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2 beijos

Opinião  »  2020-05-09  »  Rui Anastácio

"Verdadeiramente relevantes, tempos novos que nos irão colocar à prova, tempos em que iremos construir uma sociedade melhor, mais justa, mais fraterna."

Peúgas escuras, peúgas brancas, peúgas escuras. Um beijo, 2 beijos, um beijo vs 2 beijos.
Tinha três anos no dia 25 de Abril de 1974.

Sou um amante da liberdade e um amante incondicional da liberdade de expressão. Não quero parecer ingrato, mas uma vez que tive a felicidade de crescer em democracia, não me lembro de nada relevante que tenha mudado desde a minha infância.

Considerando que o homem foi à Lua ainda eu não tinha nascido e que não me lembro de ter vivido em ditadura, nada de realmente relevante aconteceu de então para cá. A China era uma ditadura malévola e continua a ser uma ditadura malévola. Embora, aparentemente, isso seja aceitável para alguns “amantes da democracia”. Sim, conheço razoavelmente a China, já por lá andei mais de uma dezena de vezes, gosto do povo.

Mudanças com alguma relevância, para além da queda do muro nos idos anos de 1989, talvez a venda das nossas duas principais empresas do sector energético à China, ou a venda dos correios a um fundo de investimento americano que, logo nos primeiros anos, retirou em dividendos todo o dinheiro investido.
Também, de alguma relevância, terá sido a venda dos TLP, sim ,ainda me lembro dessa sigla. Com a queda do grupo BES, ficámos todos a saber a quem tínhamos vendido esses activos do estado e para que foram servindo, ao longo de dezenas de anos, os lucros gerados.

Juro que não sou comunista, nem tenho especial simpatia pelo Bloco de Esquerda, mas acredito que eles fazem muita falta à nossa Democracia.
Não me esqueço da relevância do SNS, nem das conquistas do Estado Social, muito menos me esqueço da luta incessante e sempre adiada pela diminuição das desigualdades de oportunidades. Respeito muito o trabalho de alguns, poucos, nessa matéria.

Em Março de 2020 chegaram, “finalmente”, tempos relevantes. Verdadeiramente relevantes, tempos novos que nos irão colocar à prova, tempos em que iremos construir uma sociedade melhor, mais justa, mais fraterna.
Acredito realmente que é possível e se isso acontecer, eu juro que volto a calçar peúgas brancas.

 

 

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