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O medo

Opinião  »  2020-01-09  »  António Gomes

" O que leva o presidente/candidato a ter de anunciar, reafirmar, reconfirmar, lembrar que é candidato daqui a dois anos?"

Temos vindo a assistir, com alguma insistência por parte do presidente da câmara municipal de Torres Novas, ao anúncio da sua candidatura nas próximas eleições autárquicas. Devido à insistência, até parece que o presidente anda obcecado com tal objectivo.

Ele é na comunicação social, ele é nas reuniões de câmara e assembleia municipal e inclusive no jantar de Natal dos trabalhadores do município, confundindo o partido a que pertence com as funções que exerce, episódio este a merecer a atenção de todos e todas que se preocupam com a transparência e a democracia: é que ainda não vale tudo. Adquiriram assim todos os candidatos o direito a apresentarem-se ao universo dos trabalhadores do município.

Mas o que leva o presidente/candidato a ter de anunciar, reafirmar, reconfirmar, lembrar que é candidato daqui a dois anos? De onde vem este frenesim? Será que os candidatos na área socialista o ameaçam e os avisos repetidos são para retirar qualquer veleidade a quem se quiser atravessar no caminho? Esta marcação de terreno tem algum destinatário mais próximo que considera que um autarca com 20 anos de vereador e 8 de presidente já é bastante?

Ou os medos serão outros, os floreados podem não chegar, os subsídios são importantes mas o povo também quer ter estradas onde se transite com segurança e qualidade, quer empresas com futuro e não só logísticas/retalhos, quer a identidade do concelho consubstanciada no centro da cidade que se vai desmoronando sem que lhe acudam, quer o rio, o seu rio Almonda desprezado e abandonado há décadas, quer mobilidade segura e amiga do ambiente e não elefantes brancos que custam fortunas ao erário publico (ciclovia com 170 metros por 700 000 euros).

Seja o que for, ou os candidatos próximos que acham que também têm direito, ou a ausência de estratégia para o concelho estão a colocar o presidente à prova. Os medos são maus conselheiros, mas que parece existirem, parece.

 

 

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