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Democracia, por Inês Vidal

Opinião  »  2019-06-19  »  Inês Vidal

Somos todos pela democracia. Menos quando ganha quem não queremos. Esta coisa da democracia tem que se lhe diga. Que o diga eu que, nunca falhando a umas eleições, nunca vi ganhar nenhumas. Fica sempre um sabor amargo na boca, uma angústia de não ver ganhar quem se quer. O parabenizar o vencedor, como se aceitássemos justo o resultado que não escolhemos, como se não questionássemos a decisão da maioria…

Mas isso é o lado negro da democracia, o tal mais imperfeito de todos os sistemas, à excepção de qualquer outro. Resta o rasto de derrota, o ter de aceitar, contrariado, que a vitória é de outro, contra todos os princípios que proclamamos em bicos dos pés. O fingir que não nos importamos que os outros não percebam que nós é que tínhamos razão. A frustração de não termos conseguido passar a mensagem em que acreditamos. Mas esqueçamos o politicamente correcto.

O que há de justo em não vermos ganhar quem queremos ou aqueles em cujo projecto acreditamos? Foquemo-nos no mais importante. O CDTN teve, pela primeira vez em mais de 90 anos de história, duas listas candidatas aos corpos sociais. Essa é seguramente uma vitória para a democracia: encontrar gente em número suficiente para perfazer duas listas.

E pela primeira vez em dez anos, o Desportivo viu consolidada em votos a decisão dos seus sócios. Foram 108 contra 34 votos. Uma vitória inequívoca, mas que deixa incrédulas três dezenas de sócios. E que deixa aos vencedores o peso da responsabilidade de arcar com a história de nove décadas e de mostrar, aos que não os escolheram, que a decisão da maioria tinha razão de ser.

 

 

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