mentais, professores que tinham tanto jeito para ensinar como eu para treinar uma equipa de râguebi. Porém, dessa mesma escola saíram centenas de alunos que hoje são competentes professores, médicos, engenheiros, economistas ou advogados. Antigamente era tudo saudavelmente simples, não estando o discurso sobre a escola ainda contaminado por uma ideologia disfarçada de ciência.

Todas as escolas tinham, e continuam a ter, professores bons, medianos (a classe na qual me revejo) e maus, sendo estes uma minoria. E não existem escolas só com bons, medianos ou maus professores. O que acontece é os professores ensinarem e os alunos aprenderem ou não aprenderem. E se não aprendem é porque não podem ou porque não querem, sabe lá Deus porquê. Tudo o resto são tretas pseudocientíficas que, por isso mesmo, são inesgotáveis para quem as vende, continuando assim a vendê-las enquanto houver quem as compre.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Crise, Professores, Brexit e Venezuela »  2019-05-11  »  Jorge Carreira Maia

1. CRISE POLÍTICA. A questão da contagem do tempo de serviço congelado dos professores foi uma bênção caída do céu para os socialistas. Deu-lhes oportunidade de se mostrarem responsáveis, e mostrou uma oposição de direita desorientada, perdida entre o eleitoralismo puro e duro e, quando confrontada com a reacção de António Costa, em recuo humilhante perante a opinião pública.
(ler mais...)


Sondagens, Marcelo, Anos Sessenta e Notre-Dame »  2019-04-20  »  Jorge Carreira Maia

AS SONDAGENS E AS FAMÍLIAS. As sondagens reflectem já o desgaste que os socialistas estão a sofrer devido à trapalhada em que se meteram com as ligações familiares na governação.
(ler mais...)


O porco »  2019-04-20  »  Inês Vidal

Sentei-me no café a tentar escrever este “vinte”. Erro. A ideia que trazia, rapidamente se confundiu com a voz que esganiçada me ecoava repetidamente ao ouvido, vinda de uma televisão em altos berros, a história do terror – muito terror – de um jovem, um homem e um cão.
(ler mais...)


A FALTA DE ÉTICA QUE ANDA POR AÍ »  2019-04-20  »  João Lérias

Com os recentes casos das nomeações de pais e filhas, maridos e mulheres, primos e sei lá que mais, o país parece ter acordado para uma nova realidade que, não sendo nova, desta vez, sobretudo pela sua dimensão, é censurável.
(ler mais...)


A vitória do Chile »  2019-04-20  »  José Ricardo Costa

Torres Novas é uma terra cheia de ruínas, o que dá uma enorme tristeza e uma espécie de infelicidade urbana para a qual não conheço palavra. Ruínas não deveriam ser onde vivem pessoas mas em Pompeia, castelos na Escócia, abadias em Inglaterra ou anfiteatros na Grécia, onde apenas vivem fantasmas pacificamente misturados com turistas que chegam e logo partem.
(ler mais...)


A transparência das águas »  2019-04-20  »  António Gomes

Neste novo ano entrou em vigor um novo tarifário: pode-se mesmo dizer um novo e radical tarifário da empresa “Águas do Ribatejo”. A Águas do Ribatejo é uma empresa pública detida a 100% por 7 municípios do Ribatejo e que tem vindo a reerguer os sistemas de abastecimento de água e de saneamento que se encontravam na generalidade dos casos em péssimas condições.
(ler mais...)


Amor, vamos dar um tempo »  2019-04-20  »  Ana Sentieiro

Puberdade, temo que interpretes as minhas palavras de modo leviano, mas penso que chegámos àquele momento da relação em que já não faz sentido continuar. Desculpa, não tenciono desvalorizar o teu impacto em mim ou na minha vida nestes últimos anos que tivemos juntos, aliás, qualquer pessoa perceberia, ao olhar para a minha cara, iluminada por um tímido sorriso, que a tua presença era constante, quase como se fossemos um só.
(ler mais...)


Legislativas, Rui Rio, Refundações e Turquia »  2019-04-06  »  Jorge Carreira Maia

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS. Ainda há que passar pelas eleições para o Parlamento Europeu, mas o acto político decisivo só chega com as legislativas. Aquilo que até aqui parecia inevitável, uma vitória com maioria relativa do PS e uma derrota da direita, não estará completamente seguro.
(ler mais...)


A família socialista, a democracia comunista, a transferência centrista e o terrorismo »  2019-03-23  »  Jorge Carreira Maia

A FAMÍLIA SOCIALISTA. O governo parece um lugar de convívio de famílias amigas. Não bastava já haver um casal de ministros e um ministro pai e uma ministra filha desse pai, agora a mulher de um outro ministro foi nomeada chefe de gabinete do Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, cargo ocupado anteriormente pelo marido.
(ler mais...)


Como dantes não se falava, também não se dava por ela. »  2019-03-22  »  José Ricardo Costa


Qualquer pessoa normal é contra a violência doméstica. Acontece que não gosto da expressão “violência doméstica”, demasiado sociológica, urbana, abstracta, mera etiqueta que não faz jus ao tipo de aberração que pretende traduzir.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2019-04-20  »  Jorge Carreira Maia Sondagens, Marcelo, Anos Sessenta e Notre-Dame
»  2019-04-20  »  José Ricardo Costa A vitória do Chile
»  2019-04-20  »  Ana Sentieiro Amor, vamos dar um tempo
»  2019-04-20  »  António Gomes A transparência das águas
»  2019-04-20  »  Inês Vidal O porco