• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Quarta, 03 Março 2021    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Sáb.
 21° / 7°
Céu limpo
Sex.
 19° / 10°
Céu nublado com chuva moderada
Qui.
 18° / 9°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  20° / 7°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Rankings

Opinião  »  2018-02-15  »  José Ricardo Costa

"O que há, como sempre houve, são alunos bons e maus, e alunos que serão sempre bons"

Até ao 5.º ano do liceu (actual 9.º ano) fui um aluno cujo rendimento andou algures entre o mau e o péssimo. Chumbei alegremente dois anos e devo à simpática benevolência docente não terem sido mais. Entretanto, tive a minha estrada de Damasco e tornei-me bom aluno. Acontece que tudo isto aconteceu não em duas escolas mas na mesma escola, então chamada Escola Secundária de Torres Novas.

Acontece ainda que tive excelentes professores em disciplinas que sempre detestei e em que fui péssimo aluno, as quais atravessei como quem rasteja pela areia do deserto em busca de um oásis libertador, do mesmo modo que tive péssimos professores em disciplinas de que gostava e em que fui bom aluno, como foi o caso de uma professora de História cujas aulas eram passadas a ditar apontamentos e nós a escrevê-los como se fossemos monges copistas num scriptorium medieval.

Mas a verdade é que preferia aqueles pedagogicamente miseráveis 50 minutos a escrever apontamentos sobre a Revolução Inglesa ou Francesa, ditados por um robot de saias que olhava para nós como se fossemos filhos de um sucateiro, do que os outros, em que excelentes professores, com sabedoria e competência, explicavam-me trigonometria ou reacções químicas, mas numa fase da vida em que frementes cascatas de testosterona entupiam os circuitos neuronais do meu córtex pré-frontal ou preferia faltar às aulas para ir jogar bilhar na adega do Real, ali nas Tufeiras, e que muito bom proveito me fez.

Entretanto, já como professor, trabalhei em escolas nas quais os resultados escolares eram humildes e escolas com resultados bastante simpáticos, o que deveria provocar-me um certo desnorte esquizofrénico. Salva-me uma certa perspectiva histórica que remete para um tempo em que rankings era mais assunto de volta a Portugal em bicicleta, um tempo em que não havia escolas boas nem más, nem delírios sociológicos que associem o rendimento dos alunos à escola que frequentam.

O que há, como sempre houve, são alunos bons e maus, e alunos que serão sempre bons ou maus independentemente dos professores o serem ou não. Quem faz os rankings não são as escolas e os professores. São os alunos e os pais dos alunos. Se José Mourinho treinasse o Paços de Ferreira, o Bolonha ou o West Ham nunca iria ser campeão nacional e muito menos europeu, se o professor Neca treinasse o Benfica, a Juventus ou o Manchester City bem poderia vir a ser campeão nacional.

Nos anos 70 do século passado, qualquer pessoa dava aulas. Na minha escola havia professores com o 9ºano a dar aulas ao 8º, professores com 11ºano a dar aulas ao 11ºano. Havia professores com perturbações mentais, professores que tinham tanto jeito para ensinar como eu para treinar uma equipa de râguebi. Porém, dessa mesma escola saíram centenas de alunos que hoje são competentes professores, médicos, engenheiros, economistas ou advogados. Antigamente era tudo saudavelmente simples, não estando o discurso sobre a escola ainda contaminado por uma ideologia disfarçada de ciência.

Todas as escolas tinham, e continuam a ter, professores bons, medianos (a classe na qual me revejo) e maus, sendo estes uma minoria. E não existem escolas só com bons, medianos ou maus professores. O que acontece é os professores ensinarem e os alunos aprenderem ou não aprenderem. E se não aprendem é porque não podem ou porque não querem, sabe lá Deus porquê. Tudo o resto são tretas pseudocientíficas que, por isso mesmo, são inesgotáveis para quem as vende, continuando assim a vendê-las enquanto houver quem as compre.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Nicolau III - rui anastácio »  2021-02-22  »  Rui Anastácio

Dizia-se do último czar da Rússia, Nicolau II, que a sua opinião era a opinião da última pessoa com quem tinha falado. Cem anos depois, Nicolau II reencarnou em alguma daquela rapaziada que tomou conta dos principais partidos da nossa democracia.
(ler mais...)


