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As cabras do reino - carlos paiva*

Opinião  »  2020-09-12  »  Carlos Paiva

"Porquê uma parábola monárquica? Porque numa república existe uma constituição, leis, regras, protocolos"

Era uma vez um reino. O rei tomou conhecimento que uma república aliada doava dinheiro a quem quisesse criar cabras com o intuito de limpeza do mato nas serras, de modo a diminuir o risco de incêndios. Uma solução barata, neste caso de borla, e acima de tudo não poluente, amiga do ambiente, tema muito em voga entre os gentios. Era isso mesmo que o rei precisava, ser popular entre os gentios. Se bem o pensou, melhor o fez. Vindo o financiamento a fundo perdido, o rei delegou a operacionalização num dos nobres da sua confiança. Passou um ano. Lá para o lado esquerdo do reino, estava uma Amazona descansadamente em casa a ver TV. Não havia zapping que a livrasse de ser bombardeada com a notícia de um incêndio numa serra distante que vitimou uma quantidade de animais. Serra + incêndio + animais… Acendeu-se uma lamparina cerca de quinze centímetros acima da sua cabeça. “Pois é. Que será feito das cabras? Após a pompa e circunstância da inauguração desse projecto, nunca mais ninguém ouviu falar delas”. Pôs-se a caminho e foi solicitar audiência na corte. Ia inteirar-se do ponto da situação. Os elementos da corte olharam uns para os outros, encolheram os ombros e responderam que não sabiam nada. De nada. Perante a ignorância e falta de resposta acerca de uma ideia sua, o rei, viu-se numa situação desconfortável. Rapidamente e em segredo, foi perguntar ao nobre a quem delegara a responsabilidade, o que se passava. O nobre, com a maior cara de pau que conseguiu afivelar, respondeu: “Excelentíssimo e iluminado rei, segui o seu exemplo. Tal como vós fizestes com a recolha de lixo e limpeza das ruas do reino, subcontratei o serviço. Infelizmente, o subcontratado foi de uma incompetência tal, que deixou morrer as cabras à fome e sede”. O rei percebeu que a as palavras do nobre nunca poderiam chegar à Amazona, muito menos à plebe. Decidiu ser ele a responder directamente à questão. Na sessão pública seguinte, perante a Amazona e os muitos gentios que se a acotovelavam ao fundo da sala para saber as novas, aflito pelo golpe que a notícia de tal incúria iria trazer à sua imagem, quis expulsar os jornalistas da sala… não espera, isso foi o outro. É o que dá ter reis consecutivos da mesma cor, um gajo baralha-se. Onde ia eu? Há! O rei, num golpe de genial improviso, aclarou a voz e disse: “Trago más notícias. As cabras andavam a pastar junto da nascente do rio, desequilibraram-se, caíram à água e… foram sugadas pela turbina da Renova.” Assim tudo encaixava, o assunto estava encerrado sem penalizações para ninguém, excepto as cabras. Acidentes acontecem. A Amazona, pouco convencida, regressou a casa, e à sua TV. Um canal estava a transmitir uma reposição da série Baywatch. Calções + biquínis + água… Acendeu-se uma lamparina cerca de quinze centímetros acima da sua cabeça. “Pois é. Que será feito das piscinas?”
Porquê uma parábola monárquica? Porque numa república existe uma constituição, leis, regras, protocolos. E penalizações por incumprimento.

*Anarquista obsessivo compulsivo

 

 

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