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DAR VOZ AO TRABALHO - josé mota pereira

Opinião  »  2021-01-10  »  José Mota Pereira

Entrados na terceira década do século XXI, o Mundo dos humanos permanece o lugar povoado das injustiças, da desigualdade e do domínio de uns sobre os outros. Não é a mudança dos calendários que nos muda a vida. Afinal é simples, não nos basta mudar o calendário.

O ano de 2021 apresentou-se-nos envergonhado com os povos recolhidos pela biologia de uma pandemia e a pagarem os efeitos desta economia do medo que nos rege onde os fortes são cada vez mais fortes e os fracos cada vez mais fracos. Estamos longe, bem longe, da terra do leite e do mel.

A desigualdade apresenta-se, nestes dias de Janeiro de 2021, em todas as suas dimensões e espalha-se globalmente pelo planeta. A pobreza mais miserável (onde tudo falta) do mundo dito subdesenvolvido junta-se à nossa sociedade dita desenvolvida onde se permitem as desigualdades assentes no género, na “raça, nas etnias, religiosas e nas opções da sexualidade. Na base de todas elas assentam, ainda e sempre, as desigualdades sociais determinadas pelas relações de trabalho do modo de produção capitalista. Assentam, não por hierarquia, mas por sustentação estrutural.

O desemprego é o gerador natural do exército crescente de mão de obra global quase escravizada, disponível para trabalhar mais por menos. Também não se podem ignorar questões essenciais como a valorização, educação e qualificação profissional; as questões decorrentes da evolução tecnológica e da  automatização; as questões da produtividade e do valor económico do trabalho; as questões da política de rendimentos e distribuição da riqueza; as questões da precariedade, organização, métodos  e  segurança laborais. Nem ignorar a importância dos tempos de lazer e descanso. Todas estas questões são geralmente alvo de desvalorização no debate público, fogem muitas vezes aos holofotes mediáticos e são encaradas como coisas do passado, bafientas e próprias de um mundo que já não existe.

Na semântica, os termos são alterados e os conceitos de trabalhador e empregador são substituídos pelas expressões actualizadas de colaborador e empreendedor – note-se, no entanto, que na substância o upgrade nada altera, ao ponto de muitas vezes o próprio empreendedor não passar, em muitos casos, de um trabalhador sujeito às mesmas regras de dependência económica e subordinação jurídica perante outrém definidoras da relação de trabalho. Todas estas questões são basilares e são determinantes na existência de todas as outras desigualdades sociais. Será possível analisar, por exemplo, o fenómeno do racismo e da discriminação racial ignorando as causas socio-económicas derivadas das relações de trabalho que estão na sua origem?

 

Neste contexto, as novas relações de trabalho tendem a ser cada vez mais individualizadas, fragilizando a força reivindicativa dos trabalhadores, e todas as formas colectivas de organização dos trabalhadores são mal-vistas, combatidas e encaradas como coisas arcaicas, desincentivando-se publicamente e sem qualquer pudor, a sua  participação e necessária renovação pelos trabalhadores aos novos tempos.

 

Mais do que nunca, valorizar o trabalho e os trabalhadores constitui um imperativo social e político de quem pugna contra as desigualdades e por um mundo alternativo ao capitalismo. A exploração dos seres humanos e da natureza não é uma inevitabilidade histórica. Garantirmos a defesa das causas comuns da Esquerda  como a liberdade, a democracia, a paz , a habitação, a saúde e a educação universais, sem discriminações, exige que coloquemos a defesa do mundo do Trabalho como uma questão central do nosso tempo.

 

No final deste mês de Janeiro, em Portugal, votaremos para a Presidência da República. Não são eleições menores, pelo contrário. Enquanto o PS se demitiu das suas responsabilidades, a direita portuguesa está a aproveitar estas eleições para se reorganizar em torno do seu candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS. Uma reorganização que visa, além de reconquistar o poder executivo,  retomar o programa neo-liberal de destruição do Estado Social e a quem nunca faltará, na hora certa, o apoio e o suporte da venturosa organização filofascista.

 

Temos, do outro lado do espectro, várias opções e todas elas trazem boas razões e oportunidades de manifestar uma posição alternativa de esquerda para o futuro de Portugal. Não faltemos à sua chamada, porque em democracia não há vencedores antecipados. O momento é sério, tomemos disso consciência.

 

Pelas razões que expus atrás, vou pela esquerda, apoiando e votando no candidato que de forma mais viva, clara e incisiva, traz para a Presidência da República a valorização do trabalho e dos trabalhadores portugueses, em nome de todos os valores de Abril, defendendo na prática os valores progressistas consagrados na Constituição da República Portuguesa.

 

        

 

 

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