Na mouche - josé ricardo costa »  2021-02-22  »  José Ricardo Costa

Quando saí de Torres Novas para ir estudar em Lisboa já sabia que iria depois sair de Lisboa para vir trabalhar em Torres Novas. A primeira razão para voltar foi de natureza umbilical: eu ser de Torres Novas como outros são de Mangualde ou Famalicão.
(ler mais...)


A pandemia, o Estado e os portugueses - jorge carreira maia »  2021-02-22  »  Jorge Carreira Maia

Se se observar o comportamento dos portugueses perante a pandemia, talvez seja possível ter um vislumbre daquilo que somos e de como gostamos de ser governados. Obviamente que não nos comportamos todas da mesma forma e não gostamos todos de ser governados da mesma maneira.
(ler mais...)


Altruísmo heróico e outras fábulas - carlos paiva »  2021-02-22  »  Carlos Paiva

O herói nacional, melhor jogador de futebol do mundo de sempre, segundo dizem, foi protagonista numa daquelas histórias que são matéria-prima para solidificar lendas. Nessa história, sublinhando as origens humildes, o estratosférico conquista mais um laço com o Zé comum.
(ler mais...)


A oportunidade da sobra - antónio gomes »  2021-02-22  »  António Gomes

Apesar da limitação de vacinas nesta fase, o país tem vindo a ser confrontado com variados episódios de vacinação fora do que está priorizado. Há sempre alguém que se julga acima das normas ou que faz as suas próprias normas e ultrapassa assim os que estão na fila, ou então por via de terceiros chegam primeiro à seringa.
(ler mais...)


São sobras, Senhor! São sobras! - ana lúcia cláudio »  2021-02-22  »  Ana Lúcia Cláudio

Na falta de acções presenciais, multiplicaram-se, nos últimos meses, as iniciativas on-line sobre os mais diversos assuntos. Num destes eventos em que participei, sensibilizou-me, particularmente, o testemunho de um ex-ministro social-democrata que, quando questionado sobre um eventual regresso à vida política mais activa, reconheceu que não pretende fazê-lo porque, e nas suas palavras, os quatro anos em que foi ministro mudaram-no, levando amigos e familiares mais próximos a dizerem-lhe que, nessa altura, ele não era “o mesmo Nuno”.
(ler mais...)


PSD: a morte há muito anunciada - inês vidal »  2021-02-20  »  Inês Vidal

 1. O PSD de Torres Novas é uma anedota. Ao mesmo tempo que digo isto, ouço já ao fundo vozes a erguerem-se contra esta forma crua e dura de arrancar com este texto. Imagino até as conclusões de quem tem facilidade de falar sem saber: é do Bloco, dizem uns, comunista desde sempre, atiram outros, indo ainda mais longe, lembrando que dirige aquele pasquim comunista, conforme aprenderam com o ex-presidente socialista.
(ler mais...)


Vacina »  2021-02-18  »  Hélder Dias

Développé - rui anastácio »  2021-02-07  »  Rui Anastácio

Passo de ballet, movimento em que a bailarina estica graciosamente a perna, tem diferentes níveis de dificuldade consoante a direcção da perna e a altura a que chega o pé, requer um grande equilíbrio e um elevado nível de concentração.
(ler mais...)


Não sabemos morrer - inês vidal »  2021-02-05  »  Inês Vidal

Ouço os sinais ao longe. Um pranto gritado bem alto, do alto dos sinos da igreja, por alguém que partiu. É já raro ouvir-se. Por norma, pelo menos na nossa cidade, ecoam apenas pelos que muito deram de si à causa religiosa.
(ler mais...)


 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2021-02-05  »  Carlos Paiva Hill Street Blues - carlos paiva
»  2021-02-20  »  Inês Vidal PSD: a morte há muito anunciada - inês vidal
»  2021-02-05  »  Jorge Carreira Maia O estranho caso das vacinas - jorge carreira maia
»  2021-02-18  »  Hélder Dias Vacina
»  2021-02-22  »  José Ricardo Costa Na mouche - josé ricardo costa